O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, decidiu interromper a agenda de campanha neste sábado (5) para visitar o presidiário Filipe Martins, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro que está preso na cadeia pública de Ponta Grossa, no Paraná.
A visita ocorre em meio à corrida presidencial e chama atenção justamente por representar uma pausa na agenda eleitoral para um encontro com um aliado político que está atrás das grades.
Filipe Martins foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 21 anos de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
A visita de Flávio foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal de Martins. O candidato deverá permanecer na unidade prisional durante o período autorizado para o encontro.
Filipe Martins ocupou o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais durante o governo Jair Bolsonaro e se tornou um dos nomes envolvidos nas investigações sobre a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.
A agenda também contrasta com o discurso de campanha de Flávio, que vem utilizando suas aparições públicas para atacar decisões do STF e defender aliados políticos investigados ou condenados pela Corte.
A visita, portanto, não é apenas um compromisso pessoal. Ela ocorre dentro de um ambiente político no qual a defesa de aliados envolvidos nos processos relacionados à tentativa de golpe continua sendo uma das principais bandeiras do grupo bolsonarista.
A escolha de interromper uma agenda eleitoral para visitar um condenado pela tentativa de golpe expõe, mais uma vez, uma das marcas da campanha de Flávio Bolsonaro: a tentativa de transformar a defesa do legado político e dos aliados de Jair Bolsonaro em um dos principais eixos de sua candidatura à Presidência.
Enquanto outros candidatos concentram o sábado em atos de rua, reuniões políticas e busca por votos, Flávio Bolsonaro estará dentro de uma cadeia pública do Paraná, visitando um dos personagens centrais do núcleo bolsonarista atingido pelas investigações e decisões do Supremo Tribunal Federal.
De discípulo de Olavo de Carvalho a condenado por trama golpista
Filipe Garcia Martins Pereira, atualmente com 38 anos, construiu sua trajetória política dentro da ala ideológica do bolsonarismo.
Natural de Sorocaba (SP), formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), ele chegou ao Palácio do Planalto no início do governo Jair Bolsonaro e rapidamente passou a ocupar uma posição estratégica no entorno presidencial.
Martins tornou-se conhecido por sua proximidade intelectual com Olavo de Carvalho, principal referência ideológica de uma parcela da direita brasileira.
O ex-ajudante de ordens Mauro Cid citou Martins ao tratar de uma minuta que previa medidas para alterar o resultado das eleições. Segundo o relato divulgado pela imprensa, Martins teria levado ao então presidente Jair Bolsonaro uma minuta com propostas relacionadas à convocação de novas eleições e à prisão de adversários.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Filipe Martins a 21 anos e seis meses de prisão por sua participação na trama golpista.
Segundo a acusação acolhida pelo STF, ele integrava o chamado núcleo 2, grupo apontado como responsável por operacionalizar parte das ações destinadas a impedir a posse do presidente eleito.