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TRE-SP veta propaganda de Tarcísio com Ricardo Nunes e manda retirar peça do ar

Política

Tribunal Eleitoral entendeu que prefeito de São Paulo atuou como apoiador do governador e ultrapassou o limite permitido pela legislação; campanha de Tarcísio anunciou que vai recorrer.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a suspensão de uma propaganda eleitoral de 30 segundos da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo paulista, que contava com a participação do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

A decisão foi tomada por maioria e considerou que Nunes não participou apenas como interlocutor da peça, mas atuou como apoiador da candidatura de Tarcísio.

Com esse enquadramento, a legislação eleitoral estabelece que sua participação poderia ocupar, no máximo, 25% do tempo total da propaganda.

No vídeo de 30 segundos, porém, Nunes aparece falando durante aproximadamente 14 segundos — quase o dobro do limite considerado permitido pelo tribunal. Para o TRE-SP, portanto, houve extrapolação do tempo destinado à participação de um apoiador.

Justiça manda emissoras interromperem veiculação

A decisão foi tomada após recurso apresentado pela coligação “Desperta São Paulo”, formada por PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) e Federação PSol/REDE.

Além de proibir a divulgação da peça, o TRE-SP determinou que as emissoras de televisão interrompessem a transmissão do material eleitoral.

A controvérsia está justamente na função desempenhada por Nunes dentro do vídeo. A campanha de Tarcísio sustentou que o prefeito não fez um pedido de voto nem declarou expressamente apoio ao governador e que a participação ocorreu em um contexto de parceria administrativa e prestação de contas.

Propaganda destacava parceria entre Prefeitura e Estado

A peça eleitoral apresentava ações realizadas em conjunto pela Prefeitura de São Paulo e pelo governo estadual. Entre os programas mencionados estavam o Pode Entrar e o Casa Paulista.

A avaliação do tribunal foi de que a presença do prefeito, associada à divulgação dessas realizações, não poderia ser tratada simplesmente como uma participação neutra. A Justiça Eleitoral considerou que a aparição tinha potencial para transferir prestígio político a Tarcísio.

A decisão ocorre justamente na reta final do primeiro turno das eleições de 2026. De acordo com o calendário eleitoral do TRE-SP, a propaganda eleitoral passou a ser permitida a partir de 26 de setembro, enquanto o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Campanha de Tarcísio vai recorrer

Em nota, a defesa de Tarcísio afirmou que a campanha pretende recorrer da decisão.

Segundo a campanha, uma decisão anterior do próprio TRE-SP havia considerado regular a propaganda. A defesa também citou votos divergentes no julgamento e sustentou que o vídeo mostrava Tarcísio e Nunes em um contexto de parceria e prestação de contas, sem pedido de voto ou declaração expressa de apoio.

A campanha afirmou:

“A campanha irá recorrer dessa decisão.”

A assessoria de Ricardo Nunes foi procurada pela reportagem, mas não havia respondido até a publicação.

O episódio acrescenta uma nova disputa judicial à reta final da campanha ao governo de São Paulo e coloca sob análise da Justiça Eleitoral a forma como candidatos podem utilizar a participação de autoridades e aliados em suas inserções de televisão.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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