A invasão do imóvel apontado como escritório político ligado ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (21).

O Radar Brasileiro apurou que, durante a perícia realizada no endereço, foram localizadas cópias autenticadas do RG e da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Milton Leite, além de cartões bancários em nome do político.
“Encontramos muita coisa ligada ao Milton Leite. Maicon, tinha desde cartões bancários, documentos como RGs, boletos com o nome dele. Muita coisa que vai servir de base-chave pra investigação”, disse um dos investigadores.
Os documentos foram encontrados no imóvel invadido na noite de domingo (20), em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, apenas dois dias depois de Milton Leite se entregar à Polícia Civil no âmbito da Operação Vectura Corrupta, investigação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital.

O Radar Brasileiro mostrou que o “Furto do HD das câmeras é ocultação de provas”.
A existência dos documentos é relevante porque reforça a ligação material de Milton Leite com o endereço.
Segundo informações divulgadas no boletim de ocorrência, os policiais encontraram uma carteira contendo quatro cartões bancários do ex-vereador e uma cópia autenticada de sua CNH.
Também foi localizada uma cópia autenticada do RG.
O imóvel fica na Rua General Bráulio Guimarães, em Santo Amaro. Segundo a defesa de Milton Leite, o endereço estaria ligado a um construtor que mantém relação com o ex-vereador.
O local, entretanto, é tratado nas investigações e nas reportagens sobre o caso como um espaço utilizado como escritório político de Leite.

O que os criminosos levaram

O ponto que mais chamou a atenção dos investigadores foi a natureza dos objetos retirados do imóvel.
Os invasores levaram documentos e, principalmente, o DVR/HD responsável pelo armazenamento das imagens do sistema de câmeras de segurança.
Ao mesmo tempo, deixaram no imóvel aproximadamente R$ 19 mil em dinheiro. A quantia encontrada pela polícia foi de R$ 19.261, segundo informações divulgadas sobre a ocorrência.
A circunstância passou a ser investigada pela Polícia Civil.
Segundo reportagem do UOL, investigadores apuram se o furto pode ter alguma relação com a investigação que levou Milton Leite à prisão. A hipótese ainda está em apuração e não foi apresentada como conclusão da polícia. O fato de os criminosos terem levado o equipamento com as imagens e deixado dinheiro no local chamou a atenção dos investigadores.
O caso foi registrado no 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.
Lista com nomes e valores

Outro elemento encontrado pela perícia amplia a importância da investigação.
Peritos da Polícia Científica localizaram no imóvel uma lista com nomes e valores.
Até o momento, não há informação pública que permita afirmar, apenas pela existência da lista, qual era sua finalidade, a quem pertenciam os nomes ou a origem dos valores anotados.
O material, portanto, passa a integrar o conjunto de elementos que poderá ser analisado pela investigação para determinar a função daquele escritório e eventual relação com outras pessoas ou operações financeiras.
Esse cuidado é importante porque a simples presença de uma lista com nomes e valores não comprova, por si só, pagamento ilegal, financiamento de campanha ou qualquer outro crime. A identificação do conteúdo dependerá da análise policial.
Um furto em momento especialmente sensível
A invasão aconteceu em um momento particularmente delicado para Milton Leite.
O ex-vereador foi preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo de São Paulo, incluindo acusações relacionadas a lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes em licitações e financiamento político.
Segundo as investigações divulgadas até agora, Milton Leite é apontado como suposto proprietário de fato da empresa de ônibus Transwolff. Ele nega as acusações e sustenta que sua relação com o setor de transporte era institucional. A empresa também nega vínculo societário com o ex-vereador.
A operação resultou em mandados de prisão e busca e apreensão contra diversos investigados. O endereço posteriormente invadido, porém, não estava entre os locais que foram alvo dos mandados da Operação Vectura Corrupta, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira.
Essa circunstância também entrou no radar dos investigadores: o imóvel não havia sido vasculhado pela operação e acabou sendo invadido três dias depois da deflagração da investigação.
O que ficou para trás
A sequência dos acontecimentos chama atenção:
- documentos pessoais de Milton Leite foram encontrados no endereço;
- havia cópias autenticadas de seu RG e de sua CNH;
- quatro cartões bancários em nome do ex-vereador foram localizados;
- peritos encontraram uma lista com nomes e valores;
- um celular e um chip também foram encontrados;
- aproximadamente R$ 19,2 mil em espécie permaneceram no imóvel;
- enquanto isso, documentos e o equipamento que armazenava as imagens das câmeras foram levados.
A Polícia Civil agora precisa estabelecer se os objetos furtados têm relação apenas com um crime patrimonial ou se a invasão pode estar conectada ao contexto da investigação que envolve Milton Leite.
Câmeras podem ser peça-chave
O desaparecimento do sistema de armazenamento das câmeras representa outro ponto sensível.
As imagens poderiam ajudar a esclarecer quem entrou no imóvel, quanto tempo permaneceu no local, quais ambientes foram acessados e quais objetos foram retirados.
Uma câmera externa chegou a registrar a fuga dos suspeitos. Segundo as informações divulgadas, eles deixaram o local em um Hyundai HB20 branco, enquanto testemunhas relataram ter visto movimentação de mais de uma pessoa durante a invasão.
Com a prisão de Milton Leite e a investigação sobre sua suposta relação com o esquema envolvendo empresas de transporte, a identificação dos responsáveis pelo furto passou a ter importância adicional.
O Radar Brasileiro acompanha o caso
A apuração continua e deverá avançar com a análise dos documentos encontrados, da lista com nomes e valores, dos cartões localizados no imóvel, das imagens que eventualmente tenham sido preservadas fora do equipamento levado e dos demais elementos recolhidos pela perícia.
Até o momento, os elementos disponíveis comprovam a presença de documentos pessoais de Milton Leite no endereço e o furto do equipamento de armazenamento das câmeras. A eventual relação entre a invasão e a investigação sobre o PCC ainda depende da apuração policial.