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PODCAST: Lula bate recorde no Flow, supera Bolsonaro e Flávio juntos

Política

Entrevista do presidente alcançou 1,7 milhão de espectadores simultâneos, acima da soma dos picos registrados por Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro; analistas apontam que a escolha de Lula reduziu a exposição a um debate marcado por ataques e acabou evidenciando a força das mídias alternativas.

A decisão de Luiz Inácio Lula da Silva de não participar do debate presidencial da TV Globo acabou produzindo um resultado que dificilmente estava nos cálculos da emissora: no lugar de um confronto televisivo tradicional, o presidente levou sua campanha para o ambiente digital e transformou a entrevista ao Flow Podcast em um dos maiores eventos políticos da internet brasileira.

Durante a transmissão realizada na noite de quinta-feira (1º), Lula atingiu 1,7 milhão de espectadores simultâneos, estabelecendo um novo recorde para a transmissão.

O número superou com folga a marca de aproximadamente 900 mil espectadores simultâneos registrada por Flávio Bolsonaro em sua live e também ultrapassou a marca de cerca de 550 mil alcançada por Jair Bolsonaro em uma transmissão de 2022.

Somados, os dois picos ficam abaixo do resultado obtido por Lula no Flow.

O resultado também superou o próprio recorde anterior de Lula no Flow. Em 2022, a participação do presidente havia alcançado cerca de 1,087 milhão de espectadores simultâneos.

Agora, a entrevista chegou a aproximadamente 1,65 milhão em uma medição independente e a 1,7 milhão segundo os dados divulgados sobre a transmissão.

A Globo perdeu o monopólio da audiência política

O episódio expôs uma transformação que vem ocorrendo na comunicação política brasileira: candidatos já não dependem exclusivamente dos grandes grupos de televisão para alcançar milhões de pessoas.

O debate que seria realizado pela Globo acabou cancelado depois de uma sequência de decisões judiciais que alteraram as condições inicialmente previstas para o programa.

O TSE determinou que a emissora não poderia exibir o púlpito vazio de Lula, enquanto uma decisão do STF determinou a participação de Renan Santos. Flávio Bolsonaro, que inicialmente havia confirmado presença, posteriormente desistiu.

A Globo alegou que as decisões provocaram insegurança jurídica e interferiram na liberdade de imprensa.

A emissora chegou a falar em interferência judicial e liberdade de imprensa. Flávio Bolsonaro, por sua vez, classificou a decisão do TSE como “censura”.

São, porém, interpretações diferentes sobre o mesmo episódio: a decisão judicial efetivamente impediu a exibição da cadeira vazia de Lula, enquanto a Globo sustentou que a alteração das regras comprometeu a realização do debate.

O resultado concreto foi que a Globo perdeu o evento que pretendia colocar como um dos principais momentos da reta final do primeiro turno.

Enquanto isso, Lula estava diante de milhões de pessoas em uma plataforma digital.

Lula apostou no confronto direto com o público

A escolha não aconteceu por acaso. Lula havia anunciado previamente que não participaria do debate e decidiu ocupar o mesmo horário com uma entrevista no Flow.

A estratégia da campanha era evitar um formato com vários candidatos no qual Lula poderia se tornar o principal alvo de ataques. A publicação registrou que o presidente deveria concentrar sua participação em debates no segundo turno.

A Associated Press também ouviu analistas que avaliaram que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro procuraram evitar os riscos e ataques inerentes a um confronto televisionado naquele formato. Mas que Flávio Bolsonaro saiu perdendo por atacar sem provas o cancelamento do debate e ainda criticar Lula.

O “tiro no pé” da televisão tradicional

O episódio também coloca em discussão o modelo tradicional de comunicação eleitoral.

Durante décadas, um debate na Globo era tratado como um dos momentos centrais de uma eleição presidencial. A emissora reunia os principais candidatos, estabelecia as regras e concentrava uma audiência que dificilmente poderia ser alcançada por qualquer outro veículo.

A noite de 1º de outubro mostrou que esse cenário mudou.

Em vez de depender da televisão aberta, Lula utilizou um podcast para falar diretamente com o eleitor. E o resultado foi uma audiência simultânea superior à soma dos picos de Flávio Bolsonaro e da transmissão anterior de Jair Bolsonaro mencionados nas medições disponíveis.

O caso Lula-Globo evidencia uma mudança maior na política brasileira: o poder de distribuição de informação deixou de estar concentrado exclusivamente nas grandes emissoras.

Podcasts, YouTube, transmissões independentes e veículos digitais passaram a disputar diretamente a atenção do eleitorado. Em determinadas situações, conseguem reunir audiências comparáveis ou superiores às alcançadas por eventos da televisão tradicional.

O recorde de Lula no Flow é um exemplo concreto dessa transformação.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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