O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (7) do tradicional desfile cívico-militar de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Em uma cerimônia marcada pela presença das principais autoridades dos Três Poderes, o governo colocou a soberania nacional no centro das comemorações pelos 204 anos da Independência do Brasil.
O desfile começou pouco depois das 9h, após a execução do Hino Nacional e a autorização dada pelo general de divisão João Felipe Dias Alves.
A programação reuniu tropas do Exército, da Marinha e da Força Aérea, além de estudantes e representantes de diferentes segmentos da sociedade. A expectativa era de público de aproximadamente 30 mil pessoas.
Na tribuna de autoridades, Lula esteve acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin; do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta; do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre; e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
Também acompanharam a cerimônia ministros do governo federal, entre eles Leonardo Barchini, da Educação; Gustavo Feliciano, do Turismo; Márcia Lopes, das Mulheres; Wolney Queiroz, da Previdência; Dario Durigan, da Fazenda; além do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Soberania como mensagem central

A escolha da soberania nacional como um dos três grandes eixos do desfile não foi casual. O governo também definiu como temas o enfrentamento à violência contra as mulheres e a preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Mas foi a defesa da autonomia brasileira que ganhou maior peso político nas manifestações de Lula em torno do 7 de Setembro.
Na noite anterior, em pronunciamento em cadeia nacional, o presidente afirmou que o Brasil não aceita interferências externas em suas decisões políticas, econômicas e comerciais.
“Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, declarou Lula.
O presidente também afirmou que nenhum governante estrangeiro deve determinar com quem o Brasil pode negociar ou quais parceiros comerciais o país pode escolher.
A mensagem ganhou ainda mais força nesta segunda-feira, quando Lula fez referência aos brasileiros que, embora se apresentem como defensores da pátria, atuariam politicamente em favor de interesses de outros países.
Sem citar nomes, o presidente criticou os chamados “patriotas” que, segundo ele, “militam por interesses estrangeiros” dentro do Brasil.
A declaração foi publicada por Lula nas redes sociais justamente no Dia da Independência.
“Patriotismo” em xeque

O recado coloca uma questão política no centro do 7 de Setembro: afinal, o que significa ser patriota?
Para Lula, defender o Brasil significa colocar os interesses nacionais acima de interesses estrangeiros e preservar a capacidade do país de tomar suas próprias decisões.
A mensagem do presidente ocorre em um momento de forte disputa política e às vésperas das eleições de 2026, quando setores da oposição também utilizam o discurso de patriotismo, as cores da bandeira e a defesa dos símbolos nacionais como elementos de mobilização política.
Enquanto Lula participava do desfile oficial em Brasília, atos de oposição também foram realizados em outras regiões do país. Na capital federal, um ato paralelo reuniu manifestantes bolsonaristas e políticos ligados ao PL, com críticas ao presidente e ao STF.
Em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro programou manifestação na Avenida Paulista para esta segunda-feira.
Um 7 de Setembro em meio à disputa política

A celebração deste ano acontece, portanto, em um ambiente político especialmente tensionado.
De um lado, o governo federal utiliza o 7 de Setembro para apresentar a soberania como valor nacional e defender a autonomia brasileira diante de pressões externas.
De outro, setores da oposição transformam a data em espaço de mobilização contra Lula e contra decisões do Supremo Tribunal Federal.
O desfile oficial, porém, manteve o caráter cívico-militar tradicional, com a participação das Forças Armadas e a presença institucional das principais autoridades da República.
Para Lula, a Independência não dev

e ser apenas uma lembrança histórica de 1822. Deve representar, também, a capacidade do Brasil de controlar suas fronteiras, proteger seu território, administrar seus recursos naturais e definir seus próprios caminhos econômicos e políticos.
Em seu pronunciamento, o presidente resumiu essa visão ao afirmar que um país soberano precisa ser capaz de defender “seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de qualquer interesse estrangeiro”.
O 7 de Setembro de 2026, assim, foi muito além de uma parada militar. Em meio à disputa eleitoral e à crescente polarização política, a Independência virou também palco para uma disputa sobre o próprio significado da palavra patriotismo — e Lula deixou claro qual é a sua definição: patriotismo, para o governo, não combina com a defesa de interesses de outros países contra os interesses do Brasil.