A campanha de Flávio Bolsonaro para o segundo turno já enfrenta um racha interno que começa a ganhar contornos mais claros: o choque entre o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, e Daniela Marques, uma das principais figuras da equipe de Flávio.
Segundo fontes ouvidas pelo Radar Brasileiro, Daniela Marques teria questionado, em conversas reservadas nos estúdios de Flávio Bolsonaro, se Cleitinho estaria de fato alinhado com a estratégia da campanha de Flávio para o segundo turno.
A avaliação chegou aos ouvidos do senador e, segundo os mesmos relatos, o clima esquentou.
Cleitinho havia declarado apoio público a Flávio depois do primeiro turno, mas a relação nos bastidores estaria longe de ser tão tranquila assim quanto a fotografia oficial da campanha sugere.
Daniella teria dito que: ” (…) ele ‘Cleitinho’ não abre a boca pra falar do Flávio nas entrevistas e nem cita nada. Esse cara não está com a gente assim”, reclamou após o intervalo da participação dela no podcast.
A cobrança sobre o grau de comprometimento do governador eleito teria sido recebida como uma tentativa de pressioná-lo politicamente.
Daniela, por sua vez, ocupa posição estratégica no entorno de Flávio. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ela coordena a área econômica da campanha e participa diretamente das discussões sobre o projeto de um eventual governo.
A fama de mão pesada

De acordo com relatos que circulam entre aliados, Daniela é vista por integrantes do próprio grupo como uma figura de postura dura nas articulações internas, que não sabe tratar com as pessoas. Em resumo, uma mulher ‘antipática”.
Alguns interlocutores a descrevem como alguém que cobra alinhamento de maneira direta e que não costuma deixar divergências políticas passarem sem resposta.
Essa percepção, no entanto, é uma avaliação atribuída a pessoas do entorno da campanha.
O episódio com Cleitinho teria colocado justamente essa característica no centro da tensão.
Para aliados do governador eleito, uma coisa é a coordenação de campanha cobrar empenho de seus apoiadores. Outra é questionar publicamente ou em conversas internas a lealdade política de uma liderança que possui sua própria base eleitoral.
O problema para Flávio

A situação é delicada porque Cleitinho não é um aliado qualquer.
O mineiro chega ao segundo turno com força política própria e já declarou apoio a Flávio. A campanha, por sua vez, tenta transformar os apoios conquistados depois do primeiro turno em uma frente política ampla.
A própria campanha anunciou reuniões com diferentes lideranças após a primeira rodada eleitoral, incluindo Cleitinho, enquanto Daniela participou das articulações do núcleo central de Flávio.
Por isso, qualquer conflito entre os dois pode criar um problema de coordenação justamente quando Flávio precisa apresentar unidade entre seus aliados.
Dois grupos, uma campanha
O episódio também expõe uma disputa mais profunda dentro do projeto de Flávio: quem terá voz na construção do eventual governo e quem terá de seguir as decisões do núcleo mais próximo do candidato.
Daniela representa uma ala técnica e econômica que trabalha na formulação do programa de governo. Ela já participou de articulações com empresários e do debate sobre as medidas econômicas que poderiam ser adotadas em uma eventual administração de Flávio.
Cleitinho, por outro lado, representa uma liderança política com base própria e capacidade de mobilização regional.
O choque entre os dois, portanto, não seria apenas uma questão pessoal.
É uma disputa por autonomia, influência e espaço dentro da campanha que tenta chegar unida ao segundo turno.
E, se os relatos de bastidores estiverem corretos, a primeira faísca já apareceu: Daniela colocou em dúvida o alinhamento de Cleitinho, a informação chegou ao senador e a relação entre os dois azedou.
O Radar Brasileiro entrou em contato com um dos assessores de Cletinho, que não quis comentar o assunto. A assessoria de imprensa de Flávio, também não quis comentar a troca de farpas.