Flávio Bolsonaro e sua família desembarcaram em Miami, nos Estados Unidos, após o senador ser derrotado na eleição presidencial de 25 de outubro.
O governo da Argentina confirmou que Flávio Bolsonaro e sua família embarcaram em um avião particular que deixou o país na noite de terça-feira (27). O comunicado oficial, divulgado na madrugada desta quarta-feira, confirmou que o senador entrou em território argentino acompanhado dos familiares. A declaração foi a primeira confirmação oficial de que Flávio havia deixado o Brasil, após um dia de rumores sobre seu paradeiro.

Segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware, o avião decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino aos Estados Unidos. A previsão era de chegada ao aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, por volta das 10h40.

A viagem ocorreu depois de Flávio afirmar publicamente que permaneceria no Brasil e que entregaria seus passaportes à Polícia Federal, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A saída do país foi noticiada pela imprensa brasileira e internacional.
A fuga reforça a importância do alerta feito anteriormente pelo Radar Brasileiro sobre a possibilidade de Flávio deixar o país em caso de derrota eleitoral. A publicação havia levantado esse cenário antes de a viagem se concretizar, e os acontecimentos posteriores colocaram a previsão em evidência.
A rota também chamou a atenção: segundo informações divulgadas pelo Radar Brasileiro, sua esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas entraram na Argentina por via terrestre, embarcaram em um voo privado em Puerto Iguazú, fizeram escala em Guayaquil, no Equador, e seguiram para Miami.
A empresa responsável pelo avião utilizado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar o Brasil com destino aos Estados Unidos, pertence a um empresário com ligação direta com Javier Milei.
Luis Grande, proprietário da Baires Fly, pilotou a aeronave que transportou o presidente argentino aos Estados Unidos em novembro de 2023, poucos dias depois de sua vitória nas eleições presidenciais.
A companhia também aparece em uma investigação judicial na Argentina sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo contratos de um órgão do governo argentino.
As conexões foram identificadas a partir do cruzamento de informações sobre a aeronave utilizada por Flávio, registros empresariais da Baires Fly e reportagens da imprensa argentina sobre as operações da empresa.
Outro ponto relevante é que um empresário que negocia voos da companhia manteve relações comerciais com Federico Machado, investigado nos Estados Unidos por suspeitas de narcotráfico e crimes financeiros. Machado também é apontado como financiador de um aliado político de Milei.
O alerta do Radar Brasileiro
Antes da confirmação da viagem, o Radar Brasileiro já havia levantado a hipótese de que uma derrota eleitoral poderia ser seguida por uma saída do país. O desfecho tornou o alerta especialmente relevante: Flávio deixou o território brasileiro depois de perder a disputa presidencial e em meio a uma determinação judicial que exigia a entrega de seus documentos de viagem.
Flávio havia declarado que ficaria no país para organizar a oposição ao governo Lula, mas acabou viajando para os Estados Unidos menos de 48 horas depois do resultado eleitoral.
Determinação judicial e passaportes

Alexandre de Moraes havia determinado que Flávio entregasse seus passaportes dentro do prazo estabelecido e não deixasse o país. Segundo a Reuters, o prazo terminou sem a entrega dos documentos. A Polícia Federal cancelou os passaportes no sistema e informou que comunicaria o descumprimento ao ministro.
A ordem foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades. O descumprimento da determinação poderá motivar novas medidas judiciais, mas não significa, por si só, que exista um mandado de prisão contra Flávio.