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CANAL LIVRE: LULA FALA SOBRE LOBISTAS, LULINHA, VORCARO E DEFENDE REFORMA POLÍTICA

Brasil

Presidente não fugiu de nenhuma pergunta e respondeu tudo aos jornalistas. Lula também falou sobre economia, segurança pública, feminicídio, STF, obras de infraestrutura, indústria, bets e relações com Donald Trump durante entrevista à Band.

Durante a entrevista, Lula defendeu uma ampla reforma política, criticou o atual modelo de financiamento das campanhas, falou sobre a relação com o Congresso Nacional, respondeu a questionamentos sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de apresentar propostas para segurança pública, economia e educação.

A entrevista contou com os jornalistas Fernando Mitre, Rodolfo Schneider, Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. A edição foi transmitida pela BandNews TV e pelas rádios do grupo e chegou à televisão aberta pela Band.

Nossa Senhora Aparecida

– Esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável. Já teve gente da religião evangélica que um dia chutou Nossa Senhora Aparecida – disse, em entrevista à TV Bandeirantes. – Eu quero dizer o seguinte: ela vai ser padroeira do Brasil porque o povo quer e tem fé. Eu respeito a religião evangélica, eu quero que eles respeitem a religião católica, que a católica respeite eles, que respeitem a religião de matriz.

“Você nunca foi lobista?”, questiona Lula a Rodolfo Schneider

Um dos momentos mais importantes da entrevista ocorreu quando Rodolfo Schneider questionou Lula sobre conversas envolvendo um lobista e uma garrafa de uísque.

Lula reagiu com uma pergunta direta ao jornalista:

“Você nunca foi lobista?”

Schneider respondeu:

“Não!”

Na sequência, Lula ironizou:

“Então, o lobista fala bom dia pra você e fala que dormiu pra você.”, deixando Rodolfo completamente desconsertado.

O presidente afirmou que recebe presentes e que, quando recebe bebidas, eventualmente as consome ou dá de presente.

Em outro momento da discussão, Lula questionou os jornalistas sobre a credibilidade de relatos atribuídos a lobistas.

“Você acredita em tudo que lobista fala, Mitre?”

Fernando Mitre respondeu negativamente, sem graça.

Lula então voltou a mencionar a Operação Lava Jato e afirmou que não esqueceu o que chamou de uma das maiores mentiras da imprensa brasileira relacionadas ao então juiz Sergio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol.

Reforma política e fim do fundo eleitoral

A reforma política foi um dos principais temas da entrevista.

Questionado sobre a polarização política no Brasil, Lula afirmou que ela só poderá ser superada, na visão dele, depois de uma mudança nas regras do sistema partidário e eleitoral.

“Vai mudar quando a gente fizer uma reforma política nesse país.”

Segundo o presidente, a reforma deveria criar partidos com programas, bandeiras e compromissos claros com a sociedade.

Lula também criticou o atual sistema partidário e classificou o ambiente político como uma “promiscuidade generalizada”. Para ele, uma reforma política poderia criar condições para uma política “sadia”.

O presidente também mudou sua posição em relação ao financiamento público de campanhas.

“Eu que fui defensor do fundo partidário, eu que fui defensor do fundo eleitoral, hoje eu sou contra.”

Lula afirmou que o modelo atual teria contribuído, na avaliação dele, para distorções na política e defendeu o fim do Fundo Eleitoral.

Ele também criticou o chamado orçamento secreto e afirmou que a reforma enfrenta resistência porque mexe diretamente com interesses de parlamentares e partidos.

“Quando se trata da reforma política, você está mexendo com o interesse pessoal de cada deputado, de cada partido político.”

Lula disse ainda:

“Se eu não fizer, ninguém faz.”

A defesa do fim do Fundo Eleitoral e da reforma política foi antecipada pela própria Band antes da transmissão da entrevista.

Relação com o Congresso

Lula também falou sobre a relação entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Apesar das divergências, afirmou que o governo conseguiu aprovar medidas importantes e citou a PEC da Transição como exemplo de negociação entre os Poderes.

O presidente disse que assumiu o país em uma situação econômica que classificou como difícil e que foram necessárias muitas horas de negociação com deputados e senadores.

Segundo Lula, a relação com o Congresso não significa ausência de divergências, mas demonstra que o governo conseguiu construir acordos para aprovar medidas consideradas prioritárias.

Fiscal, dívida e reservas internacionais

Ao responder sobre a situação fiscal, Lula defendeu os resultados econômicos de seus governos e afirmou que foi o único presidente brasileiro a registrar superávit primário em determinado período de sua gestão.

O presidente também voltou a falar sobre as reservas internacionais acumuladas durante seus primeiros mandatos.

Segundo Lula, o Brasil possui atualmente aproximadamente US$ 370 bilhões em reservas internacionais, que ele classificou como um “colchão” para a economia brasileira. A Band também registrou a declaração de Lula sobre o montante e sua relação com a estratégia de acumulação de reservas iniciada em 2005.

Lula afirmou que pretende reduzir a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), mas disse que não pretende abandonar políticas de aumento real do salário mínimo e de transferência de renda.

“Vou continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação e vamos ajudar os mais pobres.”

Sobre a taxa de juros, Lula afirmou ter confiança no presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e disse acreditar que os juros deverão cair.

O presidente também relacionou o cenário econômico internacional às guerras em andamento, destacando efeitos sobre petróleo, combustíveis e fertilizantes.

Lula desmonta comparação ‘maldosa’ de Oinegue e responde com elegância

Em outro momento da entrevista, Eduardo Oinegue tentou questionar Lula sobre os investimentos e as grandes obras realizadas em governos anteriores.

O presidente, porém, rebateu a comparação de forma direta e lembrou obras de infraestrutura realizadas durante suas gestões, como a transposição do Rio São Francisco e a construção de milhares de quilômetros de adutoras.

A resposta pegou Oinegue de surpresa. O apresentador tentou reorganizar a pergunta e explicar que se referia a obras de energia e infraestrutura de outros períodos, mas acabou tendo de reformular sua colocação diante da resposta de Lula.

Com tranquilidade, o presidente manteve a linha de raciocínio e devolveu a pergunta ao jornalista, destacando que as grandes obras citadas por ele também faziam parte do legado de seus governos.

O momento expôs um contraste no ritmo da entrevista: enquanto Oinegue precisou voltar ao ponto inicial completamente sem graça para esclarecer a pergunta, Lula aproveitou a brecha para apresentar sua própria visão sobre os investimentos realizados durante suas administrações.

O presidente afirmou que grandes projetos de infraestrutura foram executados durante seus governos e citou a Transposição do Rio São Francisco como exemplo.

Lula também mencionou a construção de milhares de quilômetros de adutoras e defendeu novos investimentos em infraestrutura, energia e indústria.

A discussão ocorreu quando Oinegue fazia uma comparação sobre a realização de grandes obras em diferentes governos.

Nova indústria e exploração de riquezas

Lula apresentou ainda uma agenda de reindustrialização do país.

Segundo o presidente, o governo trabalha com investimentos na chamada Nova Indústria Brasil e em setores como medicamentos, petroquímica, construção civil e tecnologia.

Ele defendeu que o Brasil deixe de exportar apenas matérias-primas e passe a agregar valor aos seus recursos naturais.

Lula citou também as chamadas terras raras e afirmou que o país não deveria continuar exportando riquezas minerais sem desenvolver uma cadeia industrial nacional.

O presidente defendeu investimentos em formação profissional e tecnologia e disse que pretende ampliar a rede de institutos federais.

Educação e juventude

Na educação, Lula falou sobre expansão das universidades e dos institutos federais e defendeu a formação profissional de jovens.

Também citou o programa Pé-de-Meia e afirmou que a política não representa apenas uma transferência financeira, mas uma tentativa de manter jovens na escola e apoiar suas famílias.

O presidente afirmou que pretende ampliar o número de institutos federais no país e investir na formação profissional.

Segurança pública e combate ao crime organizado

A segurança pública também ocupou parte importante da entrevista.

Lula afirmou que pretende apresentar uma PEC da Segurança Pública para redefinir responsabilidades entre União, estados e municípios.

Ele defendeu mudanças no sistema penitenciário e falou em transformar unidades prisionais em estabelecimentos de segurança máxima.

O presidente também afirmou que pretende redefinir o papel das guardas municipais.

Outra proposta apresentada foi a criação de uma estrutura federal especializada para atuar contra organizações criminosas.

A Band informou que Lula defendeu uma “polícia especial” e uma atuação federal capaz de intervir em situações envolvendo organizações criminosas.

Lula afirmou ainda que o objetivo deve ser atingir financeiramente as organizações criminosas.

“Nós queremos asfixiar economicamente o crime organizado, porque ele virou uma indústria multinacional.”

PCC, Comando Vermelho e a classificação como terrorismo

Ao falar sobre as facções criminosas, Lula afirmou que não concorda com a forma como o governo de Donald Trump trata a questão.

O presidente disse considerar que PCC e Comando Vermelho exercem uma forma de terror em comunidades, mas diferenciou essa realidade da classificação jurídica de terrorismo adotada pelos Estados Unidos.

Lula também citou a diferença entre terrorismo praticado por grupos e ações de terrorismo de Estado.

Segundo o presidente, a prioridade brasileira deve ser combater financeiramente as organizações criminosas e impedir que elas avancem sobre comunidades, escolas, hospitais e instituições.

Feminicídio e políticas para mulheres

Questionado por Adriana Araújo sobre o pacto de enfrentamento ao feminicídio e o momento em que a iniciativa foi anunciada, Lula respondeu que não trabalha com prazo eleitoral para tratar da questão.

O presidente afirmou que colocou a violência contra as mulheres como uma prioridade pessoal e mencionou a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva no acompanhamento das políticas relacionadas às mulheres.

Lula citou leis, decretos e portarias aprovados pelo governo e afirmou que ainda há muito a fazer.

Entre as medidas citadas, destacou a necessidade de ampliar delegacias especializadas e fortalecer a atuação dos estados.

“As mulheres são prioridade.”

STF: Lula propõe novo modelo para indicação de ministros

Outro ponto de destaque foi a proposta de mudança no processo de escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Atualmente, o presidente indica o nome e o Senado Federal realiza a sabatina e a votação. Lula afirmou que pretende mudar esse modelo caso tenha um novo mandato.

O presidente sugeriu a criação de um conselho formado por representantes de diferentes setores da sociedade para avaliar os nomes antes que sejam encaminhados ao Senado.

Entre as entidades que poderiam participar, Lula citou OAB, CNBB, entidades de juristas, organizações sindicais e empresariais.

Lula também criticou a exposição pública dos ministros e afirmou que considera excessivo o número de entrevistas concedidas por integrantes da Suprema Corte.

Ao explicar sua proposta, afirmou:

“Eu acho que não pode ser só o presidente que indique.”

Segundo ele, o objetivo seria criar um mecanismo que reduza a possibilidade de indicações baseadas exclusivamente na vontade do chefe do Executivo.

Lulinha e Marcola

Um dos momentos mais delicados da entrevista ocorreu quando Lula foi questionado sobre as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Lula afirmou que defende que ambos sejam investigados e disse que, se houver comprovação de irregularidades, os envolvidos deverão responder pelos atos.

Ao mesmo tempo, declarou acreditar na inocência dos dois.

“Se meu filho cometeu erro, tem que pagar.”

Lula também afirmou que não pode controlar a vida pessoal das pessoas que trabalham com ele ou de seus familiares.

Sobre as acusações envolvendo lobistas, o presidente questionou a ausência de provas e afirmou que declarações isoladas não podem ser tratadas como comprovação de crime.

Daniel Vorcaro e o caso envolvendo o sistema previdenciário

Lula também mencionou o empresário Daniel Vorcaro durante a entrevista.

O presidente afirmou estar preocupado com as investigações relacionadas ao empresário e fez referência ao esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do sistema previdenciário.

Segundo Lula, o governo investigou o caso, prendeu envolvidos e recuperou recursos.

Ele afirmou que ninguém está acima da lei e que, caso alguém tenha cometido crime, deverá pagar pelo que fez.

Bets

Lula também defendeu a decisão do governo de endurecer as regras para as apostas online.

O tema ganhou espaço na campanha depois das medidas adotadas pelo governo federal contra o mercado ilegal de bets.

Lula afirmou que considera necessária a atuação do Estado para impedir que as apostas provoquem endividamento e problemas sociais.

O governo anunciou recentemente novas medidas para restringir o funcionamento das plataformas ilegais e estabelecer regras para o saque de valores dos apostadores.

Previdência e mães atípicas

Ao tratar das discussões sobre mudanças previdenciárias, Lula afirmou que não pretende defender cortes de direitos.

O presidente destacou especialmente as chamadas mães atípicas, responsáveis pelos cuidados de filhos com deficiência ou necessidades específicas.

Segundo Lula, o trabalho de cuidado precisa ser reconhecido e as famílias devem receber apoio.

Ele afirmou que a política social precisa ser financiada também por uma maior contribuição dos setores mais ricos da sociedade.

Relação com Donald Trump

Na política internacional, Lula voltou a falar sobre sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O brasileiro afirmou que teve boas conversas pessoais com o presidente norte-americano, apesar das divergências entre os governos.

“Eu me dou bem com o Trump. Toda vez que eu converso com ele, nós nos damos muito bem.”

Na sequência, porém, Lula criticou integrantes do governo norte-americano.

“O problema é que o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim.”

Lula também afirmou que o Brasil poderá utilizar a chamada lei da reciprocidade caso seja necessário responder a medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

“O mundo está acéfalo”

Ao falar sobre a situação internacional, Lula afirmou que o mundo atravessa um período de falta de liderança e criticou a continuidade das guerras.

O presidente disse ter conversado com diversos líderes mundiais e defendeu negociações diplomáticas para encerrar os conflitos.

Segundo Lula, a prioridade deve ser encontrar soluções negociadas para evitar a ampliação dos confrontos e seus impactos econômicos.

Eleição e debate político

Na parte final da entrevista, Lula comentou o ambiente eleitoral e afirmou que considera baixo o nível de parte do debate político brasileiro.

O presidente disse que ocupa simultaneamente a condição de chefe do Executivo e candidato à reeleição.

“Eu sou candidato e sou também presidente da República. Vamos ver o que vai acontecer.”

A entrevista ocorreu uma semana antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro de 2026, em uma etapa decisiva da campanha presidencial.

Ao longo da sabatina, Lula combinou a defesa das ações de seu governo com propostas para um eventual novo mandato, enquanto respondeu a questionamentos sobre economia, segurança, corrupção, instituições, políticas sociais e sua família.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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