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OPERAÇÃO PCC: Milton Leite, amigo de Tarcísio e Ricardo Nunes e o esquema do Transporte em SP

Brasil

Ex-presidente da Câmara, amigo de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, é alvo de mandado de prisão e aparece em investigação como suposto operador de empresas ligadas à facção; policiais disseram à Justiça Militar que ele seria o dono de fato da Transwolff. O governador chamou o amigo de 'lindão' publicamente durante agenda oficial.

O ex-vereador Milton Leite, amigo do governador Tarcísio de Freitas e também amigo do prefeito Ricardo Nunes, é um dos principais alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira (17) contra uma suposta infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo.

Milton Leite é considerado foragido da justiça. Leite, que presidiu a Câmara Municipal e exerceu forte influência na política paulistana, é alvo de mandado de prisão temporária. A investigação aponta que ele seria o proprietário de fato da Transwolff e que a empresa é usada para lavar dinheiro do PCC – Primeiro Comando da Capital.

A operação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, investiga a suspeita de que o PCC tenha conseguido controlar, direta ou indiretamente, 12 das 22 empresas de ônibus que operam na capital paulista, tudo com a condução de Milton Leite.

O inquérito também apura a utilização das empresas para lavagem de dinheiro, movimentação de recursos e possível financiamento de campanhas políticas.

A dimensão política do caso chama atenção justamente pela trajetória de Milton Leite e por sua proximidade com nomes centrais da política paulista.

Polícia Civil faz buscas na casa do ex-presidente da Câmara de Vereadores de SP, Milton Leite.

Leite mantém durante anos uma relação política estreita e de muita amizade com Ricardo Nunes. O ex-vereador é visto como uma das principais lideranças que deram sustentação ao prefeito na Câmara de Vereadores de SP.

Em outubro de 2024, no dia da votação do primeiro turno da eleição municipal, Milton Leite, Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas estiveram juntos publicamente. Nunes chamou Tarcísio de “grande amigo” durante a votação. E Tarcísio chamou Milton Leite de “Lindão”.

TARCÍSIO DE FREITAS CHAMANDO MILTON LEITE DE “LINDÃO”

“Que o Milton era querido, tudo bem, a gente já sabia. Agora lindão? Mas é o seguinte, estava olhando aqui melhor, Milton, se é pra ganhar o coração do Miltão, é lindo mesmo. No início eu estava meio assim ‘lindão, espera aí’. Não, tá certo, vai ficando simpático ao longo tempo.”

Em seguida, Tarcísio completou:

“Obrigado pelo carinho, a gente fica feliz de ser recebido assim. Para ser recebido assim vale chamar o Miltão de lindo.”

ASSISTA AO VÍDEO: “MILTON É LINDÃO”

A relação de Leite com Tarcísio também é conhecida no meio político. Em 2024, o próprio Milton Leite afirmou que sua relação com o governador era “excelente” e que Tarcísio de se tornou “um grande amigo”.

TARCÍSIO ESTEVE COM MILTON NA AGENDA DE CAMPANHA

No último dia 30, um domingo, Tarcísio participou do evento realizado na zona sul da capital paulista, principal reduto eleitoral da família Leite.

Durante a cerimônia, o governador parabenizou Milton Leite e seus filhos pela atuação e pela condução de políticas públicas na região, reforçando a proximidade política entre os grupos.

“Assim que nós chegamos em São Paulo, nós fomos abraçados por eles, uma parceria enorme, e o tempo todo eu vi a preocupação com as pessoas. Gente que gosta da gente, gente que gosta de vocês”, afirmou Tarcísio, ao destacar a relação com a família Leite.

A declaração expôs publicamente a proximidade política entre o governador e o ex-vereador, que durante anos esteve à frente da Câmara Municipal de São Paulo.

MILTON LEITE, TARCÍSIO E SABESP

A relação política entre Tarcísio de Freitas e Milton Leite ganhou força durante a articulação pela privatização da Sabesp. À frente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite teve papel importante na tramitação e aprovação de medidas relacionadas à desestatização.

O alinhamento entre os dois se tornou público e, em janeiro de 2024, Tarcísio chegou a chamar o então vereador de “lindão” durante um evento na zona sul da capital.

Milton Leite aparece como suposto operador

Segundo a investigação que fundamentou a operação, Milton Leite teria atuação sobre empresas do setor de transporte e seria o “dono de fato” da Transwolff, apesar de não aparecer formalmente como proprietário.

A suspeita se soma a elementos de investigações anteriores envolvendo a empresa. A Transwolff foi alvo da Operação Fim da Linha, em 2024, em investigação sobre suposta lavagem de dinheiro para o PCC.

Documentos citados na investigação também apontam relações entre Leite e policiais militares que atuavam na segurança de dirigentes ligados à empresa. Um dos agentes teria se referido ao ex-vereador como “chefe”.

O Ministério Público já havia solicitado, em 2023, a quebra do sigilo bancário de Milton Leite no contexto das apurações relacionadas à Transwolff.

Ex-vereador foragido disse que vai se apresentar

Milton Leite nega qualquer ligação com o PCC e afirma que nunca foi proprietário da Transwolff.

Em manifestação divulgada nesta quinta-feira, ele disse estar viajando pelo interior de São Paulo e afirmou que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas.

Segundo o ex-vereador, sua relação com o setor de transporte foi institucional e ocorreu, entre outras situações, durante a greve de ônibus de 2019.

A defesa também contesta a interpretação dada pelos investigadores às relações de Leite com integrantes da segurança da Transwolff.

“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, informa Milton no comunicado.

Uma investigação que chega ao núcleo da política paulistana

O impacto da operação ultrapassa o setor de transporte.

Milton Leite foi vereador por sete mandatos e presidiu a Câmara Municipal por vários anos. Mesmo depois de anunciar sua saída da vereança, continuou exercendo influência nas articulações políticas de São Paulo.

Sua proximidade com Ricardo Nunes foi particularmente importante durante a eleição municipal de 2024. Leite participou das articulações que consolidaram o apoio do União Brasil ao prefeito e esteve ao lado de Nunes durante a campanha.

Tarcísio, por sua vez, foi um dos principais apoiadores de Nunes na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Leite também participou desse ambiente político e apareceu ao lado dos dois em eventos públicos.

A operação desta quinta-feira coloca essa rede de relações políticas sob suspeita — não porque a investigação tenha, até o momento, estabelecido responsabilidade criminal de Tarcísio ou Nunes pelos fatos atribuídos a Leite, mas porque o principal alvo político da operação ocupou durante anos posição de interlocução com ambos.

PCC teria ampliado presença no transporte

De acordo com os investigadores, o caso não se limita à Transwolff.

A suspeita é de que integrantes do PCC tenham utilizado empresas, intermediários e pessoas que apareceriam formalmente como proprietárias para ampliar sua influência no sistema de transporte coletivo.

A investigação aponta que 12 das 22 empresas de ônibus da capital estariam sob controle direto ou indireto da organização criminosa. Os investigadores também apuram operações envolvendo compra e venda de ônibus e movimentação de recursos.

Outra frente envolve a possível utilização do dinheiro movimentado pelo esquema para financiar campanhas eleitorais.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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