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EXCLUSIVO: Gestão Tarcísio; Feminicídios batem recorde e explodem no 1º semestre de 2026

Política

São Paulo registrou 151 vítimas de janeiro a julho, contra 153 no mesmo período de 2025; primeiro semestre teve maior número da série histórica e rede de Delegacias da Mulher segue sem atendimento 24 horas na maioria das unidades.

SSP segurou dados e só divulgou após pressão do Radar Brasileiro

O acesso aos números de feminicídio também virou uma batalha por transparência.

O Radar Brasileiro procurou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) para obter os dados atualizados de feminicídios no estado, mas inicialmente não recebeu as informações solicitadas.

A justificativa apresentada pela pasta foi que havia “demanda de campanha”, argumento utilizado para explicar a demora no fornecimento dos dados.

Diante da negativa, o Radar Brasileiro informou à SSP que, caso os números continuassem sendo retidos, procuraria o Ministério Público para questionar a falta de transparência e cobrar o acesso às informações públicas.

Depois da pressão, a Secretaria finalmente disponibilizou os dados.

São Paulo registrou o maior número de feminicídios da história para um primeiro semestre em 2026. Foram 141 ocorrências e 142 mulheres assassinadas entre janeiro e junho, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP).

O número de ocorrências ficou 10% acima do registrado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 128 casos e 129 vítimas.

O cenário ganha peso porque 2025 terminou com o maior número anual de feminicídios já registrado em São Paulo: 266 casos. Em 2024, haviam sido 246.

Agora, em 2026, o estado chega a julho praticamente repetindo o patamar do ano anterior.

151 vítimas em sete meses (2026)

Segundo o monitoramento nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública, São Paulo registrou 151 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, contra 153 no mesmo período de 2025.

São apenas duas mortes de diferença.

O dado mostra que, apesar da forte redução registrada especificamente em julho, o acumulado do ano permanece praticamente no mesmo nível de 2025, que terminou como o pior ano da série histórica paulista.

Em outras palavras: São Paulo chega ao segundo semestre de 2026 carregando praticamente o mesmo número de feminicídios registrado no ano anterior no mesmo período — depois de já ter estabelecido um novo recorde para os seis primeiros meses do ano.

O problema começou antes de julho

A trajetória de 2026 foi especialmente preocupante nos primeiros meses.

De janeiro a junho, foram 141 ocorrências, contra 128 no primeiro semestre de 2025.

O crescimento de 10% ocorreu enquanto outros indicadores gerais de violência apresentavam trajetória diferente. No mesmo semestre, os homicídios dolosos caíram e atingiram o menor patamar da série histórica iniciada em 2001.

O contraste coloca a violência contra a mulher no centro da discussão sobre a política de segurança do governo Tarcísio de Freitas.

O número geral de homicídios pode cair, mas o feminicídio não acompanhou essa trajetória.

2025 já havia sido recorde

Os dados anuais mostram a dimensão do problema.

São Paulo registrou:

  • 2018: 136 feminicídios;
  • 2019: 184;
  • 2020: 179;
  • 2021: 140;
  • 2022: 195;
  • 2023: 221;
  • 2024: 246;
  • 2025: 266 — recorde da série histórica.

Agora, 2026 chega ao sétimo mês com 151 vítimas, praticamente empatado com os 153 registrados no mesmo período de 2025.

Ainda não é possível afirmar que o ano terminará com um novo recorde anual. Mas os números já permitem afirmar que o estado atravessa dois anos consecutivos em patamar extremamente elevado de feminicídios e que 2026 estabeleceu um novo recorde para o primeiro semestre.

Delegacias da Mulher: apenas 20 funcionam 24 horas

A estrutura de atendimento também permanece sob pressão.

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que São Paulo tinha 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) até agosto de 2026.

Mas somente 20 funcionavam 24 horas.

Ou seja, menos de 14% das unidades especializadas ofereciam atendimento ininterrupto.

A demanda, entretanto, é enorme.

As DDMs registraram 183.904 boletins de ocorrência em 2025 e outros 118.012 entre janeiro e agosto de 2026.

São 301.916 registros no período analisado, uma média de aproximadamente 20 boletins de ocorrência por hora.

O levantamento também aponta 120.733 inquéritos instaurados em 2025 e outros 77.316 nos oito primeiros meses de 2026.

O interior concentra o avanço

O problema não está restrito à capital.

O levantamento do Instituto Sou da Paz sobre o primeiro semestre apontou que o crescimento dos feminicídios foi puxado principalmente pelo interior do estado. A entidade afirma que São Paulo registrou crescimento de 70% nos feminicídios quando comparado ao primeiro semestre de 2022.

Enquanto isso, capital e Região Metropolitana apresentaram redução no número de ocorrências no primeiro semestre.

O recorte territorial é importante porque mostra que a discussão sobre atendimento especializado não pode ficar concentrada apenas na cidade de São Paulo.

A cobrança sobre o governo Tarcísio

Os números colocam uma questão objetiva para a gestão estadual.

  • 2025 terminou com recorde histórico de feminicídios.
  • 2026 começou com novo recorde para um primeiro semestre.
  • Em julho, São Paulo chegou a 151 vítimas, contra 153 no mesmo período do ano anterior — praticamente o mesmo patamar.

E, ao mesmo tempo, apenas 20 das 144 Delegacias da Mulher funcionam 24 horas.

A Secretaria da Segurança Pública afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade e destaca a existência de 144 DDMs e 220 Salas DDM para atendimento remoto.

Mas o dado mais duro permanece: a violência letal contra mulheres atingiu em 2026 o maior patamar de um primeiro semestre desde o início da série histórica.

E o estado chega a julho praticamente empatado com o ano que terminou com o maior número de feminicídios já registrado.

O resultado dos próximos cinco meses dirá se 2026 terminará ou não como um novo recorde anual. Mas o alerta já está dado: depois de um 2025 recordista, São Paulo iniciou 2026 com outro recorde — desta vez no primeiro semestre.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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