A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, colocando no centro da investigação a produtora Karina Ferreira da Gama e o deputado federal Mario Frias, ligados à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações. Segundo a PF, movimentações financeiras de centenas de milhões de reais foram identificadas entre empresas investigadas.
O Radar Brasileiro antecipou essa informação com exclusividade mostrando que Karina da Gama estaria planejando uma possível saída do país diante do avanço das investigações.

As informações repassadas às autoridades quando ainda estavam sendo checadas com os órgãos oficiais, ajudam a dimensionar a preocupação das autoridades com a possibilidade de fuga de investigados. Incluindo, o deputado federal Mario Frias.
Na decisão que autorizou a operação, Dino determinou uma medida ainda mais ampla: 29 pessoas foram proibidas de deixar o Brasil, além de ficarem impedidas de manter contato entre si.
A decisão também proibiu 22 empresas e entidades de contratar com o poder público.
Entre os alvos está Mario Frias, apontado como produtor executivo e roteirista de “Dark Horse”.
A PF investiga, entre outros pontos, uma emenda de R$ 1 milhão destinada pelo deputado ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina.
O recurso deveria financiar um projeto de empreendedorismo em Pirassununga, mas a investigação aponta que o programa não teria sido executado conforme previsto.
A situação de Karina é ainda mais delicada porque ela concentra diferentes pontas investigadas.
Além de comandar a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, ela preside o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. Empresas ligadas a ela também aparecem entre as atingidas pelas medidas determinadas por Dino.
Karina Ferreira da Gama comprou um veículo BYD com dinheiro vivo apontado pela Polícia Federal como proveniente de propina. A transação entrou no radar dos investigadores e passou a integrar o conjunto de evidências reunidas na apuração do esquema.
O Radar Brasileiro obteve com exclusividade a informação da compra de um carro de luxo por Karina da Gama, antes da confirmação no curso das investigações da PF.
Segundo os investigadores, os recursos utilizados na aquisição teriam origem no esquema sob apuração. A compra do automóvel é considerada relevante para rastrear a movimentação e a transformação do dinheiro ilícito em patrimônio.
O BYD aparece, assim, entre os bens que podem ajudar a Polícia Federal a reconstruir o caminho percorrido pelos valores e identificar a origem dos recursos utilizados por Karina.
O cerco se fecha

A decisão de Dino coloca os investigados sob forte restrição justamente no momento em que a PF amplia o rastreamento das movimentações financeiras e das conexões empresariais que cercam o filme.
No caso de Mario Frias, a operação ainda apreendeu sete armas registradas em seu nome que estavam em endereço diferente daquele declarado às autoridades, situação que também será investigada.
Karina afirmou à imprensa que não cometeu irregularidades e disse estar colaborando com as investigações. Frias também nega as acusações e já classificou as denúncias como falsas e difamatórias.
Mas, diante da dimensão da operação, da proibição de saída do país e da apuração do Radar Brasileiro sobre a possibilidade de Karina deixar o Brasil, o recado de Brasília é claro: o cerco sobre os envolvidos no caso “Dark Horse” apertou — e agora ninguém poderá simplesmente sair do país enquanto a investigação avança.
Plano de fuga de Karina da Gama
A informação recebida pelo Radar Brasileiro dentro da alta cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro apontou que Karina Ferreira da Gama teria manifestado intenção de deixar o Brasil após a homologação da colaboração. A PF teria sido informada sobre a possibilidade de saída e confirmou o alerta de possível fuga da empresária.

Armas são apreendidas
A operação também atingiu o deputado Mario Frias. A Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo registradas em nome do parlamentar, encontradas em um endereço diferente daquele informado às autoridades. O material foi recolhido durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão e passou a integrar as diligências da investigação.
A apreensão aumenta a pressão sobre Frias justamente no momento em que a PF aprofunda a apuração sobre a destinação de recursos públicos e as conexões envolvendo o filme Dark Horse.

Prefeito Ricardo Nunes também na mira da PF

A investigação que agora coloca Karina Ferreira da Gama e Mario Frias no centro de uma operação da Polícia Federal também resgata um contrato milionário firmado durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na Prefeitura de São Paulo.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, fechou um contrato de R$ 108 milhões com a administração municipal para fornecer pontos de wi-fi gratuito em comunidades carentes da capital.
O acordo já havia despertado a atenção da Polícia Civil, que em junho realizou buscas em endereços ligados à produtora de Dark Horse, ao ICB e também na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
O que chama atenção dos investigadores é que o ICB não executou diretamente a instalação dos equipamentos. A entidade intermediou a contratação de empresas terceirizadas para realizar o serviço.
A apuração busca esclarecer se houve irregularidades na contratação e na execução do contrato e se parte dos recursos acabou desviada para outras finalidades.
A operação atual, porém, não tem Ricardo Nunes como alvo, e a Prefeitura afirma que não identificou irregularidades até o momento e que está colaborando com as autoridades.
O prefeito Ricardo Nunes, por sua vez, já afirmou que houve perseguição política na investigação anterior.