A relação entre André Mendonça e a Prefeitura de São Paulo, sob o comando de Ricardo Nunes, precisa ser colocada sob a lupa.
A relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal e Ricardo Nunes ganhou um novo capítulo após a Prefeitura de São Paulo contratar o Instituto Iter, entidade fundada por Mendonça, para capacitar servidores municipais.
Em um dos contratos, a gestão Nunes desembolsou R$ 183 mil para treinar 32 servidores da Guarda Civil Metropolitana. A contratação ocorreu por de licitação, e cada servidor custou R$ 5.700 pelo curso.
A própria Prefeitura confirmou a contratação e afirmou que os valores estavam abaixo dos praticados no mercado.
Mas o episódio não pode ser analisado isoladamente.
Levantamentos publicados em setembro apontam que o Instituto Iter recebeu milhões de reais em contratos com órgãos públicos desde sua criação.
O instituto foi fundado por André Mendonça e, segundo informações divulgadas sobre a entidade, sua família também participou da sociedade.
Mendonça posteriormente anunciou sua saída da sociedade e a transformação do instituto em entidade sem fins lucrativos.
A proximidade política entre Mendonça e Nunes também é pública. Em abril, o prefeito participou da cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo que homenageou o ministro com o Colar de Honra ao Mérito Legislativo.
E a relação não ficou restrita a uma cerimônia oficial. Em setembro, Nunes voltou a demonstrar publicamente seu apoio ao ministro, inclusive organizando a distribuição de camisetas em defesa de Mendonça durante manifestação na Avenida Paulista.
A Prefeitura de Nunes sustenta que os procedimentos foram legais e baseados em critérios técnicos. O Instituto Iter também afirma que suas contratações obedecem à legislação.
A trajetória de Alexandre de Almeida Mendonça dentro da SP Regula avançou rapidamente. Segundo registros publicados no Diário Oficial do Município, ele chegou à agência em fevereiro de 2024, inicialmente como gerente. Apenas cinco meses depois, em julho, assumiu o posto de superintendente. Em junho de 2026, alcançou a Secretaria-Executiva, posição estratégica dentro da estrutura da agência e vinculada ao Gabinete do Prefeito.
A ascensão ocorre enquanto seu irmão, o ministro André Mendonça, participava no Supremo Tribunal Federal de um julgamento diretamente relacionado a uma área regulada pela agência municipal: os serviços funerários e cemiteriais de São Paulo.
O processo foi relatado pelo ministro Flávio Dino, que havia determinado medidas diante dos questionamentos sobre o modelo adotado pela Prefeitura e sobre o aumento dos preços dos serviços após a privatização.
A gestão Ricardo Nunes e as empresas concessionárias recorreram ao Supremo para tentar derrubar essas determinações.
Em março de 2025, Mendonça pediu vista e suspendeu o julgamento. Quando devolveu o processo para análise, apresentou uma posição divergente da adotada por Dino: defendeu que a ação não deveria ser admitida pelo STF e votou também pela derrubada das medidas determinadas pelo relator.
Enquanto isso, o irmão avançava dentro da agência
É nesse contexto que a carreira de Alexandre chama atenção.
Em pouco mais de dois anos, ele deixou o cargo de gerente, alcançou a superintendência e chegou à Secretaria-Executiva da SP Regula.
A estrutura sob influência da Secretaria-Executiva abrange diferentes áreas da agência, inclusive setores relacionados aos serviços funerários e cemiteriais — justamente o segmento envolvido na disputa judicial analisada pelo STF.
Documentos internos da própria SP Regula registram Alexandre, já como secretário-executivo, participando de reuniões com diferentes áreas da agência, inclusive representantes ligados ao setor responsável pelos serviços funerários.