COMO DESMONTAR UMA FALA MENTIROSA DO GOVERNADOR DE SÃO PAULO, TARCÍSIO DE FREITAS, COM FOTOS…
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou nesta quarta-feira (23) a atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Desta vez, em uma transmissão ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio afirmou que São Paulo teria sido Mentiu “muito sabotado pelo governo federal” durante a atual gestão.
A declaração foi feita em tom de campanha e veio acompanhada de uma acusação específica: segundo Tarcísio, a extensão do metrô até o Jardim Ângela não teria avançado por causa de uma suposta interferência política do governo federal.
Mentiu Falso Tendencioso Enganoso “Para você que mora aí no Jardim Ângela, pode ter certeza, o metrô de Jardim Ângela podia estar em obra e não saiu pela sabotagem do governo federal”, afirmou o governador.

O problema é que a narrativa de que Brasília simplesmente teria abandonado ou sabotado São Paulo não corresponde ao conjunto de documentos públicos sobre os investimentos federais no Estado.
E o próprio histórico político de Tarcísio expõe a contradição.
O dinheiro federal que aparece quando as câmeras estão ligadas
A contradição é evidente: quando está diante das câmeras, o governador aparece ao lado do presidente da República em anúncios de investimentos e obras; quando está ao lado de Flávio Bolsonaro em plena campanha eleitoral, transforma o mesmo governo federal em inimigo de São Paulo.
Não se trata de opinião. Trata-se de verificar quem financia as obras, quem assina os contratos e de onde vêm os recursos.
O próprio governo federal mantém uma plataforma de transparência do Novo PAC que permite consultar investimentos, execução física e financeira, fontes de financiamento e empreendimentos por Estado e município.
Túnel Santos–Guarujá desmonta discurso de “sabotagem”
Um dos exemplos mais claros é o Túnel Santos–Guarujá.

O empreendimento, apresentado pelo governo federal como o maior projeto do Novo PAC, envolve recursos federais e estaduais.
Em abril de 2026, o governo federal anunciou a formalização de um empréstimo de R$ 2,5 bilhões do Banco do Brasil relacionado à participação paulista no projeto.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o investimento da União também supera R$ 2,5 bilhões, enquanto a construtora responsável pelo empreendimento aportou R$ 1,6 bilhão. O investimento total chega a aproximadamente R$ 6,8 bilhões.
Ou seja: quando se trata de anunciar uma obra bilionária que interessa diretamente a São Paulo, existe dinheiro federal, existe articulação federal e existe participação direta da União.
Ainda assim, Tarcísio prefere apresentar ao eleitor a imagem de que Brasília estaria simplesmente fechando a torneira para o Estado.
Até o metrô do Jardim Ângela tem dinheiro federal no desenho

A afirmação de Tarcísio sobre o Jardim Ângela também precisa ser colocada em contexto.
A extensão da Linha 5-Lilás até o Jardim Ângela possui autorização para contratação de financiamento de até R$ 2,72 bilhões. Dentro dessa autorização, está previsto financiamento de até R$ 1,736 bilhão pela Caixa Econômica Federal, no âmbito do Novo PAC, utilizando recursos do FGTS pelo programa Pró-Transporte.
A Prefeitura de São Paulo também registra que Tarcísio assinou, em 2024, termo relacionado aos estudos e projetos executivos da extensão da Linha 5-Lilás até o Jardim Ângela, com investimento estimado em R$ 3,4 bilhões.
Portanto, transformar toda a história em “Lula sabotou São Paulo” é, no mínimo, uma simplificação política de um processo que envolve governo estadual, Prefeitura, União, Caixa, FGTS, financiamento e etapas administrativas.
O próprio governo federal contesta a tese de perseguição

Quando Tarcísio levou ao Supremo uma reclamação sobre a demora na autorização de uma garantia federal para uma operação de crédito de R$ 5,45 bilhões, o Ministério da Fazenda apresentou outro dado.
Segundo a pasta, desde janeiro de 2023 a União havia concedido aval para R$ 250 bilhões em operações de crédito de Estados e municípios, sendo R$ 30 bilhões destinados ao governo paulista.
O Ministério da Fazenda afirmou ainda que a média anual de concessões de aval a São Paulo entre 2023 e 2026 era superior a três vezes a média histórica do Estado.
Isso não significa que todas as demandas do governo paulista tenham sido atendidas no prazo desejado por Tarcísio. Há, sim, disputa sobre prazos, autorizações e responsabilidades.
Mas é diferente de afirmar que existe uma política de “sabotagem” contra São Paulo.
A política entra onde deveria entrar a prestação de contas
O que mudou nesta quarta-feira foi o palco.
Tarcísio não fez a acusação em uma reunião técnica, em uma prestação de contas ou em um documento administrativo. Fez durante uma transmissão ao lado de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República que ele declarou apoiar.
Na mesma transmissão, o governador pediu voto e apoio para Flávio e atacou o PT.
A acusação de sabotagem, portanto, aparece inserida em uma disputa eleitoral nacional.
E é justamente aí que os documentos precisam falar mais alto que o palanque.
Não é Lula quem está dizendo: são os números
O governo federal pode ser criticado por atrasos, burocracia, decisões administrativas ou qualquer outro problema concreto — desde que existam fatos que sustentem a crítica.
Mas dizer que São Paulo foi simplesmente “sabotado” enquanto existem bilhões em operações federais, financiamentos da Caixa, recursos do Novo PAC e participação direta da União em obras estratégicas é uma narrativa que precisa ser confrontada com os documentos.
O contraste é ainda mais evidente porque o próprio governo Tarcísio participou de projetos construídos em parceria com Brasília.
A declaração desta quarta-feira se encaixa em uma estratégia política que vem sendo utilizada por Tarcísio e Flávio Bolsonaro para apresentar Lula como responsável por dificuldades enfrentadas por São Paulo.