O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a Belo Horizonte neste sábado (29) para um ato de campanha voltado ao eleitorado feminino.
No encontro “Mulheres com Lula”, realizado na Serraria Souza Pinto, na região central da capital mineira, Lula defendeu maior participação das mulheres nos espaços de poder e fez um apelo direto para que eleitoras apoiem candidatas nas eleições de 2026.
O evento reuniu ministras do governo federal, senadoras, candidatas de diferentes estados, lideranças políticas e representantes de movimentos sociais. Também participaram a primeira-dama Janja da Silva, o candidato ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias (PT), e as candidatas ao Senado por Minas Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL).
Participação de mulheres em cargos de gestão: estamos com 38%, e é pouco. Precisamos chegar a 50% ou mais”, disse Lula.
Um dos principais pontos do discurso de Lula foi a defesa de uma maior presença feminina no Legislativo. O presidente lembrou que as mulheres são maioria da população brasileira, mas ainda não ocupam uma parcela equivalente das cadeiras no Congresso Nacional.
“Se todas as mulheres votassem em mulheres, teríamos no Congresso uma maioria de mulheres”, afirmou Lula.
O presidente também estendeu o argumento às eleições para o Senado, assembleias legislativas e câmaras municipais.
O encontro em Belo Horizonte foi planejado justamente para aproximar a candidatura de Lula de lideranças femininas e reforçar pautas relacionadas à igualdade de gênero, combate à violência e participação política.
Igualdade também dentro do governo

Durante o discurso, Lula afirmou que a participação feminina precisa avançar não apenas nas urnas e no Congresso, mas também nos espaços de comando e decisão.
O presidente apresentou medidas de seu governo voltadas às mulheres e argumentou que políticas públicas precisam garantir às brasileiras condições para escolher livremente sua profissão, ter acesso à educação e viver sem violência.
Lula citou, entre outras iniciativas, o Pacto Nacional contra o Feminicídio, assinado em 2026, como parte das ações de enfrentamento à violência contra as mulheres.

O presidente também mencionou programas sociais e educacionais nos quais as mulheres representam parcela expressiva dos beneficiários. Segundo os números apresentados por Lula, 84% dos beneficiários do Bolsa Família são mulheres, enquanto elas representam 70% dos beneficiários do Prouni e 70% dos estudantes inscritos no Fies.
Escala 6×1 entra no discurso
Outro tema abordado durante o evento foi a jornada de trabalho. Lula afirmou que o Congresso deverá aprovar, na próxima semana, a proposta que prevê o fim da escala 6×1.
Segundo o presidente, a mudança permitiria que trabalhadores tivessem mais tempo para a vida pessoal e familiar.
“Nós vamos aprovar nesta semana o fim da escala 6×1, para que mulheres e homens tenham mais tempo de cuidar de suas vidas, de cuidar das crianças, de passear e de namorar também”, declarou.
A pauta tem forte relação com a discussão sobre desigualdade de gênero, uma vez que mulheres continuam assumindo parcela significativa das tarefas domésticas e dos cuidados com filhos e familiares.
Janja ganha destaque no encontro
A primeira-dama Janja da Silva também teve participação importante no ato. Um vídeo apresentado durante o evento destacou a defesa de mais dignidade e oportunidades para as mulheres, enquanto Lula voltou a falar sobre a importância da companheira em sua vida.
Durante o discurso, entretanto, o presidente cometeu uma gafe ao mencionar Janja ao se referir à sua primeira esposa, Marisa Letícia, que morreu em 2017. Lula percebeu o equívoco após a reação do público e corrigiu a fala. Em seguida, fez uma homenagem à atual primeira-dama.
O episódio não impediu que o discurso retomasse seu eixo principal: a mobilização das mulheres em torno da campanha pela reeleição.
Palanque feminino

O formato do evento foi deliberadamente marcado pela presença feminina. Lula destacou que, entre os homens que estavam no palanque, ele e Patrus Ananias eram exceções em um espaço formado majoritariamente por mulheres.
“Nunca participei de um evento em que estivesse praticamente só mulheres e que só dois homens falaram: o Patrus e eu”, afirmou o presidente.
A composição do palanque reforçou a estratégia de campanha de apresentar candidaturas femininas associadas ao projeto político de Lula e estimular a presença de mulheres nas eleições proporcionais e majoritárias.
A agenda em Belo Horizonte ocorre em um momento em que as campanhas presidenciais intensificam a busca pelo eleitorado feminino. As mulheres representam 52,8% do eleitorado brasileiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral citados por O TEMPO.
Ao mesmo tempo, adversários também passaram a dedicar espaço específico às eleitoras em seus programas eleitorais. A disputa pelo segmento ganhou ainda mais importância com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão neste sábado.
Minas Gerais no centro da estratégia
A presença de Lula em Belo Horizonte pela segunda vez em apenas oito dias reforça a importância estratégica de Minas Gerais para a campanha presidencial. O estado é um dos maiores colégios eleitorais do país e tradicionalmente ocupa posição central nas disputas nacionais.
O primeiro compromisso havia ocorrido em 21 de agosto, quando Lula participou de um comício na Praça da Estação. Agora, a campanha voltou à capital mineira com uma agenda direcionada especificamente às mulheres.
O ato também serviu para apresentar candidaturas e lideranças locais alinhadas ao projeto de Lula, incluindo Patrus Ananias na disputa pelo governo estadual e Marília Campos e Áurea Carolina nas eleições para o Senado.