O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, quer, a todo custo, impedir que Fernando Haddad divulgue na propaganda eleitoral os números reais do reajuste da Sabesp.
O Radar Brasileiro apurou que Tarcísio está irritado e com a sensação que está perdendo voto por causa da Sabesp. A campanha do governador recorreu à Justiça mais uma vez para contestar a publicidade que explora a alta da tarifa e tenta impedir que o tema seja usado contra sua administração.
Na decisão, a juíza auxiliar do TRE-SP Domitila Manssur afirmou que a existência do reajuste é reconhecida pelas próprias partes e pelas autoridades.
Fernando Haddad tinha razão
O motivo é evidente no debate eleitoral: a Sabesp é um dos pontos mais sensíveis da gestão Tarcísio. A privatização foi uma das principais marcas de seu governo e, agora, o preço da água virou munição para a oposição. E, com razão. É fato que o preço da conta de água em São Paulo explodiu.
E existe um número que não pode ser apagado da conta: 6,11%
Tarcísio de Freitas sabe que a Sabesp é um dos maiores problemas eleitorais de sua campanha. E, diante do desgaste provocado pela discussão sobre a privatização e o preço da água, o governador tenta de todas as formas impedir que Fernando Haddad explore o assunto na propaganda eleitoral.

A estratégia já chegou à Justiça. E Tarcísio perdeu feio.
A campanha de Tarcísio recorreu aos tribunais para tentar barrar as peças publicitárias de Haddad que mostram aos eleitores o reajuste da tarifa de água. O objetivo é impedir que a população seja exposta à narrativa de que, depois da privatização da Sabesp, a conta ficou mais cara.
Só que existe um número que a campanha de Tarcísio não consegue esconder: a tarifa da Sabesp sofreu reajuste de 6,11% em janeiro de 2026.
Esse aumento aconteceu. É real. É fato. Não tem como contestar. Está registrado. A tarifa cobrada do consumidor foi reajustada.
O que Tarcísio tenta fazer é transformar uma discussão objetiva sobre o aumento da conta em uma disputa de interpretação.
Sua campanha argumenta que os 6,11% representam apenas uma recomposição inflacionária e, portanto, não deveriam ser apresentados como aumento real.
Mas para o consumidor que recebe a conta em casa, não é bobo. A matemática é muito mais simples: o valor da tarifa aumentou e muito no Estado de São Paulo.
E é exatamente esse fato que Haddad quer mostrar e mostra na propaganda.
Tarcísio sabe onde está o problema

Não é por acaso que o governador está irritado e não esconde de ninguém na cúpula da Campanha.
A privatização da Sabesp foi uma das principais apostas políticas de Tarcísio. E uma das piores também.
O governo vendeu a desestatização como uma transformação histórica, prometendo mais investimentos, eficiência e benefícios para a população. Ele anuncia isso tudo no plano de governo. Mas, na prática, a história é bem diferente. Tem um aumento absurdo que nenhum paulistano esperava.
Agora, em plena disputa eleitoral, a oposição encontrou um ponto extremamente sensível: quanto o paulista está pagando pela água.
Tarcísio sabe que esse assunto está atingindo e desgastando a imagem dele diretamente com o eleitor. Não é uma discussão abstrata sobre mercado financeiro, ações ou governança corporativa. É a conta que chega todos os meses na casa das famílias.
Por isso, quando Fernando Haddad coloca o reajuste de 6,11% na propaganda, a resposta de Tarcísio não é apenas política. É de raiva.
A campanha de Tarcísio tenta retirar a publicidade do ar e impedir que Haddad apresente a verdadeira história sobre privatização da Sabesp.
A tentativa de esconder o número

O problema para Tarcísio é que não se trata de um número inventado pela campanha adversária.
6,11% foi o reajuste aplicado à tarifa da Sabesp em 2026.
A discussão pode ser sobre a natureza do reajuste, sobre inflação, sobre tarifa de equilíbrio ou sobre quanto a conta custaria caso a empresa continuasse estatal.
Mas nada disso muda o fato central: houve reajuste na tarifa paga pelo consumidor.
E é justamente esse número que o governador tenta impedir que seja usado politicamente.
Justiça com mão de ferro em cima de Tarcísio
A Justiça Eleitoral, porém, não comprou a tese da campanha de Tarcísio. O TRE-SP considerou que a discussão está inserida no debate político e que a existência do reajuste é um fato real e objetivo.
Ou seja: Tarcísio pode discordar da forma como Haddad apresenta o assunto. Pode dizer que o reajuste é apenas uma recomposição inflacionária. Pode defender a privatização. Pode mentir igual tem sido feito nas propagandas.
O que ele não consegue fazer é simplesmente apagar o reajuste da realidade. Não consegue esconder o aumento que tem tirado dinheiro do bolso do trabalhador.
A Sabesp virou um problema eleitoral

A tentativa de barrar a propaganda acaba revelando justamente o tamanho do problema.
Se a Sabesp fosse uma questão confortável para o governador, dificilmente a campanha precisaria recorrer repetidamente à Justiça para tentar impedir que o adversário explorasse o assunto.
A verdade é que Tarcísio sabe que a privatização é transformada por Haddad em uma das principais armas eleitorais da campanha.
E Haddad percebeu isso. E, ele está certo!
A estratégia é colocar no horário eleitoral aquilo que chega todos os meses à casa do paulista: a conta de água e o valor que aparece no boleto.
Tarcísio tenta responder dizendo que a tarifa poderia ser ainda maior sem a privatização.
Mas essa não é a pergunta que o consumidor necessariamente está fazendo.
A pergunta é outra:
A conta aumentou ou não aumentou?
A resposta é objetiva: sim, houve reajuste de 6,11% em janeiro de 2026.