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Tarcísio cancela debate nesta 2ª feira na Record pra não responder sobre PCC, Karina da Gama e Emenda PIX

Política

Debate que virou problema: Tarcísio cancela participação na Record em cima da hora. No momento em que deveria explicar suas relações políticas, Tarcísio prefere não enfrentar as perguntas sobre Milton Leite, Karina da Gama e recursos de emendas. No lugar de Tarcísio, Fernando Haddad será entrevistado pela Record no mesmo horário.

Tarcísio de Freitas decidiu não enfrentar Fernando Haddad no debate da Record marcado para esta segunda-feira (21). A campanha do governador havia confirmado a participação junto à emissora, mas voltou atrás e cancelou a presença de Tarcísio. No lugar do confronto entre os dois principais candidatos, Haddad será entrevistado pela Record no mesmo horário.

A justificativa oficial é a conhecida desculpa da “agenda”. Mas o Radar Brasileiro apurou que Tarcísio foi orientado a não participar do debate justamente para evitar ficar exposto e virar alvo dos questionamentos de Fernando Haddad.

A decisão é conveniente.

Tarcísio não teria diante dele uma entrevista previamente controlada, com perguntas previsíveis e espaço para discursos preparados. Teria um adversário sentado à sua frente, pronto para cobrar respostas — e uma série de assuntos que o governador preferiria não transformar em centro da campanha.

Porque o problema não seria falar sobre promessas, obras ou realizações do governo. Isso Tarcísio faz todos os dias.

Milton Leite: a pergunta que não pode ser escondida

Tarcísio de Freitas com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, ex-vereador Milton Leite e o filho.

A primeira delas atende pelo nome de Milton Leite.

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo foi preso temporariamente na Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no sistema de transporte público, lavagem de dinheiro, corrupção, fraude em licitações e financiamento ilícito de campanhas.

A investigação colocou Leite no centro de uma apuração que mira relações entre o crime organizado e o setor de transporte. Leite nega as acusações.

E aí está a pergunta que Tarcísio terá de responder em algum momento:

qual era, exatamente, a natureza da relação política entre o governador e Milton Leite?

Não basta falar em relação “institucional”. Não basta fugir para discursos genéricos sobre combate ao crime organizado.

“Nós identificamos 12 empresas de transporte que teriam envolvimento direto com o Primeiro Comando da Capital”, diz Fabricio Intelizano, delegado da Polícia Civil de Mogi das Cruzes.

O eleitor tem o direito de saber como funcionava essa proximidade política e quais eram os canais de diálogo entre o governo e um personagem que agora aparece no centro de uma investigação dessa dimensão.

Karina da Gama é outra pergunta sem resposta

Depois vem Karina Ferreira da Gama, produtora de Dark Horse e dirigente da Academia Nacional de Cultura e de organizações que receberam recursos públicos.

A Polícia Federal investiga justamente a movimentação de recursos públicos envolvendo entidades ligadas à produtora. Segundo a Folha, uma entidade ligada a Karina recebeu cerca de R$ 6,2 milhões provenientes de recursos federais e municipais viabilizados por emendas parlamentares, enquanto a destinação de parte desse dinheiro permanece sob investigação.

A defesa de Karina nega irregularidades. E existe um capítulo paulista que coloca o governo Tarcísio no meio dessa história.

O Radar Brasileiro revelou que R$ 1 milhão de uma emenda Pix entrou no Governo de São Paulo para um projeto audiovisual ligado à estrutura de Karina da Gama. O projeto, intitulado “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”, nunca saiu do papel.

Essa não é uma pergunta inventada para debate eleitoral.

É uma pergunta documental:

onde foi parar o dinheiro destinado ao projeto que não foi executado?

E existe uma conexão ainda mais incômoda.

Milton Leite ajudou a viabilizar, em 2018, uma parceria de R$ 2,5 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, entidade comandada por Karina da Gama.

Segundo os documentos citados na reportagem, uma emenda de R$ 500 mil de Leite integrou a origem dos recursos que permitiram a contratação da entidade.

Ou seja: Milton Leite e Karina da Gama não são nomes que aparecem isoladamente no noticiário.

E justamente por isso as relações políticas precisam ser esclarecidas.

Haddad ganha o palco que Tarcísio abandonou

A consequência prática foi imediata.

Fernando Haddad será entrevistado pela Record no mesmo horário. A emissora abriu espaço para o candidato petista, que criticou a decisão de Tarcísio e afirmou que a ausência impede uma comparação direta entre os dois principais candidatos.

Tarcísio não estará lá para responder.

Haddad estará.

O problema de cancelar um debate na reta final de uma eleição é justamente esse.

O candidato pode cancelar o compromisso.

Não pode cancelar o questionamento.

“A campanha de Tarcísio de Freitas informa que o candidato não participará do debate da Record. Os principais temas da eleição têm sido debatidos diariamente ao longo da campanha. Nesta reta final, a prioridade será conciliar a agenda de campanha pelo estado com as responsabilidades de governo. Tarcísio seguirá apresentando propostas, prestando contas do trabalho realizado e atendendo à imprensa durante suas agendas”,  Nota da campanha de Tarcísio

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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