O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) voltou a criticar nesta quarta-feira (26) o sistema de pedágio eletrônico free flow, adotado pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas rodovias paulistas.
Em entrevista, Haddad afirmou que o modelo precisa ser revisto e questionou a forma como a cobrança foi implementada no Estado.
A principal crítica de Haddad é direcionada à falta de informação oferecida aos motoristas e às dificuldades para identificar as cobranças e realizar o pagamento. Segundo ele, a implantação ocorreu de maneira desorganizada e acabou colocando sobre o usuário o peso de um sistema que deveria ser simples.
“Quando Tarcísio implantou o Free Flow, foi tão desorganizado que muita gente nem sabia onde pagar, e acabou sendo multada em R$ 200 e 5 pontos na carteira”, afirmou Haddad.
O modelo substitui as praças tradicionais de pedágio por pórticos equipados com câmeras e sensores. O veículo passa sem precisar parar e a identificação é feita pela placa ou pela tag instalada no automóvel.

Para quem não possui tag, porém, é necessário acessar os canais disponibilizados pelas concessionárias para quitar a tarifa dentro do prazo.
O problema ganhou dimensão nacional depois que milhares de motoristas passaram a reclamar de multas por falta de pagamento.
Em abril, o governo federal suspendeu as multas relacionadas ao não pagamento do free flow e estabeleceu prazo para que os motoristas regularizassem os débitos sem sofrer a penalidade. O prazo para a quitação dos valores pendentes vai até 16 de novembro de 2026.
A crítica coloca o free flow novamente no centro da disputa política em São Paulo.
“O free flow está afetando a vida de muitos trabalhadores do interior. Gente está pagando para trabalhar. Então, está sendo mal planejada a instalação dos pórticos do free flow em todo o território do estado. Então, estão nos pedindo muita revisão do planejamento do Tarcísio, que está mal feito, segundo a maioria das pessoas ouvidas”, disse Haddad.
O tema também ganhou força entre parlamentares paulistas, inclusive integrantes da base do próprio governador. A discussão se tornou particularmente sensível no interior do Estado, onde motoristas que utilizam as rodovias diariamente passaram a questionar a forma de cobrança.
O Radar Brasileiro mostrou que o tema se transformou em um dos assuntos explorados na pré-campanha eleitoral de 2026. O modelo passou a ser utilizado por adversários de Tarcísio como símbolo de uma política de pedágios considerada mal planejada.
“Todo mundo é a favor de uma estrada segura, mas eu penso que nós precisamos rever algumas instalações que estão excessivas, com preço excessivo. Então, isso, tanto a Sabesp, contrato com a Sabesp ou contrato do Free Flow e, sobretudo na capital, os contratos da CPTM, dos trilhos, nós vamos passar para uma revisão muito criteriosa, fortalecendo as agências reguladoras do Estado que estão sucateadas.”
A pressão política já provocou mudanças na estratégia do governo paulista. Tarcísio adiou para janeiro de 2027 a implantação do free flow em oito rodovias que tinham previsão de começar a operar o sistema ainda em 2026.
Desde 24 de agosto, o aplicativo CNH do Brasil passou a permitir que motoristas consultem registros de passagem por pedágios eletrônicos, identifiquem a concessionária responsável e encontrem os canais para pagamento.

A mudança pretende atacar justamente um dos principais problemas apontados pelos usuários: a dificuldade de saber que passaram por um pórtico de cobrança, quanto devem e onde pagar.
Segundo dados divulgados pelo governo federal, 1.324.797 multas por não pagamento de tarifas de free flow haviam sido canceladas até a tarde de segunda-feira (24), após os respectivos débitos serem regularizados.
O motorista que possui tag continua tendo a cobrança feita automaticamente. Já quem não utiliza o dispositivo precisa acompanhar as passagens e realizar o pagamento pelos canais indicados.
Indústrias deixam interior de SP
Fernando Haddad também foi questionado sobre a saída de grandes indústrias do interior de São Paulo.
“A melhor coisa que aconteceu para o Estado de São Paulo nos últimos 40 anos foi a reforma tributária que o nosso Governo Federal fez e que entra em vigor a partir de 1º de janeiro. Para que fique claro a importância dessa reforma: qual foi a grande causa da desindustrialização de São Paulo? A guerra fiscal. Outros Estados dando benefícios fiscais para levar os empregos daqui. E levaram, uma boa parte. Com o fim da guerra fiscal, que é o objetivo número um da reforma tributária, nós vamos ter que nos preparar para reindustrializar o Estado de vários pontos de vista.”
Ele também destacou os planos para o agricultor em São Paulo.
“Tem algumas propostas muito importantes que nós queremos retomar. Primeiro, o seguro rural. O Plano Safra, ele é revolucionário. Ele é uma coisa que já impacta muito a agricultura em todo o país e, sobretudo, no estado de São Paulo. Então, nós temos que entender que o Plano Safra é o que está permitindo o Brasil bater recordes de produção e recordes de exportação”, completa.