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Alckmin cobra investigação sobre Tarcísio e Banco Master e diz: “Traga a verdade”

Brasil

Vice-presidente afirma que doações de campanha não podem estar vinculadas a benefícios de governo e defende apuração rigorosa sobre as suspeitas que envolvem o governador de São Paulo.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu neste domingo (6) uma investigação sobre a suposta relação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com o escândalo envolvendo o Banco Master.

A declaração coloca pressão sobre o governador paulista em meio às revelações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e às movimentações políticas e financeiras que estão sendo apuradas.

Em entrevista ao Metrópoles, acompanhada pelo Radar Brasileiro, Alckmin afirmou que receber doações eleitorais, dentro da legalidade, não constitui problema.

O ponto central, segundo ele, é descobrir se houve qualquer contrapartida ou benefício concedido pelo poder público em troca desses recursos.

“Não tem problema as pessoas fazerem doações para a campanha; a lei permite, pessoa física, não jurídica. Agora, o que não pode é vincular isso a benefícios de governo, então cabe a investigação”, afirmou Alckmin.

A declaração ocorre depois de uma proposta de delação atribuída a Daniel Vorcaro, na qual o ex-banqueiro teria relatado que R$ 5 milhões destinados às campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, estariam relacionados a uma negociação de propina que envolveria Gilberto Kassab, então integrante do governo paulista e atual presidente do PSD.

Segundo o relato divulgado, seriam R$ 2 milhões destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro.

As acusações, porém, ainda precisam ser comprovadas pelas autoridades. Tarcísio e Kassab negam irregularidades.

Alckmin: investigação precisa esclarecer os fatos

Ao defender a apuração, Alckmin deslocou o debate para aquilo que considera ser a questão central: se houve ou não uma relação entre recursos privados destinados a campanhas eleitorais e decisões tomadas posteriormente pelo governo.

A fala do vice-presidente ocorre em um momento de forte pressão política em torno do caso Master, que já envolve investigações sobre operações financeiras e diferentes personagens do mundo político e empresarial. Em julho, Alckmin havia classificado o caso como grave e defendido que os fatos fossem apurados “doa a quem doer”.

Agora, diante das novas informações envolvendo especificamente Tarcísio, o vice-presidente foi mais direto ao defender a investigação.

O caso coloca sob escrutínio não apenas a origem dos recursos eleitorais, mas também a eventual existência de contrapartidas administrativas, contratos, decisões governamentais ou medidas que possam ter beneficiado interesses ligados ao Banco Master.

É justamente essa conexão que, segundo Alckmin, precisa ser esclarecida pelas autoridades.

O que está em jogo

A eventual comprovação de que uma doação eleitoral teria sido condicionada a uma vantagem oferecida pelo poder público poderia alterar significativamente a natureza do caso.

Por isso, Alckmin defende que a investigação siga seu curso e determine responsabilidades, sem distinção política.

O episódio também amplia a pressão sobre Tarcísio em meio à campanha eleitoral de 2026.

O governador tem negado envolvimento com irregularidades relacionadas ao Banco Master e já defendeu investigações sobre outros personagens citados no caso.

Para Alckmin, entretanto, a questão precisa ser submetida ao escrutínio das autoridades.

A lógica é simples: se as doações foram legais, a investigação deve demonstrar isso; se houve contrapartida envolvendo decisões de governo, os responsáveis precisam responder por isso.

No centro da discussão está, portanto, uma pergunta que agora caberá às autoridades responder: houve apenas uma doação eleitoral ou existiu uma relação entre dinheiro de campanha e decisões do governo de São Paulo?

A investigação, segundo Alckmin, é o caminho para chegar à resposta.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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