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CRISE NA POLÍCIA SP: Presidente de sindicato pede que categoria não vote em Tarcísio de Freitas

Política

Valdir Fernandes, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mogi das Cruzes e Região, critica a política de segurança do governador Tarcísio de Freitas e afirma que promessas de valorização salarial e melhoria das condições de trabalho não foram cumpridas. Em seu apelo, Fernandes convoca policiais civis, militares e penais a cobrarem do governo respostas para as reivindicações das categorias.

O Radar Brasileiro já vem mostrando que as polícias de São Paulo estão completamente rachadas e são contra o governador Tarcísio de Freitas. O governador chegou a mentir sobre aumento salarial e melhores condições de trabalho. Agora, há pouco mais de uma semana para acontecer as eleições, aparece mais um bomba no colo da segurança pública.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mogi das Cruzes e Região, Valdir Fernandes, divulgou um vídeo dirigido aos policiais civis, militares e penais em que critica a gestão do governador Tarcísio de Freitas e faz um apelo para que a categoria não vote pela continuidade do atual governo.

Logo no início da manifestação, Fernandes afirma que as eleições se aproximam e que os profissionais da segurança pública terão um papel importante na escolha do próximo governador de São Paulo.

“As eleições se avizinham e nós temos um papel importante em eleger um novo governador.”

Na sequência, o dirigente sindical direciona as críticas diretamente ao governador Tarcísio de Freitas. Segundo Fernandes, durante a campanha que o levou ao Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio teria prometido avanços tanto na remuneração quanto nas condições de trabalho das forças de segurança.

“O governador Tarcísio de Freitas, há quatro anos, quando eleito, prometeu os melhores salários e as melhores condições de trabalho. Não cumpriu nem uma e nem outra.”

“Delegacias estão caindo aos pedaços”, afirma presidente do sindicato

Fernandes também relata problemas estruturais que, segundo ele, continuam afetando a Polícia Civil paulista.

“Hoje, as delegacias estão caindo aos pedaços, viatura sucateada”, declarou.

A crítica não se limita à infraestrutura. O presidente do sindicato também questiona a evolução salarial dos policiais civis de São Paulo em comparação com outras carreiras policiais do país.

“Nós, policiais civis, estamos entre o vigésimo primeiro e vigésimo terceiro na posição de evolução do Brasil, ou seja, nós estamos entre os piores atrasos do Brasil.”

A posição mencionada por Fernandes é apresentada por ele no vídeo como argumento para sustentar a necessidade de mudança na política salarial da categoria. O dirigente, porém, não apresenta na gravação a fonte ou a metodologia utilizada para chegar às posições citadas.

Sindicato diz não ver perspectiva de aumento

Na avaliação manifestada no vídeo, Fernandes também afirma não enxergar perspectiva de melhora salarial caso Tarcísio permaneça no comando do Estado.

“E não há expectativa, se o governador for eleito, de uma melhoria salarial.”

O discurso então passa a ser um apelo direto aos profissionais da segurança pública.

“Eu peço a toda a família policial: não jogue o seu voto fora.”

Em seguida, Fernandes relaciona diretamente uma eventual reeleição de Tarcísio à continuidade dos problemas salariais que aponta para a categoria.

“Se Tarcísio de Freitas for eleito, nós vamos continuar com as piores evolução do Brasil.”

A manifestação termina com um agradecimento aos policiais que acompanhavam o vídeo.

“Obrigado.”

Apelo envolve policiais civis, militares e penais

Embora seja presidente de uma entidade que representa policiais civis da região de Mogi das Cruzes, Fernandes inicia a manifestação dirigindo-se também a policiais militares e policiais penais.

“Hoje venho falar pra família policial, aos policiais civis, policiais militares e policiais penais.”

O posicionamento transforma a cobrança por salários e condições de trabalho em um tema eleitoral para a categoria e explicita a orientação pessoal do dirigente sindical sobre o voto na disputa pelo governo paulista.

A declaração de Valdir Fernandes ocorre em meio a um ambiente de fortes críticas de entidades policiais ao governo Tarcísio. Em fevereiro de 2026, sindicatos de diferentes carreiras da segurança pública participaram de um protesto em São Paulo contra a política salarial do governo. Durante o ato, manifestantes chegaram a gritar “fora, Tarcísio” e “governador mentiroso”.

A insatisfação também envolve a maneira como o governo apresenta os reajustes concedidos às forças de segurança. O Palácio dos Bandeirantes passou a divulgar que policiais civis e militares acumularam 45,2% de reajuste entre 2022 e 2025. Entidades representativas da categoria, entretanto, contestaram esse número e afirmaram que o percentual inclui o reajuste de 20% concedido em 2022, ainda durante a gestão do então governador João Doria.

Ou seja, a controvérsia não está apenas no percentual, mas na atribuição do resultado. O reajuste de 20% de 2022 foi anunciado por Doria antes de Tarcísio assumir o governo de São Paulo.

A discussão sobre os números ajuda a explicar parte do conflito entre o governo e as entidades representativas. O próprio histórico mostra que não há consenso entre o Executivo e os sindicatos sobre como contabilizar a evolução salarial da categoria.

Foi nesse cenário que Valdir Fernandes decidiu fazer um apelo direto aos policiais. Presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mogi das Cruzes e Região, ele não apenas criticou as condições de trabalho e a política salarial, mas pediu explicitamente que a chamada “família policial” não vote pela continuidade de Tarcísio.

“Eu peço a toda a família policial: não jogue o seu voto fora.”

E completou:

“Se Tarcísio de Freitas for eleito, nós vamos continuar com as piores evolução do Brasil.”

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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