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ERA MILEI: ARGENTINA PERDE 32 MIL EMPRESAS, DESEMPREGO DISPARA; FLÁVIO QUER O MESMO

Política

Enquanto Milei aprofunda o ajuste fiscal e reduz gastos públicos, afetando diretamente a classe trabalhadora, a Argentina perde 32.290 empregadores registrados, enfrenta desemprego de 7,9% e vê a pobreza atingir 32,3% da população, ampliando o debate sobre o custo social de sua política econômica. Flávio Bolsonaro mira política Milei para o Brasil e não explica onde vai cortar os gastos.

Mais de 32 mil empresas deixaram de constar nos registros de empregadores da Argentina desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023.

Os números, divulgados pelo jornal La Nación e reproduzidos pelo Radar Brasileiro neste domingo (11), revelam a dimensão da redução no universo de empregadores registrados durante a gestão do presidente argentino.

O Modelo Milei é o mesmo que Flávio Bolsonaro quer implantar no Brasil se caso for eleito o presidente da república.

Com uma política de corte de gastos, igual Flávio Bolsonaro quer implantar no Brasil, Milei

Segundo os dados compilados pela Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), órgão do governo argentino, o país passou de 512.357 empregadores registrados em novembro de 2023, último mês antes da posse de Milei, para 480.067 em julho de 2026. A diferença é de 32.290 registros, uma queda de aproximadamente 6,3%.

O indicador não significa, isoladamente, que todas essas empresas tenham encerrado definitivamente suas atividades. A redução, porém, mostra uma contração expressiva no número de empregadores registrados e levanta questões sobre a capacidade da economia argentina de sustentar negócios, postos de trabalho e renda durante o programa de ajuste implementado pelo governo.

Ajuste fiscal e redução do papel do Estado

Desde o início do mandato, Milei colocou o ajuste das contas públicas no centro de sua política econômica. O programa incluiu redução de despesas governamentais, revisão de subsídios e mudanças em políticas públicas, com o objetivo declarado de combater o déficit fiscal, conter a inflação e reorganizar a economia.

Essas medidas, entretanto, têm consequências que vão além dos indicadores fiscais. A redução de gastos públicos e de subsídios pode afetar diretamente o orçamento das famílias, o custo de serviços essenciais e a atividade de setores que dependem do consumo interno ou de contratos com o Estado.

Quando famílias perdem poder de compra, empresas que vendem produtos e serviços no mercado doméstico podem enfrentar queda na demanda.

Negócios menores, com menos capital de reserva e maior dependência das vendas diárias, tendem a ter menos margem para absorver períodos prolongados de dificuldade.

Menos empregadores, preocupação com o mercado de trabalho

A redução de 32.290 empregadores registrados não deve ser confundida automaticamente com o fechamento comprovado de 32.290 empresas.

O dado mede a quantidade de empregadores presentes nos registros da SRT, e a variação pode envolver encerramentos, mudanças cadastrais e outras alterações no universo registrado.

Ainda assim, a queda merece atenção porque a continuidade dos negócios está diretamente relacionada à manutenção de postos de trabalho formais.

Quando uma empresa encerra suas atividades ou deixa de empregar trabalhadores, famílias podem perder renda e encontrar dificuldades para retornar ao mercado de trabalho.

O impacto também pode atingir fornecedores, prestadores de serviços e o comércio das regiões onde essas empresas atuavam. Em economias nas quais o consumo interno tem papel importante, a perda de empregos pode alimentar um ciclo de retração: menos renda, menos compras, menos vendas e novas dificuldades para os negócios.

Para dimensionar o efeito sobre os trabalhadores, é necessário analisar os dados de emprego registrado, desemprego, salários reais e participação da população no mercado de trabalho, além do número de empregadores.

Cortes sociais e o custo para a população

A política de austeridade de Milei também trouxe mudanças no financiamento e na abrangência de programas e serviços públicos. A discussão envolve subsídios, aposentadorias, transferências sociais, investimentos estatais e recursos destinados a diferentes áreas do governo.

O impacto dessas mudanças não é igual para toda a população. Famílias de baixa renda, aposentados e pessoas que dependem de benefícios públicos podem ter menos condições de compensar a perda de auxílios ou o aumento de despesas essenciais.

Ao mesmo tempo, o governo sustenta que o ajuste fiscal é necessário para estabilizar a economia e superar problemas acumulados ao longo de anos.

A avaliação dos resultados, portanto, exige observar não apenas o equilíbrio das contas públicas e a trajetória da inflação, mas também a evolução da renda, do emprego, da pobreza e do acesso a serviços essenciais.

O ponto central é saber quem arca com os custos da reorganização econômica e em quanto tempo os benefícios prometidos pela estabilização chegam à população.

O desafio econômico de Milei

A queda no número de empregadores registrados oferece um indicador concreto das mudanças ocorridas desde o início do governo Milei. Sozinha, não explica todas as causas da retração nem permite atribuir cada saída do cadastro diretamente às medidas presidenciais.

Para estabelecer essa relação, é necessário cruzar os registros empresariais com dados setoriais, fiscais, trabalhistas e de atividade econômica.

O dado, contudo, coloca uma questão importante para o governo argentino: como transformar a estabilização macroeconômica em crescimento sustentável, com empresas operando, trabalhadores empregados e famílias recuperando o poder de compra?

A resposta dependerá da evolução do mercado de trabalho, da sobrevivência dos pequenos e médios negócios e dos efeitos sociais do ajuste.

Os argentinos estão em apuros, longe do desenvolvimento e perto de um abismo político na era Milei.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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