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Marçal continua inelegível e tenta “lacrar” em live com Augusto Cury durante debate da Band

Política

Mesmo impedido de disputar o debate por decisão da Justiça Eleitoral, ex-coach apareceu nas redes para comentar o evento e tentar transformar a própria exclusão em palanque político.

Pablo Marçal continua até 2032. A situação jurídica do empresário não mudou neste fim de semana: o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), José Antonio Encinas Manfré, rejeitou mais um recurso apresentado por Marçal e manteve a condenação que o impede de disputar eleições.

A condenação está relacionada às eleições municipais de 2024, quando Marçal foi considerado responsável por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em razão da estratégia de promover um “campeonato de cortes” para impulsionar conteúdos de sua campanha nas redes sociais, com pagamentos e brindes a seguidores.

Mesmo diante desse cenário, Marçal lançou sua candidatura à Presidência da República e tenta se apresentar como candidato normalmente. O problema é que a Justiça Eleitoral continua impondo barreiras à sua campanha. Em 20 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, por unanimidade, que ele não tenha acesso ao Fundo Eleitoral e ao Fundo Partidário e proibiu, entre outros atos, sua participação em debates eleitorais.

Foi justamente de fora do debate da Band que Marçal tentou encontrar uma nova maneira de aparecer.

Tentativa de transformar ausência em espetáculo

No domingo (23), enquanto o primeiro debate presidencial de 2026 acontecia nos estúdios da Band, Marçal entrou em uma transmissão ao vivo com Augusto Cury, candidato do Avante.

Cury havia protagonizado uma cena de indecisão antes do programa. O escritor chegou à emissora, anunciou que não participaria do debate em protesto contra a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro e, posteriormente, voltou atrás e decidiu entrar no estúdio.

Foi nesse intervalo que Marçal apareceu na live.

Impedido de estar no palco por determinação da Justiça Eleitoral, ele encontrou nas redes sociais uma espécie de palanque paralelo para comentar o episódio e tentar capitalizar politicamente sobre a situação.

A estratégia é conhecida: quando não consegue ocupar o espaço institucional, Marçal tenta transformar a própria exclusão em conteúdo para as redes, buscando repercussão e engajamento.

Mas há uma diferença importante entre fazer barulho nas redes e ter uma candidatura juridicamente viável.

Inelegibilidade continua sendo o problema

A candidatura de Marçal ainda depende de uma solução definitiva na Justiça Eleitoral. A liminar que permitiu sua movimentação partidária não apagou as condenações que resultaram na inelegibilidade.

O próprio TSE deixou claro que a decisão tomada em agosto é provisória e vale até o julgamento do mérito do pedido de registro da candidatura. Além disso, a Corte determinou expressamente que Marçal não participe de debates e não utilize recursos públicos de campanha.

Ou seja: Marçal pode fazer live, provocar adversários, produzir cortes e tentar viralizar nas redes, mas continua impedido de participar oficialmente dos debates eleitorais.

E foi exatamente isso que aconteceu neste fim de semana.

Enquanto Caiado, Renan Santos e Augusto Cury estavam no palco da Band, Marçal estava do lado de fora do debate — tentando transformar a própria ausência em espetáculo político.

A cena resume o momento atual do empresário: muita exposição nas redes, mas uma candidatura ainda presa às decisões da Justiça Eleitoral.

O debate da Band, realizado no domingo, teve apenas três participantes: Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram.

Marçal, por sua vez, nem sequer poderia participar. Não por decisão editorial da emissora, mas porque existe uma determinação judicial que o impede de estar nos debates.

Assim, enquanto tenta “lacrar” nas redes e transformar cada episódio eleitoral em conteúdo para seus seguidores, a realidade jurídica permanece a mesma: Pablo Marçal continua inelegível e sua candidatura à Presidência ainda está longe de ser uma situação consolidada.

Sobre o autor Redação Radar Brasileiro Redação · Radar Brasileiro

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