O candidato do PL estava escalado para uma entrevista ao vivo no Jornal da Record, na noite de sexta-feira (18), mas decidiu não participar. A entrevista teria 30 minutos e seria conduzida pelos jornalistas Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro.
A desistência ocorreu justamente quando a campanha de Flávio passou a enfrentar uma nova onda de questionamentos sobre sua relação com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
E as perguntas não eram difíceis de imaginar.
Por que Flávio Bolsonaro desistiu de encarar a imprensa justamente agora?
Nos últimos dias, vieram à tona novas informações sobre as relações do candidato com pessoas próximas a Vorcaro.
Entre elas está a revelação de que Flávio utilizou, durante a campanha em São Paulo, um apartamento de luxo na Vila Nova Conceição que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro.
O imóvel passou posteriormente para uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, que mantém relação de proximidade com Flávio. Foi nesse apartamento que o candidato ficou durante alguns dias da primeira quinzena de agosto, realizou reuniões de campanha e gravou vídeos para o horário eleitoral.
A história fica ainda mais incômoda porque o imóvel foi comprado por Zettel por R$ 5,5 milhões e posteriormente vendido por R$ 3,5 milhões à empresa ligada a Tomaz, uma diferença de R$ 2 milhões. Zettel e Vorcaro estão presos no âmbito das investigações que envolvem o Banco Master.
E AÍ VEIO A SABATINA
Era nesse cenário que Flávio teria de sentar diante das câmeras e responder perguntas.
Mas não sentou.
A Record confirmou que o candidato decidiu não participar da entrevista. A campanha não apresentou publicamente uma explicação que esclarecesse por que ele desistiu da sabatina.
O episódio acontece depois de uma sequência de revelações envolvendo Flávio e Vorcaro, incluindo mensagens e registros de contato entre os dois.
A Polícia Federal chegou a organizar uma cronologia dos contatos entre Flávio e o ex-banqueiro. O material inclui mensagens, ligações e encontros relacionados, entre outros assuntos, ao projeto cinematográfico “Dark Horse”.
Ou seja: o candidato que pretende ocupar o Palácio do Planalto está sendo confrontado com perguntas sobre uma relação que deixou rastros documentais.
E, quando chegou a hora de enfrentar mais uma entrevista ao vivo, preferiu não aparecer.
O SILÊNCIO VIROU A NOTÍCIA
A tentativa de escapar da sabatina, porém, não fez as perguntas desaparecerem.
Ao contrário.
A imprensa continuou avançando sobre as conexões entre Flávio, Vorcaro, Zettel e Tomaz. A revelação do apartamento colocou um novo elemento na história: o candidato utilizou como base de campanha um imóvel que havia pertencido ao cunhado de Vorcaro.
Não se trata de uma acusação automática de crime. O que existe são fatos que exigem explicações públicas — e que agora permanecem sem resposta diante da desistência da entrevista.
Flávio pode não ter ido à Record.
Mas as perguntas foram.
E estão na imprensa, nos documentos, nas mensagens e nos registros que continuam sendo examinados.
A questão política, portanto, é inevitável: por que abandonar uma entrevista previamente marcada justamente quando a campanha enfrenta uma avalanche de perguntas sobre Daniel Vorcaro e seu círculo de relações?
A campanha de Flávio ainda pode responder.
Até lá, uma coisa é concreta: a sabatina foi cancelada, mas o cerco jornalístico não.