O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) cometeu uma gafe durante a sabatina do Jornal Nacional, nesta segunda-feira (24), ao responder sobre as políticas de combate à violência contra as mulheres. Ao ser questionado pela jornalista Renata Vasconcellos sobre quais compromissos assumiria diante dos casos de feminicídio, Zema afirmou que possui “uma série de programas contra as mulheres”.
A frase chamou atenção imediatamente porque, pelo contexto da resposta, Zema aparentemente pretendia dizer que possui programas contra a violência contra as mulheres. Na sequência, ele passou a listar medidas que pretende adotar para enfrentar o problema.
“Eu tenho uma série de programas contra as mulheres”, afirmou Zema, antes de apresentar suas propostas.
Na sequência, o candidato citou a ampliação de delegacias especializadas, o uso de tornozeleiras eletrônicas por homens submetidos a medidas protetivas e ações de conscientização nas escolas.
A formulação correta, portanto, seria algo como “programas contra a violência contra as mulheres”.
A gafe ganhou ainda mais repercussão porque ocorreu justamente durante uma pergunta sobre feminicídio e violência de gênero, tema que exige respostas objetivas e cuidadosas de candidatos à Presidência.
Fala ocorre após histórico de declarações sobre mulheres
A declaração também foi associada nas redes sociais a outras falas recentes de Zema sobre políticas públicas voltadas às mulheres.
Em junho, durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o candidato afirmou que pretendia estabelecer exigências educacionais para homens beneficiários de programas sociais, mas faria uma distinção para as mulheres porque elas teriam “outras atribuições em casa” e “filhos”.
Na ocasião, Zema afirmou:
“Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens.”
A proposta foi apresentada no contexto de sua defesa de mudanças no Bolsa Família e de estímulos para que beneficiários ingressem no mercado de trabalho.
Gafe vira munição política
Embora a sequência da resposta deixe claro que Zema pretendia falar sobre programas de combate à violência contra as mulheres, a troca de palavras rapidamente se tornou um dos momentos mais comentados de sua sabatina.
O episódio ocorre em uma campanha presidencial na qual a violência contra a mulher é um dos temas centrais do debate público. Por isso, uma frase que, literalmente, afirma o contrário do que o candidato aparentemente pretendia dizer acabou ganhando grande repercussão.
Depois da frase, Zema conseguiu apresentar suas propostas para a área, mas o erro verbal já havia sido registrado e passou a circular nas redes sociais.
A declaração, portanto, deve ser entendida como uma gafe de linguagem durante a resposta, e não como uma afirmação de que o candidato defende políticas deliberadamente destinadas a prejudicar mulheres. O próprio conteúdo apresentado imediatamente depois indica que ele se referia a ações de combate à violência contra elas.
Ainda assim, o episódio expôs Zema a críticas justamente em um dos temas mais sensíveis da campanha: a capacidade dos candidatos de apresentar propostas concretas para enfrentar a violência de gênero e os feminicídios no país.