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ABRIU A PORTEIRA? Salles “se vende” a Tarcísio, abandona o Senado e muda de lado por ‘presente’

Política

Ex-ministro que passou a campanha atacando André do Prado e Derrite, agora, pede votos para o mesmo candidato que dizia não representar a direita; decisão foi anunciada ao lado de Tarcísio e expõe a mudança de discurso na reta final. Nos bastidores, Salles "abriu a porteira" pro Tarcísio.

Ricardo Salles faz 'cara de poucos amigos durante coletiva. Expressão do ministro que "abre a porteira para a boiada passar" chama atenção dos jornalistas durante coletiva.

O Radar Brasileiro apurou que Tarcísio de Freitas cancelou a agenda de domingo para convencer Ricardo Salles a desistir da candidatura. Na política, nada é de graça. Sempre alguém fica devendo favores lá na frente. 

Ricardo Salles (Novo) decidiu abandonar a própria candidatura ao Senado por São Paulo e, a apenas seis dias do primeiro turno, passou a pedir votos justamente para dois nomes que disputavam espaço com ele: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (28), em um ato ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Derrite e do próprio André do Prado.

Tarcísio apresentou o movimento como uma forma de concentrar votos do seu campo político nas duas candidaturas ao Senado.

Nos bastidores, Salles é visto como “maria vai com as outras”, é uma expressão popular usada para descrever uma pessoa influenciável, que não tem opinião própria e apenas segue a vontade ou o comportamento da maioria.

Salles chamou a retirada de sua candidatura de uma decisão motivada por um “objetivo maior” e afirmou que diferenças políticas e pessoais deveriam ficar em segundo plano. Na prática, porém, a decisão coloca em evidência uma das maiores mudanças de posição de sua campanha.

De adversário de André do Prado a cabo eleitoral

O fim melancólico de Ricardo Salles. De crítico, a cabo eleitoral: Salles abandona o Senado e agora pede votos para André do Prado

Durante meses, Salles construiu sua candidatura também sobre ataques a André do Prado.

Em julho, por exemplo, o então candidato defendia publicamente que Prado desistisse da disputa pelo Senado. Em entrevista ao SBT News, Salles afirmou que Prado não representava a direita e chegou a dizer que ele não teria “estofo para ser senador”.

A situação ficou ainda mais explícita durante a campanha. Salles chegou a classificar Prado como “marionete do Valdemar Costa Neto” e integrante do Centrão, segundo registros publicados durante a disputa.

Agora, entretanto, o mesmo Ricardo Salles abandonou sua candidatura para apoiar André do Prado.

É uma mudança difícil de ignorar: o político que apresentava Prado como alguém que não deveria representar a direita passou a trabalhar publicamente para elegê-lo ao Senado.

A política do “Maria vai com as outras”?

A sequência de movimentos deixa uma pergunta inevitável sobre a consistência política de Salles.

Primeiro, apresentou-se como candidato ao Senado. Depois, atacou André do Prado e defendeu que ele deixasse a disputa. Também sustentou que sua própria candidatura representava uma direita diferente daquela associada a Prado.

Agora, diante da articulação de Tarcísio, retirou seu nome da disputa e aderiu justamente à chapa formada por Derrite e Prado.

Não é preciso especular sobre suas intenções para identificar a contradição. O discurso mudou — e mudou radicalmente. Se vendeu fácil por apenas uma ligação, nos bastidores. 

A própria justificativa utilizada por Salles revela a mudança. Segundo ele, “questões pessoais” e “opiniões diferentes” ficaram menores diante de um “objetivo maior”.

O problema é que as opiniões que agora ficaram menores foram utilizadas pelo próprio Salles durante a campanha para tentar diferenciar sua candidatura e atacar um de seus atuais aliados.

Até a Justiça Eleitoral entrou no embate

A campanha contra André do Prado também teve outro episódio relevante.

Em setembro, o TRE-SP determinou que Salles retirasse três vídeos publicados contra Prado. Segundo a decisão relatada pela Folha, a Justiça Eleitoral considerou falsas acusações feitas nos vídeos sobre suposta investigação do Gaeco e sobre outro episódio envolvendo um assessor.

O tribunal apontou “falsificação do núcleo essencial da informação” e determinou também multa de R$ 5 mil. Salles contestou a interpretação e afirmou que suas declarações tinham base em processos e reportagens, atribuindo os problemas a imprecisões cronológicas ou terminológicas.

O episódio acrescenta outro elemento à trajetória da campanha: Salles passou boa parte da disputa tentando desqualificar justamente o candidato que, agora, apresenta aos eleitores como alguém que merece seu apoio.

O “objetivo maior” chegou depois da candidatura própria

A explicação oficial para a desistência é a necessidade de evitar a divisão de votos no campo político de Tarcísio. Nos bastidores, é outra coisa. Tarcísio prometeu um “presente” a Salles se caso ele desistisse da candidatura. 

O governador foi direto ao explicar a operação. Segundo Tarcísio, Salles decidiu “dar um passo ao lado” para ajudar a conquistar as duas vagas ao Senado.

O episódio deixa uma marca política importante na campanha de Ricardo Salles: a velocidade com que suas posições podem mudar quando o cenário político se reorganiza.

Salles passou de candidato a adversário de André do Prado para apoiador de André do Prado em poucos meses. Aliás, em poucas horas. Bastou um telefonema para mudar o rumo.

De crítico do acordo político que envolvia Prado para integrante do mesmo arranjo político.

De candidato ao Senado para apoiador de “cordeiro” da chapa construída por Tarcísio.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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