“Nunca recebi Vorcaro na minha vida. Minha equipe já havia me alertado de que ele era um problema. Ele não financiou a minha campanha, mas a campanha de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro”, ressaltou Haddad nesta segunda-feira (14), durante entrevista à TV Globo.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (14), durante sabatina no SP1, da TV Globo, que pretende fazer uma ampla revisão dos contratos de concessão, privatização e terceirização firmados durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso seja eleito.
Entre os contratos que deverão passar pelo pente-fino, segundo Haddad, estão os relacionados à Sabesp, às linhas da CPTM e ao sistema de pedágio free flow.
O petista afirmou que o governo não deve simplesmente aceitar os contratos assinados pela administração atual e disse que poderá recorrer à Justiça caso as empresas não cumpram o que considera necessário para atender ao interesse público.
“Os contratos foram mal feitos, da Sabesp, free flow e privatização da CPTM. O papel do governante é rever os contratos, aplicar penalidades. Não deu certo: judicializar e eventualmente romper o contrato”, declarou Haddad durante a entrevista.
A fala representa uma das principais diferenças apresentadas pelo candidato em relação à política de concessões e privatizações do governo Tarcísio. Haddad afirmou que os contratos precisam ser analisados individualmente e que o Estado deve utilizar os instrumentos previstos nos próprios acordos para cobrar resultados das empresas.
Sabesp entra no centro das críticas
A privatização da Sabesp voltou a ser um dos principais alvos de Haddad. O candidato relacionou a necessidade de revisão contratual ao aumento das reclamações de consumidores e a problemas que, segundo ele, passaram a atingir o serviço prestado pela companhia.
Haddad defendeu que uma eventual revisão não significa necessariamente que o Estado conseguirá simplesmente desfazer todas as privatizações.
“Eu como o ministro da fazenda tive que rever vários contratos do então ministro da infraestrutura Tarcísio de Freitas. No único contrato com o vale do Rio doce, nós conseguimos recuperar quatro bilhões de reais para os cofres públicos. Sobre patrocínio do tribunal de contas da união, fizemos um trabalho conjunto. Tem muito contrato aqui que eu vou ter que rever. Primeiro porque o estado tá sem dinheiro, tá com dinheiro em caixa suficiente pra uma semana. Isso não existe. Nós temos que ampliar o caixa do estado cortando contratos de fornecedores, renegociando contratos de fornecedores e também renegociando os contratos de privatização Free flow, CPTM e Sabesp. Eu vou encabeçar uma equipe que vai rever esses contratos, como eu fiz com o ministério da fazenda”, disse Haddad.
A posição é semelhante à apresentada pelo petista em outras sabatinas durante a campanha. Em agosto, Haddad já havia afirmado que faria um “pente-fino” nas contas, contratos e privatizações do Estado e reconhecido que uma eventual reestatização da Sabesp seria juridicamente e financeiramente complexa.
“Como eu fiz lá na fazenda, você chama o concessionário, como eu fiz com a vale, e fala ó, isso aqui não tá certo. Cês estão oferecendo um serviço mais caro, pior quando fornecem água e as queixas do procon estão batendo recordes. Não dá pra ser assim com 1 empresa que sempre funcionou bem. Então nós vamos rever as causas desse contrato e EU vou aplicar penalidades duras quando vocês falharam com a população. Não deu certo”, pontuou Fernando Haddad.
No SP1, porém, o candidato voltou a defender uma postura mais dura diante de contratos considerados prejudiciais ao interesse público.
Haddad fala em recuperar as contas de São Paulo
Outro eixo da entrevista foi a situação fiscal do Estado.
Haddad afirmou que, caso seja eleito, precisará dedicar os primeiros meses do governo à recuperação das finanças estaduais antes de ampliar investimentos. Fernando Haddad afirmou que Tarcísio de Freitas está anunciando obras que nem mesmo saíram do papel.
“O primeiro ano, eu vou ter que fazer uma limpa nos contratos do estado porque o estado ele tá entre aspas meio quebrado do ponto de vista financeiro. O Tarcísio transformou um superávit orçamentário em déficit. Tinha um caixa de vinte e três bilhões de reais que hoje tá em cinco, apesar dele ter vendido a Sabesp abaixo do custo. Eu vou ter que fazer um trabalho de seis meses pra recuperar as finanças do estado. Paralelamente a isso, eu vou reabilitar as santas casas com esses dois projetos, reduzir o juro das dívidas das santas casas e montar uma central de compras que vai me permitir uma economia de um bilhão de reais, abrindo inclusive os leitos. Vou integrar o SAMU né, com os prontos, os prontos atendimentos num painel, e vou mudar o cross. O cross vai passar até uma gestão de fila inteligente com inteligência artificial. No primeiro ano o que tá acontecendo hoje vai inverter. Nós estamos acumulando fila, nós vamos reverter no primeiro ano essa realidade”.
Segundo o candidato, seria necessário um “trabalho de seis meses” para reorganizar as contas e criar espaço para novos investimentos.
Haddad também criticou a situação do caixa estadual. Ele afirmou que o governo Tarcísio teria recebido um Tesouro com aproximadamente R$ 23 bilhões de superávit, enquanto o valor atualmente estaria próximo de R$ 5 bilhões, mesmo depois da venda de ativos públicos.
Na avaliação do petista, três áreas deverão concentrar atenção para recuperar recursos: contratos terceirizados, indenizações relacionadas a concessionárias e privatizações recentes.
Esses três pontos, segundo Haddad, poderiam abrir espaço orçamentário para financiar políticas públicas e investimentos.
Segurança: Haddad promete agência antifacção
Na segurança pública, Haddad voltou a defender a criação de uma agência antifacção, que seria comandada pelo governador e reuniria órgãos estaduais e federais.
O candidato argumentou que o combate ao crime organizado exige integração entre diferentes estruturas de segurança.
Questionado sobre a diferença entre sua proposta e a atual Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), Haddad afirmou que a agência teria uma estrutura de comando diferente e seria diretamente coordenada pelo governador.
“A cooperação entre os governos precisa ser a regra”, afirmou.
Haddad também disse que a estrutura será presidida por ele caso seja eleito e prometeu fazer com que o mecanismo “realmente funcione”.
Inteligência artificial e boletim de ocorrência pelo celular
O candidato também apresentou propostas de modernização da segurança pública.
Haddad defendeu a utilização de tecnologia e inteligência artificial para registrar ocorrências, analisar informações e orientar o patrulhamento policial.
Uma das propostas mencionadas foi permitir que o cidadão registre determinados tipos de boletim de ocorrência diretamente por aplicativo.
A ideia, segundo o petista, seria utilizar os dados registrados para identificar padrões criminais e direcionar policiais para regiões com maior incidência de determinados delitos.
Ao criticar o que considera atraso tecnológico na estrutura paulista, Haddad afirmou que até a Saúde vem sofrendo danos irreversíveis:
“A regulação da fila do SUS no estado de São Paulo tá no tempo do telefone fixo, não tá no tempo da modernidade. Se nós deram, demos um choque de gestão, integrando o SAMU, no qual o governo do estado não põe dinheiro, integrando os leitos hospitalares, fazendo 1 pacto com as santas casas, e EU quero falar depois, se me permitir, das santas casas, porque eu vou renegociar dívidas das santas casas e criar uma central de compras das santas casas pra diminuir os custos das entidades, abrindo espaço orçamentário dentro das santas casas pra atender mais e melhor.”
A proposta faz parte da estratégia do candidato de apresentar a tecnologia como ferramenta para ampliar a capacidade de investigação e melhorar a distribuição do policiamento.
Rejeição aparece na campanha
A entrevista também ocorre em um momento em que a rejeição a Haddad é um dos principais desafios da candidatura petista.
O candidato minimizou os índices de rejeição registrados nas pesquisas e afirmou que a política atualmente enfrenta dificuldades de forma geral.
“Política está difícil para todo mundo”, afirmou Haddad ao comentar sua rejeição em São Paulo.
O desempenho do petista é acompanhado de perto pelo PT porque a eleição paulista também é considerada estratégica para a disputa presidencial e para a formação do palanque de Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do país.
Disputa com Tarcísio
Haddad tem concentrado sua campanha em apresentar uma alternativa ao modelo de gestão implementado por Tarcísio, principalmente nas áreas de privatizações, concessões, segurança e situação fiscal.
Desde antes da campanha oficial, Haddad já afirmava que pretendia revisar contratos firmados durante a administração do atual governador.
Em julho, por exemplo, Haddad declarou que faria em São Paulo processo semelhante ao que, segundo ele, foi realizado pelo governo federal na revisão de contratos de concessão. Na ocasião, citou novamente a Sabesp e as concessões rodoviárias como prioridades.
“Eu prometi entregar três hospitais, três hospitais gerais na cidade de São Paulo. Eu entreguei o de Santa Catarina pronto, eu entreguei toda a obra civil do hospital de aparelhadores, faltava mobiliar, e entreguei as obras iniciadas do hospital de Brasilândia, que ficaram atrasadas por causa do metrô, não foi por causa da prefeitura. O metrô reivindicou aquele espaço e eu tive que mudar o projeto, deslocar o hospital de lugar pra caber a estação do metrô da Brasilândia junto com o hospital geral. Aí o tribunal fala não cumpriu a promessa. Hoje em dia o governador apresenta maquete e diz que comprou, cumpriu promessa. Então cê vê a televisão do Tarcísio, ele já entregou o trem intercidades, ele já entregou o centro administrativo no centro de São Paulo, ele já entregou o túnel Santo Santos Guarujá, quando na verdade essas obras nem começaram”, disse Haddad.
A diferença é que, agora, diante da campanha oficialmente em andamento, o candidato passou a colocar a revisão contratual como uma das principais bandeiras de seu eventual governo.
Roubo de Celulares em SP
Ao abordar os roubos de celulares e as alianças na área de segurança, Haddad afirmou que a Segurança Pública de São Paulo precisa passar por uma modernização tecnológica. O candidato prometeu ampliar o uso de ferramentas digitais para agilizar o registro de ocorrências e o trabalho das polícias. Entre as propostas está a possibilidade de registrar boletins de ocorrência pelo WhatsApp.
“Nós estamos na época do telefone fixo em São Paulo. Não atualizamos, não nos modernizamos. […] Eu quero fazer o B.O. por Zap. Você vai fazer o B.O. da forma mais simplificada e em tempo real”, afirmou o petista.
Educação
“Professor não vai ficar preenchendo plataforma de forma inútil, que levou a esse descalabro das notas do Ensino Médio. Nós vamos fazer concurso, que vão passar por estágio probatório. Professor bom vai ser efetivado e vai ter tempo para planejar sua aula e a relação com cada aluno da sua sala”, afirmou.