A Câmara Municipal de São Paulo deu uma demonstração de força da base governista nesta terça-feira (3). Cinco vereadores se uniram para impedir que Ricardo Nunes (MDB) respondesse a um processo de impeachment na Casa.
Não foi uma decisão tomada pelo conjunto dos vereadores. Foi uma comissão de sete integrantes, dominada por representantes de partidos que apoiam a administração municipal, que decidiu encerrar o caso. Os famosos “amigos” do prefeito.
O mais grave é que a maioria rejeitou até mesmo o pedido de vista apresentado pela oposição. Ou seja: não permitiu mais tempo para examinar o relatório e discutir os elementos da denúncia.
A votação terminou em 5 a 2. Os cinco votos pelo arquivamento foram de Major Palumbo, Rubinho Nunes, Kenji Ito, Dra. Sandra Tadeu e Sandra Santana.
O resultado político é claro: Ricardo Nunes foi protegido pela maioria da comissão e não precisará enfrentar, neste momento, um processo de cassação na Câmara.
Major Palumbo (PP) — o relator que pediu o arquivamento

Marcos das Neves Palumbo
PP — relator da comissão
Foi o responsável por elaborar o parecer que recomendou encerrar o pedido de impeachment.
A ficha pública de Palumbo apresenta um registro que merece atenção:
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Representação eleitoral de 2026: a Procuradoria Regional Eleitoral ajuizou representação contra Palumbo por suposto uso de veículo do Corpo de Bombeiros para exibir bandeiras e faixas de sua candidatura a deputado federal durante uma carreata em 7 de setembro.
Rubinho Nunes (União Brasil) — cassado em primeira instância e condenado a indenizar
União Brasil — presidente da comissão
Conduziu os trabalhos e proclamou o resultado do arquivamento.
Aqui existe um histórico judicial concreto e documentado.
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Processo eleitoral nº 0601229-71.2024.6.26.0001: em maio de 2025, a Justiça Eleitoral de primeira instância cassou seu diploma e o declarou por oito anos após a divulgação de um laudo falso atribuído a Guilherme Boulos.
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Reversão no TRE-SP: em 27 de novembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral reformou a decisão e julgou improcedente a ação por entender que não ficou demonstrada gravidade quantitativa suficiente para caracterizar abuso dos meios de comunicação.
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Indenização a Sâmia Bomfim: em outubro de 2025, a 6ª Turma Recursal Cível do TJ-SP confirmou condenação de Rubinho ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais e à remoção de publicação ofensiva contra a deputada federal.
Há ainda uma investigação policial aberta em 2024, a pedido do Ministério Público, para apurar possível denunciação caluniosa na ofensiva contra o padre Júlio Lancellotti.
Márcio Kenji Ito
Podemos — integrante da comissão
Kenji Ito (Podemos) — registros processuais exigem identificação cuidadosa
O vereador tem formação em Direito e trajetória na Polícia Civil.
Portal da Câmara Municipal de São PauloUma consulta nominal em base de processos apresenta 42 registros associados ao nome Kenji Ito. Entre eles aparecem ações envolvendo dívida ativa, execução fiscal e outras matérias.
Sandra Tadeu (PL) — médica e integrante da maioria
Sandra Regina Carbone Tadeu MudalenPL — integrante da comissão
O que está documentado é seu voto pelo arquivamento da denúncia contra Ricardo Nunes.
Sandra Santana (MDB) — vereadora do partido do prefeito
Sandra Cristina Leite Santana
MDB — partido de Ricardo Nunes
Ricardo Nunes foi salvo na Câmara. Mas a história não termina aqui.
A maioria governista conseguiu impedir que o prefeito enfrentasse um processo de impeachment no Legislativo municipal. Foi uma vitória política de Ricardo Nunes, construída com cinco votos.
Mas o arquivamento na Câmara não equivale a uma declaração de inocência pela Justiça. A apuração de eventuais irregularidades eleitorais pode continuar em outras instâncias.