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TARCÍSIO É BARRADO NAS COMUNIDADES PARAISÓPOLIS E HELIÓPOLIS EM SP

Política

A cinco dias das eleições, Tarcísio de Freitas enfrenta resistência para entrar em Paraisópolis e Heliópolis, duas das comunidades mais populosas de São Paulo, em meio a críticas de lideranças locais à atuação de seu governo na segurança pública. Em Paraisópolis, moradores e lideranças ainda lembram do episódio de 2022, quando Tarcísio mentiu ao apresentar uma troca de tiros durante uma agenda de campanha como um "atentado", versão que foi posteriormente tratada por sua própria assessoria como um "mal entendido" e que acabou desmentida pelas autoridades de segurança.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria enfrentado resistência de lideranças comunitárias de Paraisópolis e Heliópolis, duas das maiores comunidades da capital paulista, para uma agenda política na semana decisiva das eleições.

Segundo informações relatadas ao Radar Brasileiro, a orientação transmitida pelas lideranças foi para que o governador e seus aliados não comparecessem às comunidades “de jeito nenhum”.

O Radar Brasileiro relembra um atentado que nunca aconteceu quando o então candidato Tarcísio de Freitas tentou usar um tiroteio na comunidade para ganhar votos às vésperas das eleições em 2022.

O recado também teria sido direcionado a Guilherme Derrite, secretário licenciado da Segurança Pública e aliado político de Tarcísio, e ao vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo. De acordo com o relato, a mensagem foi direta: não deveriam pisar nos territórios.

A eventual retirada da agenda, caso confirmada, representaria um episódio politicamente delicado para o governador, especialmente diante das críticas à atuação das forças policiais nas periferias e da relação entre o governo estadual e as comunidades mais vulneráveis da capital.

RESISTÊNCIA À POLÍTICA DE SEGURANÇA

A resistência relatada pelas lideranças estaria relacionada, entre outros fatores, à insatisfação com a atuação policial nas comunidades. A abordagem das forças de segurança, o uso da força e os impactos das operações sobre os moradores .

No caso de Paraisópolis, a relação com Tarcísio também carrega o peso de um episódio ocorrido durante a campanha eleitoral de 2022, quando um tiroteio interrompeu uma atividade do então candidato na comunidade.

O EPISÓDIO DE 2022 LEVANTA QUESTIONAMENTOS

Em 17 de outubro de 2022, durante uma visita de campanha a Paraisópolis, houve uma troca de tiros na região onde Tarcísio de Freitas participava de um evento.

O então candidato permaneceu no local, acompanhado por sua equipe de segurança, e, inicialmente, afirmou que sua campanha havia sido alvo de um ataque criminoso.

O episódio foi amplamente noticiado e publicado com exclusividade pelo jornalista Maicon Mendes e provocou questionamentos sobre a origem dos disparos e as circunstâncias que levaram ao confronto.

Naquele mesmo dia, o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, general João Camilo Pires de Campos, ao vivo, por telefone, afirmou ao jornalista Maicon Mendes, que ainda era prematuro classificar o episódio como um atentado político.

Segundo o secretário, nenhuma hipótese havia sido descartada e a presença de policiais na região poderia ter contribuído para o confronto. A avaliação foi divulgada pela Jovem Pan.

A declaração do secretário contrastava com a interpretação apresentada inicialmente por Tarcísio, que havia atribuído o episódio a um ataque contra sua campanha.

Ao tomar conhecimento do ocorrido por meio do cinegrafista Marcos Vinícius, que acompanhava o então candidato, o apresentador Maicon Mendes, da TV Jovem Pan News, que estava ao vivo à frente do Jornal da Manhã, não tratou o episódio como um atentado. Informou apenas que havia ocorrido uma troca de tiros na comunidade de Paraisópolis, onde estava a comitiva de Tarcísio, e que as informações ainda estavam sendo apuradas.

Durante o intervalo, o jornalista recebeu um vídeo no qual o candidato Tarcísio de Freitas tentava apresentar o episódio como um “atentado”. Na volta do intervalo, Maicon Mendes publicou um áudio e, logo em seguida, exibiu um vídeo no qual um integrante da equipe do candidato exigia que o cinegrafista da Jovem Pan apagasse as imagens do candidato pedindo para tratar o caso como “atentado”.

O vídeo do Tarcísio não seria exibido por uma exigência de Tutinha, dono da emissora.

O cinegrafista da Jovem Pan foi pressionado por um integrante da campanha de Tarcísio de Freitas a apagar as imagens que havia registrado durante a troca de tiros.

“Você filmou os policiais atirando?”, perguntou o representante da campanha ao profissional, em áudio publicado uma semana após o episódio.

“Não, trocando tiro efetivamente, não. Tenho tiro da PM para cima dos caras”, respondeu o cinegrafista.

Na sequência, o integrante da campanha foi direto: “Você tem que apagar”.

A equipe de Tarcísio afirmou que a solicitação tinha como objetivo evitar a exposição de pessoas que estavam no local, negando qualquer tentativa de impedir o trabalho jornalístico.

Ainda durante o intervalo, o diretor de Jornalismo da Jovem Pan, Carlos Aros, entrou no estúdio e orientou que o caso fosse tratado como “atentado”. Maicon Mendes, no entanto, pediu prudência e apresentou ao diretor o vídeo em que Tarcísio de Freitas tentava caracterizar o episódio como um “atentado”.

Na volta do Jornal da Manhã, ao vivo, o apresentador entrou em contato com a assessoria do candidato e fez uma pergunta diretamente a Tarcísio:

“Vocês vão continuar a mentindo sobre o atentado ou podemos colocar o vídeo do candidato pedindo pra jogar isso na imprensa para parecer um atentado? Isso é prudente candidato fazer com que o caso se transforme num atentado, sabendo que isso não existiu?”, disse Maicon Mendes.

A assessoria do candidato, então, recuou e afirmou que o suposto atentado havia sido um “mal entendido”, além de pedir que o vídeo não fosse exibido.

Duas semanas depois, o cinegrafista Marcos Vinícius acabou demitido da emissora. Segundo o relato, a decisão teria ocorrido a pedido da cúpula ligada à campanha de Tarcísio de Freitas. Maicon Mendes também foi retirado da apresentação do programa, em um episódio que o jornalista posteriormente classificou como uma forma de retaliação.

O jornalista também teria sido seguido durante semanas por integrantes da equipe do candidato ao governo paulista. A possibilidade de demissão chegou a ser discutida internamente, mas, segundo a direção da emissora, a medida não teria sido adotada naquele momento porque iria “cair muito mal na campanha de Tarcísio”.

Maicon Mendes foi demitido da emissora a mando da cúpula de Tarcísio de Freitas, exatamente, um dia após as eleições.

A Folha de São Paulo publicou reportagem.

O episódio deixou, portanto, um registro público de divergências em torno da caracterização do ocorrido e da atuação da equipe de campanha de Tarcísio de Freitas, especialmente diante da tentativa de apresentar a troca de tiros como um “atentado” em um contexto eleitoral.

DERRITE E MELLO ARAÚJO NA LISTA DE RESTRIÇÕES

A resistência relatada não se limitaria ao governador. Derrite, que esteve à frente da política de Segurança Pública do estado, e o vice-prefeito Mello Araújo também teriam sido mencionados pelas lideranças como pessoas cuja presença não seria desejada.

Paraisópolis e Heliópolis têm grande relevância social e eleitoral na capital paulista.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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