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DEBATE NA GLOBO: Haddad adota tom mais sensato e coloca Tarcísio sob pressão em temas sensíveis

Política

No início do debate da Globo, governador foi questionado por Haddad sobre feminicídios e respondeu destacando que o problema ocorre em todo o país; dados oficiais mostram que São Paulo registrou aumento no primeiro semestre. Clima azeda nos bastidores após Salles anunciar apoio a Derrite e André do Prado.

Na avaliação de comentaristas e analistas que destacaram a atuação de Haddad, o petista conseguiu apresentar respostas mais estruturadas em alguns dos principais embates da noite e explorou temas nos quais o governador precisou passar boa parte do tempo defendendo o próprio governo.

O primeiro confronto entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) no debate da TV Globo, realizado na noite desta terça-feira (29), começou com uma discussão sobre segurança pública — e colocou o feminicídio entre os principais pontos de tensão entre os candidatos ao governo de São Paulo.

Depois de questionar Tarcísio sobre a atuação de organizações criminosas no estado, Haddad levou para o debate o aumento da violência contra as mulheres e citou os feminicídios entre os problemas enfrentados por São Paulo.

“Nós estamos batendo recorde de feminicídio no estado de São Paulo. Recorde de crimes de natureza racial, recorde de intolerância com a comunidade LGBT. De cada 10 celulares roubados, no Brasil, três são roubados no estado de São Paulo; dois são roubados na cidade de São Paulo, e você está falando que tudo está melhorando. O crime organizado. O PCC se infiltrando nas instituições. Você teve que afastar o comandante que você nomeou.”

Na resposta, Tarcísio afirmou que “a questão do aumento da violência contra a mulher não é uma exclusividade de São Paulo” e que “é uma questão nacional, está acontecendo em todo o Brasil”.

“É uma questão nacional está acontecendo em todo o Brasil. Infiltração do crime tem em todo lugar. Vamos lembrar e a gente está combatendo, a gente está punindo, a gente está aprendendo. Vamos lembrar que recentemente um vereador do PT foi preso para a associação crime por lavar dinheiro numa empresa de ônibus. Isso não está ficando encoberto”, disse.

Saúde

Ainda no primeiro bloco, Tarcísio escolheu abordar o tema da saúde, com foco na situação da Baixada Santista. Haddad aproveitou a discussão para responsabilizar a gestão de Jair Bolsonaro (PL) pela formação de uma demanda reprimida na área da saúde durante a pandemia de Covid-19, que, segundo ele, acabou sendo herdada pelo governo Lula (PT).

“Com a gestão da pandemia que vocês fizeram lá em Brasília, no governo Bolsonaro. Você tem ideia do estoque de procedimentos represados por causa da pior gestão do mundo de uma pandemia que aconteceu aqui? 2,7% da população, 10% das mortes por Covid no mundo”, afirmou Haddad.

Clima azeda nos bastidores

O clima nos bastidores do debate entre os candidatos ao governo de São Paulo ganhou um capítulo à parte antes mesmo do início do confronto.

Enquanto Guilherme Derrite conversava com Ricardo Salles em uma roda de apoiadores, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, que estava próximo ao grupo, se afastou no momento em que Salles se aproximou da conversa.

A cena chamou atenção especialmente pelo momento político em que ocorreu: apenas um dia depois de Ricardo Salles desistir de sua candidatura ao Senado e anunciar apoio justamente a André do Prado e Guilherme Derrite.

Segundo bloco

No bloco de tema livre, Tarcísio escolheu abordar a situação financeira de grandes empresas do varejo e os impactos sobre o mercado de crédito. O governador questionou Haddad sobre a necessidade de um ajuste fiscal no governo federal e perguntou se o candidato aconselharia o presidente Lula (PT) a promover uma mudança de rota na política econômica.

“A gente está tendo um problema no crédito. As empresas estão tendo dificuldades de securitizar as suas dívidas, estão encurtando suas operações de crédito, estão quebrando, estão entrando em recuperação judicial. O que que você tem a falar para os pais de família que estão perdendo seus empregos? Qual é a justificativa? E a pergunta que eu faço é: você acha que o Brasil precisa de ajuste fiscal? Você acha que o Brasil precisa de ajuste de rota?”, questionou Tarcísio.

Haddad desmentiu Tarcísio

Haddad colocou Tarcísio diante de uma resposta que mudou completamente o rumo da discussão. Depois de o governador cobrar do governo Lula um ajuste fiscal, Haddad lembrou que Tarcísio esteve em seu gabinete, em fevereiro de 2023, para cobrar justamente uma dívida deixada pelo governo Jair Bolsonaro.

“Você esteve na minha sala em fevereiro de 2023, cobrando o calote que o Bolsonaro deu no Doria e eu paguei, ao contrário do que o Bolsonaro e o Guedes fizeram. Eu fui lá e paguei porque eu não te discriminei. Eu não deixei você ter que ter uma sentença do Supremo antes de sentença. Eu fui lá, fiz o acordo, falei que era justo e paguei os precatórios.”

Debate percorreu outros temas de São Paulo

Ao longo dos demais blocos, Tarcísio e Haddad também discutiram uma série de temas diretamente relacionados ao estado de São Paulo. Segurança pública, saúde, educação, transporte, privatização da Sabesp, benefícios fiscais e situação das contas públicas estiveram entre os principais assuntos do confronto.

Embora a disputa fosse pelo governo de São Paulo, boa parte do confronto acabou sendo nacionalizada.

O resultado foi um debate de confronto direto, no qual Haddad buscou explorar a gestão de Tarcísio em áreas como segurança, educação e privatizações, enquanto o governador procurou defender os resultados de sua administração e transferir parte da discussão para os governos Lula e Bolsonaro

 

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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