A propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, foi exibida sem áudio na televisão nesta segunda-feira (12).
O problema ocorreu durante o horário eleitoral gratuito, enquanto a propaganda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), exibida na sequência, teve som normal.
A diferença entre as duas transmissões levou Flávio a insinuar que a falha poderia ter sido provocada deliberadamente, mas, naquele momento, ele não apresentou provas de uma possível sabotagem.
Em vídeo divulgado após o episódio, Flávio afirmou:
“O meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo. O meu programa foi transmitido sem som. O do Lula tava com som, tudo OK, mas o meu, transmitido sem som. Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência”.Falso
O senador também declarou que não seria silenciado e incentivou apoiadores a compartilhar a propaganda nas redes sociais e em grupos de WhatsApp. Enganoso Flávio Bolsoanaro tentou engajar na internet que está sofrendo boicote, sem apresentar provas.
A alegação transforma uma falha de transmissão em suspeita política antes da apresentação de evidências que demonstrem uma ação intencional.
O fato de o áudio de Lula ter funcionado normalmente não comprova, por si só, que alguém tenha interferido deliberadamente na propaganda do adversário. Verdadeiro
JOVEM PAN EMBARCA PROPAGA FAKE NEWS

A cobertura da Jovem Pan também levanta suspeitas e questionamentos sobre a forma como a emissora apresenta episódios envolvendo Flávio Bolsonaro.
Ao repercutir a suspeita de sabotagem levantada pelo candidato, sem que a intenção deliberada estivesse comprovada, a emissora corre o risco de transformar uma alegação política em uma narrativa que favorece sua versão dos fatos.
A cobertura do caso pela imprensa também exige atenção à diferença entre relatar uma acusação e apresentar como plausível uma hipótese ainda não comprovada.
Ao repercutir a insinuação de Flávio, a Jovem Pan coloca em circulação uma suspeita de sabotagem que precisa ser confrontada com os dados técnicos da transmissão.
O ponto questionado não é impedir que a emissora noticie a reclamação do candidato. É deixar claro para o público que a acusação partiu de Flávio e que a existência de uma falha de áudio não demonstra, automaticamente, a intenção de prejudicar sua campanha.
Uma cobertura jornalística rigorosa precisa informar o que aconteceu, identificar quem levantou a suspeita, buscar a explicação dos responsáveis pelo sinal e atualizar a notícia quando surgirem evidências.
Sem essa distinção, uma hipótese política pode acabar sendo recebida pelo público como se fosse um fato estabelecido.
Até o momento, as possíveis falhas estão sendo apuradas.