A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta uma crise de comunicação após a circulação de uma notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida.
O episódio colocou a religião no centro da disputa eleitoral e levou o candidato a negar publicamente que pretenda retirar da santa o título de padroeira do Brasil. A campanha também recorreu à Justiça Eleitoral para tentar conter a disseminação do boato.
A declaração feita por Flávio Bolsonaro em 24 de agosto, quando afirmou que, caso seja eleito presidente, um de seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, voltou a causar desgaste para a campanha. A fala, gravada em vídeo e publicada nas redes sociais, ganhou nova repercussão nesta semana em meio à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O episódio coloca novamente no centro do debate a estratégia de comunicação da campanha comandada pelo marqueteiro Duda Lima, que passou a enfrentar o desafio de administrar os efeitos políticos de uma declaração que ultrapassou o campo eleitoral e entrou no debate sobre religião e Estado.
Embora a CNBB não tenha citado nominalmente o candidato, o presidente da entidade, Dom Jaime Spengler, fez um alerta contra a mistura entre religião e política. Ao ser questionado sobre a aproximação entre os dois campos, afirmou que experiências desse tipo ao longo da história “não tiveram resultado positivo”.
O episódio também trouxe de volta à discussão um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, que propôs alterar a legislação para deixar de considerar Nossa Senhora Aparecida como “Padroeira do Brasil” e restringir a referência aos “brasileiros católicos apostólicos romanos”. O PL 2.623/2007 acabou arquivado pela Câmara em 2008.
A AFIRMAÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO:
O que aconteceu na polêmica sobre Nossa Senhora
O rumor começou a circular nas redes sociais com a alegação de que Flávio Bolsonaro apoiaria a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
A informação foi desmentida pelo candidato, e a GloboNews se retratou após uma versão anterior de uma notícia atribuir ao senador uma posição que ele não havia manifestado.
O Radar Brasileiro apurou que aliados de Flávio reconheceram que o episódio provocou impacto negativo na internet, enquanto setores da campanha de Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin exploraram a disputa religiosa.

A campanha de Flávio é marcada por disputas com o STF e por acusações sem provas de adversários sobre o risco de enfraquecimento das instituições.
A religião tem sido um componente importante da mobilização eleitoral bolsonarista. O Radar Brasileiro vem noticiando o crescimento de uma narrativa de conflito religioso em redes evangélicas ligadas ao bolsonarismo.
O episódio de Nossa Senhora Aparecida expôs como a associação entre fé e política pode produzir repercussões eleitorais.
Qual será a participação de padres, pastores e outros líderes religiosos na comunicação eleitoral do candidato?
Como a campanha pretende diferenciar a defesa da liberdade religiosa de ações político-eleitorais direcionadas a comunidades de fé?
Quais medidas serão adotadas para evitar que novas notícias falsas sejam utilizadas para atingir o candidato ou seus adversários?
A crise sobre Nossa Senhora Aparecida se soma a outras controvérsias da campanha de Flávio Bolsonaro, incluindo a investigação do TSE sobre uma rede de publicações no Instagram e a representação da campanha de Lula contra a plataforma TV Celular.
O desmentido sobre Nossa Senhora Aparecida é um fato confirmado. Já a avaliação sobre se a campanha de Flávio conseguirá recuperar a confiança de diferentes grupos religiosos depende de acontecimentos futuros e de como os eleitores interpretarão as declarações e ações do candidato.
Radar Brasileiro acompanha os desdobramentos da campanha presidencial e a relação entre religião, comunicação política e disputa eleitoral.