O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), escancarou uma briga pública com Flávio Bolsonaro (PL) em torno de um dos principais temas trabalhistas em discussão no Congresso: o fim da escala 6×1.
A posição chama atenção porque Cleitinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial e, nesta quinta-feira (8), esteve ao lado do candidato do PL em Brasília. Mesmo assim, deixou claro que o apoio eleitoral não significa concordância automática com todas as posições de Flávio.
“Eu sou casado com minha esposa, sou apaixonado por ela e de vez em quando a gente também não concorda um com o outro. Então nem sempre a gente vai concordar com o outro”, afirmou Cleitinho ao ser questionado sobre a divergência.
Após o evento, Flávio ouviu Daniella Marques sobre a declaração de Cleitinho e ficou irritado com a postura do novo governador de Minas Gerais sobre o fim da escala 6×1.
Nos bastidores da campanha de Flávio Bolsonaro, a divergência em torno da escala 6×1 ganhou um novo ingrediente: a posição de Daniella Marques, uma das principais integrantes da equipe econômica do candidato.
O posicionamento coloca Daniella em rota de colisão com Cleitinho, que vem mantendo uma posição diametralmente oposta. O senador e governador eleito de Minas afirma que a proposta deveria ter sido votada antes e que não pretende recuar.
A declaração aumentou as farpas entre os grupos que cercam os dois aliados.
Cleitinho desafia Flávio a apoiar o fim da 6×1
A divergência, porém, não começou agora. Em agosto, Cleitinho já havia afirmado que pretendia convencer Flávio Bolsonaro a apoiar o fim da escala 6×1.
Na ocasião, o então candidato ao governo de Minas disse que, se fosse necessário, conversaria individualmente com os senadores para defender a proposta.
“Eu espero muito que o Flávio Bolsonaro, que é o candidato a presidente, que está falando que vai defender o povo, possa agora estar lá na CCJ e possa encher a boca para falar que vai votar pelo fim da escala 6×1”, afirmou.
Agora, depois do primeiro turno e já eleito governador, Cleitinho mantém a cobrança e afirma que pretende votar a favor da mudança enquanto continuar no Senado.
Cleitinho, por sua vez, defende a aprovação da proposta que prevê a redução da jornada e dois dias de descanso semanal. Nesta semana, voltou a afirmar que pretende manter sua posição “até o fim”.
A diferença ficou ainda mais evidente porque o Senado começou a discutir a PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e manutenção dos salários e benefícios.
“Vou até o fim”
Cleitinho tem insistido que não pretende abandonar a defesa do fim da 6×1 por causa de sua aliança eleitoral com Flávio Bolsonaro.
O senador afirma que a posição é anterior ao segundo turno e que continuará defendendo a mudança independentemente das divergências políticas.
A tensão ganhou força justamente quando Cleitinho decidiu tornar pública sua cobrança. Em agosto, ele já havia dito que pretendia convencer Flávio a apoiar o fim da 6×1 e que, se necessário, conversaria individualmente com os senadores para garantir os votos.