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EXCLUSIVO II: Andrea Lima Novaes, a coringa de Augusto Lima que sacramentou o Credcesta na gestão Tarcísio

Política

O Radar Brasileiro identificou a trajetória de Andréa Lima Novaes, personagem pouco conhecida do público, mas peça-chave que aparece no cruzamento entre a PKL One, o Credcesta e o grupo empresarial de Augusto Lima. Ex-diretora da companhia ligada ao consignado de servidores públicos, Andréa também mantém vínculo com a Terra Firme e passou a integrar o radar da Polícia Federal nas investigações sobre o núcleo empresarial relacionado ao Banco Master. A mando de Augusto Lima, Andrea Lima Novaes trocou de posição de liderança 28 dias depois da operação da Polícia Federal que colocou a estrutura de Andréa e da PKL sob suspeita.

Andréa Lima Novaes ocupa uma posição estratégica no quebra-cabeça que envolve o Credcesta, a PKL One, o empresário Augusto Ferreira Lima e a estrutura empresarial que se expandiu em torno do ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Durante anos, ela esteve à frente da PKL One Participações S.A., empresa associada ao Credcesta, e posteriormente passou a aparecer profissionalmente vinculada ao Grupo Terra Firme, outro núcleo empresarial ligado a Augusto Lima.

A trajetória ganhou novo peso depois que a Polícia Federal incluiu Andréa entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Em junho de 2026, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na PKL One e na Terra Firme da Bahia. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A própria documentação judicial coloca Andréa no centro dessa estrutura. Na Petição 16.229, ela é descrita como prima de Augusto Lima, diretora da PKL One e vinculada profissionalmente à Terra Firme.

O documento também registra que a PKL One teria realizado uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, operação que integra o eixo investigado pelas autoridades.

O ponto que chama atenção é justamente a posição ocupada por Andréa dentro desse sistema empresarial.

O documento prova que Andrea Lima era diretora-presidente da PKL One.

Uma trajetória profissional investigada pela PF

A imagem pública atual de Andréa é muito diferente daquela revelada pelos documentos da investigação.

Em seu perfil profissional, ela aparece vinculada ao Grupo Terra Firme, mas a trajetória relacionada à PKL One não ocupa o mesmo espaço. Ela simplesmente ocultou na página do Linkedin e omitiu que foi diretora da PKL One.

Apesar dela entender que isso não seria relevante, a Polícia Federal pensou de outra forma, que havia algo sim e muito estranho envolvendo a participação de Andrea Lima no esquema. 

Sua relação com a PKL One é antiga, segundo a Polícia Federal. Andréa atuava como representante formal do Credcesta desde a criação do negócio, em 2018, e que também possuía destaque na estrutura da Terra Firme. Era ela quem fazia as visitas pertinentes no governo paulista.

Andréa era uma integrante da estrutura empresarial ligada a Augusto Lima e responsável pela PKL One.

Ou seja: a passagem pela PKL One não aparece como um episódio secundário de sua carreira. Ela esteve diretamente associada à empresa que operava o Credcesta.

A mulher entre a PKL e a Terra Firme

É justamente essa dupla conexão que transforma Andréa em uma personagem importante da investigação. Ela é vista como a “Faz Tudo” de Augusto Lima. Para a Polícia Federal, é quem faz o serviço oculto e suspeito entre as empresas que operam o Credcesta.

Banqueiro Augusto Lima, foi alvo da operação da Polícia Federal.

De um lado estava a PKL One, associada ao Credcesta e aos convênios de crédito consignado com servidores públicos. De outro, a Terra Firme, estrutura empresarial fundada e controlada por Augusto Lima, que mantinha diferentes atividades de suporte e prestação de serviços.

A documentação do STF registra expressamente os dois vínculos: Andréa é apontada como diretora da PKL One e como profissional ligada à Terra Firme.

Só que ela oculta a PKL One da trajetória profissional justamente pra ninguém saber da relação dela com os serviços suspeitos.

A Terra Firme da Bahia, por sua vez, possui entre suas atividades registradas consultoria em gestão empresarial, correspondência financeira, intermediação de negócios, cobrança, teleatendimento e fornecimento de recursos humanos.

A empresa também aparece em documentos fiscais antigos envolvendo contratos de prestação de serviços com entidades privadas. Em acórdão do CARF, há uma análise de cinco empresas do Grupo Terra Firme e de pagamentos por serviços prestados, com críticas da fiscalização sobre os valores e a estrutura das operações.

Isso não permite afirmar, sem documentação específica, que a Terra Firme tenha “ocultado” contratos com governos. Mas demonstra que sua estrutura empresarial já era utilizada para prestação de serviços e merece ser examinada dentro da investigação sobre as conexões entre público e privado.

A PF entrou na PKL e na Terra Firme

Evento ‘Diálogos Esfera NY – Conectando oportunidades, construindo o futuro’, realizado em 13 de maio de 2024, em Nova York.

A conexão deixou de ser apenas societária quando a Polícia Federal chegou às duas empresas.

Em 18 de junho de 2026, a PF cumpriu buscas na Terra Firme da Bahia e na PKL One. A Folha informou que as duas empresas estavam entre os empreendimentos ligados a Augusto Lima e que a operação buscava ampliar a investigação sobre conexões do Banco Master para outros estados.

A PF também incluiu Andréa entre as pessoas submetidas às medidas determinadas judicialmente.

Segundo a decisão reproduzida na Petição 16.229, sua inclusão estava relacionada à necessidade de impedir articulações envolvendo o eixo de pagamentos à BN Financeira e estruturas empresariais ligadas ao núcleo de Augusto Lima.

A documentação judicial, portanto, não trata Andréa como uma funcionária distante. Ela aparece como uma pessoa de ligação entre diferentes estruturas empresariais do grupo.

E onde entra São Paulo?

É nesse ponto que a história do Credcesta ganha uma nova dimensão.

O Radar Brasileiro apurou que Augusto Lima esteve no Palácio dos Bandeirantes em diferentes ocasiões durante o período em que a continuidade do Credcesta em São Paulo estava em jogo.

O levantamento identificou, entre outros registros, reuniões em 2 de março de 2023 e 21 de março de 2023, envolvendo integrantes do governo paulista e pessoas ligadas ao ambiente empresarial do Master. Segundo a apuração publicada pelo Radar Brasileiro, uma fonte com acesso às agendas do governador e de secretários confirmou a presença de Augusto Lima em reuniões no Palácio.

O próprio histórico oficial mostra que a PKL One já havia obtido, em 25 de maio de 2022, o credenciamento no Sistema de Consignação em Folha de Pagamento do Estado de São Paulo, ainda antes da posse de Tarcísio de Freitas.

quem atuou para garantir a permanência e a expansão do negócio dentro da nova administração?

E é justamente nesse contexto que a presença de Augusto Lima no Palácio ganha relevância.

Andréa estava nas reuniões?

Andrea Lima Novaes e Marise Chastinet em evento de 173 anos da JUCEB

Sim, estava. Andréa Lima Novaes era a personagem ocultada nas reuniões, a mando de Augusto Lima. O Radar Brasileiro obteve informações das participações de Andrea Lima Novaes em reuniões de 2 e 21 de março de 2023 no Palácio dos Bandeirantes.

Ela ocupava posição central na empresa associada ao Credcesta e mantinha vínculo profissional com a Terra Firme, enquanto Augusto Lima aparecia nas articulações políticas e empresariais relacionadas ao negócio.

A pergunta, portanto, permanece aberta:

A “coringa” de Augusto Lima

Dentro dessa estrutura, Andréa aparece como uma personagem particularmente sensível porque transitava entre dois mundos.

Era representante formal de uma empresa ligada diretamente ao Credcesta e, simultaneamente, possuía vínculo com a Terra Firme, estrutura empresarial de Augusto Lima.

É por isso que sua trajetória ganha importância na reconstrução das conexões do grupo.

A saída da PKL

O registro cadastral mais recente encontrado para a PKL One indica que, em julho de 2026, Marcelo Antonio Bullos Cerqueira passou a figurar como diretor, substituindo Andréa.

A mudança é objetiva.

Andréa Lima Novaes esteve durante anos ligada à PKL One, empresa associada ao Credcesta. Depois, passou a aparecer vinculada à Terra Firme, empresa de Augusto Lima. A PF realizou buscas nas duas companhias. A decisão judicial do STF explicitamente conectou Andréa ao núcleo empresarial de Augusto.

A mudança ocorreu 28 dias depois da operação da Polícia Federal que colocou a estrutura de Andréa e da PKL sob suspeita.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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