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DE NOVO “não foi bem assim”; FLÁVIO BOLSONARO CHAMA A IMPRENSA PRA SE EXPLICAR

Política

Depois de afirmar que pretende aproveitar a maioria de direita no Congresso para “mudar a Constituição”, candidato agora diz que se referia a PECs específicas; recuo reacende questionamentos sobre suas declarações. Será?

Flávio Bolsonaro voltou a tentar explicar uma declaração feita na véspera sobre a Constituição. Na terça-feira (6), durante um evento em Goiânia, o candidato do PL afirmou que a composição mais à direita do Congresso permitiria, caso fosse eleito, “mudar a Constituição” e “redemocratizar esse país”.

A fala foi registrada por diferentes veículos de imprensa.

“A gente tem várias PECs que são possíveis. Tem que haver uma reforma do Judiciário. Eu sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo. Isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos aqui da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC”, explicou.

No dia seguinte, pressionado por jornalistas sobre o significado da declaração, Flávio mudou o tom.

Disse que estava falando de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e citou como exemplos uma reforma do Judiciário, a redução da maioridade penal, mudanças na reforma tributária e o fim da reeleição.

A diferença entre as duas falas é justamente o que passou a chamar atenção. Na primeira declaração, Flávio associou diretamente a maioria parlamentar à possibilidade de “mudar a Constituição”.

Depois da repercussão negativa, passou a apresentar a afirmação como uma referência a mudanças pontuais que dependeriam do processo legislativo.

O próprio candidato afirmou que qualquer interpretação além das propostas que mencionou seria “especulação”. Também disse que respeitaria a Constituição e que as mudanças seriam submetidas ao Congresso.

Um padrão que volta ao debate

A nova explicação também recoloca no centro da campanha a forma como declarações de Flávio são posteriormente apresentadas ou contextualizadas quando provocam repercussão.

o que exatamente Flávio pretende mudar na Constituição e quais seriam os efeitos dessas mudanças?

A pergunta ganha importância porque o próprio programa de governo registrado pela campanha prevê medidas que exigem alteração constitucional, como o fim da reeleição.

O plano também inclui mudanças no Judiciário e na legislação de segurança pública.

No caso da reeleição, Flávio afirmou que pretende acabar com a possibilidade de um presidente disputar um segundo mandato consecutivo, mas deixou em aberto até mesmo a duração dos futuros mandatos, dizendo que caberia ao Congresso definir os critérios.

O problema não é apenas a frase

A discussão, portanto, não se limita a saber se Flávio usou uma expressão forte ou se depois tentou esclarecê-la.

qual Constituição ele pretende alterar, quais direitos ou regras seriam atingidos e qual seria o alcance das PECs que pretende apoiar.

Isso ganha ainda mais relevância diante de outras propostas apresentadas pela campanha. Na educação, por exemplo, o programa prevê voucher educacional quando não houver vaga na rede pública.

Na área trabalhista, defende maior espaço para negociação individual e uma alternativa à proposta de fim da escala 6×1.

Por isso, a nova explicação de Flávio não encerra a discussão. Ao contrário: transforma a declaração sobre “mudar a Constituição” em uma cobrança objetiva para que o candidato detalhe, ponto a ponto, quais mudanças pretende fazer caso chegue ao Palácio do Planalto.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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