Flávio Bolsonaro contratou uma empresa americana para interferir diretamente nas eleições no Brasil. NÃO É MENTIRA!!!!!!
O pagamento de R$ 600 mil à empresa Elytron pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), somado aos R$ 131,9 mil declarados pelo Partido Liberal à mesma companhia, levanta uma questão grave para a democracia brasileira: houve contratação de serviços de tecnologia ou existe alguma relação com operações destinadas a manipular o comportamento dos eleitores?

As informações foram reveladas pelo Intercept Brasil em 16 de outubro de 2026 e, confirmadas pelo site Radar Brasileiro. Documentos apresentados à reportagem descrevem uma oferta comercial da Elytron nos Estados Unidos que incluía coleta massiva de dados, segmentação de eleitores, criação de contas falsas, disseminação de boatos e uso de inteligência artificial para desacreditar adversários políticos.

É um fato concreto. Se práticas dessa natureza fossem utilizadas em uma campanha brasileira, poderiam representar uma grave violação das regras eleitorais e comprometer a liberdade de escolha dos cidadãos.
O ponto central é esclarecer o que foi efetivamente contratado, quais ferramentas foram fornecidas e se houve utilização de mecanismos clandestinos para influenciar o eleitorado.

Os registros públicos descrevem os pagamentos como consultoria em tecnologia da informação, mas a natureza genérica das descrições não elimina a necessidade de transparência.
A campanha negou a contratação de serviços ilegais e afirmou que seguiu os procedimentos regulares. Essa distinção precisa ser preservada para que as suspeitas sejam investigadas com seriedade, sem transformar indícios em condenações antecipadas.
A etapa seguinte do plano apresentado pela Elytron consiste em definir a estratégia de disseminação das mensagens. O planejamento inclui a produção de imagens, vídeos, memes e deepfakes, além da distribuição coordenada desse conteúdo por blogs, redes sociais e veículos de imprensa.

Para avaliar o material, o Intercept procurou Beatriz Farrugia, pesquisadora da Lupa e analista sênior de desinformação e FIMI — sigla em inglês para manipulação de informações e interferência estrangeira — na Debunk, organização não governamental sediada na Lituânia.
Especialista em operações de influência, Farrugia define essas iniciativas como ações deliberadas e planejadas que recorrem a métodos ilegítimos para moldar opiniões e percepções públicas.
“Essa tela [do plano, foto acima] é exatamente a definição de A a Z de operação de influência”, afirmou.
Segundo a especialista, o planejamento vai muito além da simples publicação de desinformação ou de deepfakes nas redes sociais: envolve uma estratégia estruturada para atingir objetivos específicos e influenciar o comportamento do público.
Vincent Reed, que apresentou ao Intercept documentos sobre a operação, detalhou como funcionaria o modelo comercial da Elytron. De acordo com ele, a empresa começaria identificando os objetivos de cada cliente, a natureza da campanha e o resultado pretendido.
“Assim que uma campanha assina um contrato, representantes dela teriam acesso a uma equipe que ficaria encarregada de entender os objetivos. Essa campanha quer difamar o adversário? Eles querem colocar uma campanha de comunicação massiva? E também passam a pensar qual o desfecho que a campanha busca. Quer manipular eleitores? Influenciar opiniões?”, relatou Reed.
Com os objetivos definidos, a tecnologia seria utilizada para identificar públicos e direcionar mensagens.
“Como usa tecnologia de fontes abertas e tem acesso ao X e às plataformas da Meta, o sistema pode mirar usuários individuais com base em demografia”, explicou.
As apresentações também indicam a possibilidade de integrar outros bancos de dados para ampliar a capacidade de segmentação.

Para Reed, a demonstração a que teve acesso deixou claro que a ferramenta não se limitava à análise de informações: poderia ser empregada em estratégias de influência política direcionadas a campanhas e eleitores.
O TSE precisa explicar seus critérios
A gravidade das suspeitas também exige uma atuação transparente da Justiça Eleitoral. Sob a presidência de Kassio Nunes Marques, o Tribunal Superior Eleitoral tem sido alvo de questionamentos sobre decisões envolvendo as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Em outro episódio, Nunes Marques determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, após uma ação da campanha adversária. A medida foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Segundo a apuração, a área técnica do próprio TSE não encontrou, no período analisado, as publicações específicas apontadas na denúncia original.
É nesse contexto que o caso Elytron precisa ser acompanhado com rigor. A Justiça Eleitoral deve esclarecer se recebeu denúncias sobre os pagamentos, quais providências foram adotadas e se existem procedimentos para apurar eventual uso de inteligência artificial em operações clandestinas de influência política.
Se há suspeitas documentadas de uma possível estrutura de manipulação eleitoral, a resposta institucional não pode ser a inércia. Cabe ao TSE aplicar as mesmas exigências de transparência e fiscalização a todos os candidatos, independentemente de partido ou posição política.
Os pagamentos declarados por Flávio Bolsonaro e pelo PL tornam indispensável esclarecer a relação da campanha com a empresa e os serviços efetivamente contratados. A população tem o direito de saber se o dinheiro foi destinado a atividades convencionais de tecnologia ou se financiou ferramentas relacionadas às operações descritas nos documentos.
A democracia não pode depender de operações clandestinas
A possibilidade de utilização de perfis falsos, desinformação direcionada e inteligência artificial para manipular eleitores representa um risco que vai além de uma disputa entre candidatos. Trata-se da integridade do processo democrático e do direito da população de tomar decisões sem ser alvo de campanhas clandestinas de engano.
O dinheiro declarado à Elytron, as atividades descritas nos documentos e as respostas dos envolvidos precisam ser examinados em conjunto pelas autoridades competentes. Se forem encontradas provas de infrações, os responsáveis deverão responder nos termos da lei.
O Radar Brasileiro acompanha o caso e cobra transparência tanto dos responsáveis pelos pagamentos quanto das instituições encarregadas de fiscalizar as eleições.
Em uma democracia, nenhum candidato deve estar acima da lei — e nenhuma autoridade eleitoral deve estar acima da obrigação de prestar contas de suas decisões.