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É #FAKE PROPAGANDA ELEITORAL: Tarcísio mente no primeiro dia e diz que acabou com a cracolândia

Checagem

Na estreia da propaganda eleitoral, governador transforma o suposto fim da Cracolândia em vitrine de sua gestão; comerciantes e moradores, porém, enfrentam medo, insegurança e prejuízos com a dispersão dos usuários pelo Centro.

No primeiro dia de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresentou como uma das principais realizações de seu governo aquilo que sua campanha chama de “fim da Cracolândia”. Realizações que não são verdades. O Radar Brasileiro mostra que Tarcísio de Freitas insiste na mentira para enganar a população e assim, conseguir votos.

A afirmação, entretanto, contrasta com a realidade vivida por quem mora e trabalha no Centro de São Paulo. A Cracolândia não desapareceu. O que aconteceu foi a dispersão dos usuários por diferentes pontos da região central, levando o problema para ruas, bairros e áreas que antes não conviviam com a mesma intensidade com a presença dos grupos.

A estratégia adotada pelo governo Tarcísio, em vez de resolver definitivamente o problema, é apontada por moradores e comerciantes como responsável por espalhar a crise pelo Centro.

Para quem tem comércio na região, a consequência é direta: medo, queda no movimento, aumento dos gastos com segurança e prejuízos financeiros.

Mentiu Falso Tendencioso Enganoso Exagerado — São Paulo não é apenas um estado, é um país dentro do Brasil. Vim para trabalhar, deixar legado, uma locomotiva deste tamanho exige um condutor com pés no chão. Alguém disse uma vez que, não sabendo que era impossível, foi lá e fez. E no nosso governo, a gente resolveu não acreditar que alguma coisa fosse impossível. É possível acabar com a Cracolândia depois de 30 anos? Era. É possível dar tratamento para as pessoas, para os dependentes químicos? É. Hoje a Cracolândia não existe mais, a vida está voltando para o centro de São Paulo — disse.

Comerciantes vivem com medo

O discurso de que a Cracolândia acabou não traduz o cotidiano de quem precisa abrir as portas de um estabelecimento todos os dias. Um gerente comercial com quem o Radar Brasileiro conversou, preferiu não dizer o nome, mas confirmou a difícil realidade do trabalhador no Centro.

Verdadeiro — O que o Tarcísio fez foi esconder a poeira por debaixo do tapete. Ele não acabou com nada. Ele só piorou a nossa situação. Estou aqui no Centro, nessa lanchonete, há mais de 20 anos, do lado do DHPP, vem viver aqui pra você, ver? O dia inteiro craqueiro abordando e entrando na minha lanchonete, espantando o cliente. Tarcísio é mentiroso”, disse o gerente da lanchonete Esfiha do Gordo, que fica ao lado do DHPP de São Paulo.

Comerciantes do Centro relatam preocupação com a segurança de funcionários e clientes e convivem com os efeitos econômicos provocados pela deterioração de áreas comerciais.

O problema não é apenas a existência de usuários de drogas. A presença constante de pessoas em situação de vulnerabilidade, associada à insegurança, ao tráfico e à degradação urbana, afeta diretamente o funcionamento do comércio.

Há comerciantes que temem perder clientes, funcionários e o próprio negócio.

A região central, que deveria ser um dos principais polos comerciais e econômicos da cidade, passou a conviver com ruas esvaziadas, estabelecimentos fechados e empresários obrigados a gastar cada vez mais para tentar garantir segurança.

O prejuízo, portanto, não é apenas financeiro.

É também social.

Moradores passaram a conviver com uma sensação permanente de insegurança, enquanto comerciantes precisam administrar uma realidade que não desapareceu simplesmente porque o antigo fluxo deixou de existir no mesmo endereço.

A Cracolândia se espalhou

É justamente nesse ponto que a propaganda de Tarcísio é questionada.

Acabar com um ponto de concentração não significa acabar com a Cracolândia.

O que ocorreu foi a dispersão do problema.

Usuários que antes estavam concentrados em uma determinada área passaram a aparecer em outros pontos do Centro. Com isso, a população que vivia longe do antigo fluxo passou a conviver com uma situação que antes estava territorialmente concentrada.

A consequência foi transformar um problema localizado em uma crise que passou a atingir mais ruas e mais comunidades.

É por isso que moradores e comerciantes questionam a narrativa apresentada pelo governador.

Para eles, a pergunta não é onde está a antiga Cracolândia.

A pergunta é: para onde foram as pessoas que estavam naquele local?

Decisão de Tarcísio piorou a vida no Centro

A estratégia adotada pelo governador também recebe críticas porque teria priorizado a retirada física dos usuários das áreas onde estavam concentrados, sem que isso representasse uma solução definitiva para o problema social e de saúde pública.

Na prática, quem vive no Centro passou a enfrentar uma situação ainda mais espalhada.

O problema deixou de estar concentrado em um único ponto e passou a incomodar diferentes regiões.

Para comerciantes, isso significa lidar com uma área maior afetada pela insegurança.

Para moradores, significa conviver com o problema em locais próximos de suas casas.

E para os próprios dependentes químicos, a dispersão não representa tratamento, recuperação ou reinserção social.

A mudança de endereço não elimina a dependência.

Propaganda apresenta uma realidade diferente

Mesmo diante desse cenário, Tarcísio escolheu colocar o suposto fim da Cracolândia entre os principais feitos apresentados ao eleitor.

Com o maior tempo de propaganda, o governador começou o programa com o jingle que já vinha sendo utilizado em eventos públicos desde o início da campanha. As estrofes destacam a ideia de “obra para todo lado”, seguidas pela apresentação de dois locutores.

Enganoso Tarcísio aparece então como o governador que tenta a reeleição e constrói sua imagem em torno da ideia de gestão e realização.

Enganoso O governador afirma que é um gestor que deseja “deixar legado” e volta a utilizar o mote “coragem para fazer o impossível”, frase que passou a permear sua comunicação política nos últimos meses.

Entre as realizações apresentadas, está justamente a atuação no Centro de São Paulo e o suposto fim da Cracolândia.

Mentiu Mas a propaganda não mostra o outro lado da história: comerciantes assustados, estabelecimentos prejudicados e moradores que continuam convivendo com os efeitos da crise.

Medo e prejuízo para quem trabalha

A indignação de quem mantém um negócio no Centro é compreensível.

Um comerciante não pode simplesmente transferir sua loja toda vez que uma região entra em deterioração.

São anos de investimento, aluguel, funcionários, estoque e clientela construídos ao longo do tempo.

Quando o consumidor deixa de frequentar determinado endereço por medo, o comerciante perde faturamento.

Quando funcionários passam a ter medo de trabalhar, o empresário precisa buscar alternativas.

Quando a segurança deixa de ser uma garantia básica e passa a representar um custo adicional permanente, o negócio começa a perder competitividade.

Verdadeiro O discurso oficial pode falar em “fim da Cracolândia”. O caixa das empresas, porém, não trabalha com propaganda. Trabalha com números.

E para muitos comerciantes do Centro, esses números significam prejuízo.

Haddad aposta em outro discurso

Enquanto Tarcísio utilizou seu primeiro programa para vender a imagem de gestor que “deixa legado”, Fernando Haddad (PT) apresentou ao eleitor sua trajetória como ex-ministro da Fazenda e da Educação.

Haddad também inseriu na propaganda uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual o petista faz elogios ao candidato.

A estratégia é associar Haddad à experiência acumulada em cargos de destaque no governo federal e apresentar sua trajetória como argumento para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Tarcísio, por sua vez, preferiu concentrar a estreia na própria imagem.

A escolha permite ao governador apresentar sua própria gestão sem dividir o protagonismo com o candidato presidencial.

Uma promessa eleitoral difícil de sustentar

A Cracolândia pode ter deixado de existir como aquele grande agrupamento que durante anos ocupou determinadas ruas do Centro.

Mas isso não autoriza afirmar que o problema foi resolvido.

O crack continua sendo consumido. Dependentes continuam nas ruas. O tráfico continua existindo. E comerciantes e moradores continuam pagando a conta da crise.

Ao transformar o “fim da Cracolândia” em uma das vitrines de sua campanha, Tarcísio apresenta ao eleitor uma versão extremamente conveniente de sua gestão.

Para quem vive no Centro, porém, a realidade é outra.

A Cracolândia não simplesmente desapareceu.

Ela se espalhou.

E, para muitos comerciantes e moradores, a decisão de retirar o antigo fluxo sem resolver a causa do problema apenas fez com que uma crise já grave passasse a atingir ainda mais pessoas.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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