O Radar Brasileiro mostra a tentativa da Prefeitura de São Paulo de impedir a caminhada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) na Avenida Paulista.
Ricardo Nunes tentou barrar a caminhada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Haddad na Avenida Paulista, marcada para este sábado (3), véspera do primeiro turno das eleições.
Não foi uma tentativa de última hora.
O PT havia informado a Prefeitura de São Paulo previamente sobre a realização do ato. Na quarta-feira, representantes do diretório estadual do partido estiveram na Subprefeitura da Sé para tratar diretamente da organização da caminhada.
E a reunião não aconteceu apenas com funcionários da Prefeitura.
Estavam presentes representantes da Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana, CET e SPTrans, além da estrutura da Subprefeitura. A reunião foi lavrada em ata e registrada, deixando documentadas as tratativas para a realização da caminhada.
Portanto, a Prefeitura sabia do evento. Os órgãos responsáveis pela segurança, trânsito e transporte também sabiam.
Mesmo assim, depois da reunião, Ricardo Nunes mudou o discurso e tentou barrar o ato.
Nunes jogou o TRE-SP no meio da história

A justificativa apresentada pela Prefeitura foi que o TRE-SP teria determinado que a Avenida Paulista não poderia ficar bloqueada nos dias 3 e 4 de outubro.
O argumento, porém, entra em choque com as próprias regras divulgadas pela Justiça Eleitoral.
O TRE-SP afirmou expressamente que caminhadas, carreatas e passeatas podem ser realizadas até as 22h da véspera da eleição.
A orientação oficial do Tribunal não deixa margem para dúvida: candidatos podem participar de passeatas, carreatas e caminhadas no sábado anterior à votação.
Ou seja: não existe uma proibição eleitoral geral de caminhada no sábado.
O que existe é a necessidade de garantir a circulação no domingo de votação.
A própria cobertura do caso mostrou que a publicação oficial usada pela Prefeitura fazia referência aos domingos de votação, enquanto a gestão Nunes estendeu a restrição para o sábado e passou a afirmar que nenhum evento poderia ocorrer na Paulista nos dias 3 e 4.
O prefeito foi avisado. A reunião aconteceu. A ata foi feita.
Esse é um dos pontos mais importantes do episódio.
O PT não apareceu de repente na Paulista.
A campanha comunicou previamente a realização do ato. Depois, na quarta-feira, seus representantes sentaram com os órgãos públicos que teriam de cuidar da operação.
PM.
GCM.
CET.
SPTrans.
Subprefeitura.
Todos na mesma reunião.
E tudo foi registrado em ata.
Segundo o PT, a reunião chegou a resultar na autorização da Subprefeitura para a utilização da avenida no sábado. A informação também foi registrada pela imprensa que acompanhou o caso.
Depois disso, veio a tentativa de barrar a caminhada.
A Prefeitura passou a dizer que nenhum evento poderia ocorrer na Paulista.
E é aí que entra a máquina pública

Ricardo Nunes não é um cidadão comum tentando organizar uma manifestação.
É o prefeito de São Paulo.
Tem sob seu comando uma estrutura gigantesca de servidores, subprefeituras, órgãos de trânsito, transporte, segurança urbana e fiscalização.
Quando o prefeito determina que a Prefeitura impeça a realização de um ato político de um adversário, a questão deixa de ser apenas administrativa.
Passa a ser uma questão eleitoral.
E o contexto político é impossível de ignorar.
Nunes é aliado de Tarcísio de Freitas e mantém proximidade política com Flávio Bolsonaro, justamente dois dos principais adversários do campo político de Lula e Haddad.
A atuação do prefeito, portanto, é alvo de acusação de uso da máquina pública para beneficiar seus aliados políticos e prejudicar seus adversários.
A suspeita ganha ainda mais força política porque a tentativa de barrar ocorre justamente contra um ato de Lula e Haddad na véspera da eleição.
Nunes já apareceu ao lado de Tarcísio em propaganda eleitoral

A relação entre Nunes e Tarcísio não é apenas uma interpretação política.
A Justiça Eleitoral já analisou propaganda de Tarcísio na qual Nunes aparecia por tempo superior ao permitido. O TRE-SP considerou que a participação do prefeito caracterizava apoio político e determinou a suspensão da propaganda; posteriormente, a decisão foi objeto de recurso.
Isso ajuda a contextualizar o episódio atual.
De um lado, Nunes aparece politicamente ao lado de Tarcísio.
Do outro, sua Prefeitura tenta barrar uma caminhada de Lula e Haddad.
E a justificativa utilizada para a proibição é atribuída a uma suposta determinação do TRE-SP que não impede caminhadas no sábado até as 22h.
O Radar Brasileiro procurou a prefeitura de São Paulo e até o momento não responderam aos nossos questionamentos.