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OPERAÇÃO PCC: Quem são os amigos de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes presos pela polícia

Brasil

Presidente do Água Santa, Paulo Camarão, candidato do PL Danilo Morgado, ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira e Milton Leite estão entre os alvos da ofensiva que investiga a expansão do PCC no transporte de SP; apuração atinge nomes que circulam no ambiente político de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes.

A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) em São Paulo, atingiu nomes que circulam no ambiente político e empresarial ligado ao governador Tarcísio de Freitas e ao prefeito Ricardo Nunes.

Entre eles estão o candidato a deputado estadual pelo PL Danilo Marco Morgado Silva, preso durante a operação, e Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulo Camarão, presidente do Esporte Clube Água Santa e empresário do setor de transportes, que é alvo de mandado de prisão temporária.

A investigação coloca os dois no mesmo inquérito que mira o ex-vereador Milton Leite, amigos de Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas.

A polícia apura uma suposta estrutura de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus da capital e possíveis conexões entre o crime organizado, empresários, agentes públicos, lobistas com o governo do Estado e campanhas eleitorais.

A referência aos dois governantes Tarcísio e Nunes diz respeito às relações políticas e sociais dos alvos.

Presidente do Água Santa é alvo de prisão

Valter Bispo, da Auto Bless, ao lado do prefeito Ricardo Nunes e de Paulo Korek, da A2 Transportes

 

Paulo Sirqueira Korek Farias, o Paulo Camarão, é apontado pela investigação como empresário ligado ao setor de transporte e gestor de empresas como Translíder e A2 Transportes.

Segundo a decisão judicial e os elementos apresentados pelos investigadores, Korek seria responsável, juntamente com outros envolvidos, por decisões relacionadas à liberação de pagamentos a pessoas apontadas como “laranjas” no esquema investigado.

Paulo Sirqueira Korek Farias é apontado na investigação como “testa de ferro” da organização criminosa no setor de transporte.

O nome de Paulo Korek não é novo no setor. Em 2019 Korek já era identificado como um dos donos da A2 Transportes e presidente do Água Santa.

A Federação Paulista de Futebol também registra Paulo Sirqueira Korek Farias como presidente do Esporte Clube Água Santa.

Danilo Morgado foi preso

O candidato a deputado estadual pelo PL Danilo Marco Morgado Silva foi preso nesta quinta-feira durante a operação.

Cesinha Madureira mantém uma relação próxima com Danilo Morgado, candidato do PL. Os dois integram o mesmo círculo de relações políticas e pessoais e já foram vistos juntos em ocasiões públicas, segundo registros levantados pela reportagem.

A proximidade entre Madureira e Morgado ganha relevância diante da atuação política do candidato e de suas conexões no cenário político paulista.

CESINHA MADUREIRA GRAVA VÍDEO DE ANIVERSÁRIO

Morgado já havia disputado a Prefeitura de Praia Grande e, segundo o Ministério Público, aparece nas investigações relacionadas a uma possível utilização de recursos ilícitos do PCC para financiamento de campanha.

Diálogos extraídos de celulares apreendidos mencionam a campanha de Danilo Morgado e apontam José Ronaldo Alves de Sales, conhecido como “Ronaldo Cuba”, como possível intermediário entre integrantes da organização criminosa e agentes do meio político.

A investigação aponta possível financiamento da campanha de Danilo Morgado com dinheiro ilícito.

Morgado nega as acusações e sua defesa deverá apresentar sua versão sobre os fatos.

O elo com o transporte coletivo

A investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil sustenta que o PCC teria conseguido estabelecer influência sobre 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital paulista.

Segundo os investigadores, a estrutura teria utilizado pessoas interpostas, empresários e empresas para movimentar recursos, inclusive por meio da compra e venda de ônibus.

A operação também investiga a possibilidade de que recursos provenientes do esquema tenham sido utilizados para financiar campanhas eleitorais e estabelecer relações com agentes do meio político.

Entre os nomes atingidos está Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, contra quem foi expedido mandado de prisão temporária.

Milton Leite também está no centro da operação

Milton Leite aparece de forma destacada nos documentos da investigação. Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira e o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) estão entre os alvos de mandos de prisão temporária (prazo de 30 dias).

Outros supostos intermediários de interesses do PCC e advogados também estão na lista das pessoas com prisão decretada. Até o momento, nove suspeitos foram presos.

Segundo trecho da decisão judicial divulgado pelo UOL, o ex-vereador é citado como responsável direto pela operação de empresas que estariam sob controle do PCC. Declarações de policiais militares em procedimento perante o Tribunal de Justiça Militar também apontariam Leite como “dono de fato” da Transwolff.

Leite nega as acusações.

Ex-vereador [Milton Leite] é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC. Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que o mesmo seria o dono de fato da empresa Transwolf – Trecho da decisão assinada pelo magistrado Sergio Ribas, do TJ-SP

Após a operação, ele afirmou que está viajando e que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. O ex-vereador declarou que não está foragido e que provará sua inocência.

Três nomes no mesmo ambiente político

Levi de Oliveira é suspeito de ter se reunido, quando comandava a SPTrans, com um intermediário ligado ao PCC para tratar de interesses da facção relacionados ao setor de transporte público.

Preso na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17), Oliveira ocupou a presidência da empresa em dois períodos. O primeiro ocorreu em 2020, durante a gestão do então prefeito Bruno Covas (PSDB).

Anos depois, retornou ao comando da SPTrans e permaneceu no cargo entre 2022 e 2025, durante a administração de Ricardo Nunes (MDB).

A presença de Milton Leite, Danilo Morgado e Paulo Korek no mesmo contexto investigativo chama atenção também pela circulação dos envolvidos no ambiente político e empresarial de São Paulo.

Milton Leite construiu uma longa trajetória política na capital e manteve proximidade com Ricardo Nunes. Também participou do ambiente político de apoio a Tarcísio de Freitas.

Já Paulo Korek ganhou projeção pública não apenas como empresário do transporte, mas também como dirigente esportivo. Ele preside o Água Santa, clube de Diadema que chegou à final do Campeonato Paulista em 2023.

Danilo Morgado, por sua vez, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PL e teve sua trajetória eleitoral em Praia Grande mencionada diretamente na investigação sobre possível financiamento de campanha.

Uma investigação que mistura transporte, política e dinheiro

A Operação Vectura Corrupta amplia uma investigação que já vinha sendo conduzida pelas autoridades paulistas sobre a presença do PCC no setor de transporte.

O caso agora avança sobre uma possível conexão entre empresas de ônibus, lavagem de dinheiro, empresários, agentes públicos e financiamento eleitoral.

A prisão de Danilo Morgado e os mandados contra Milton Leite e Paulo Korek colocam sob investigação personagens de diferentes áreas — política, transporte e futebol — dentro de uma mesma apuração.

O Ministério Público ainda terá de demonstrar, no curso do processo, a responsabilidade individual de cada investigado e a extensão de suas eventuais relações com a organização criminosa.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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