Fingir ser eleitor de Lula para enganar militantes, recolher materiais de campanha e depois comemorar a retirada da propaganda das ruas. Essa foi a estratégia adotada por Gabriel Piauhy, candidato a deputado federal pelo Missão, partido ligado ao MBL. A gravação expõe uma ação deliberada para ludibriar trabalhadores de comitês eleitorais e retirar materiais de uma campanha adversária. O mesmo candidato já havia provocado tumulto em um evento com Fernando Haddad, em Santo André. Os dois episódios revelam uma atuação marcada por provocações e métodos que transformam a disputa política em confronto.
O candidato a deputado federal por São Paulo Gabriel Piauhy, filiado ao Missão — partido de direita criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) — publicou nas redes sociais, na última sexta-feira (23/10), um vídeo em que aparece fingindo ser apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conseguir materiais de campanha em comitês petistas.
O objetivo, revelado pelo próprio candidato na gravação, era retirar a propaganda eleitoral de Lula das ruas.
“Hoje eu vou ensinar pra você como enganar um bando de petista e salvar nossa cidade de propaganda eleitoral m*rda”, afirma Piauhy no início do vídeo.
Com quase 300 mil seguidores nas redes sociais, o candidato mostra que esteve em pelo menos dois comitês eleitorais, um do PT e outro do PCdoB. Nos locais, apresenta-se como apoiador de Lula e diz que pretende viajar por diferentes cidades para distribuir materiais de campanha.
A estratégia também envolveu outras três pessoas que acompanhavam Piauhy. Em momentos diferentes, elas entraram nos mesmos comitês e recolheram mais materiais, incluindo panfletos, adesivos e banners.
Depois de reunir a propaganda eleitoral, o grupo se encontrou em um imóvel, onde espalhou os materiais sobre uma grande mesa e comemorou o resultado da ação. No próprio vídeo, Piauhy deixa claro que a intenção não era distribuir a campanha de Lula, mas retirar o material de circulação.
Tumulto em evento com Fernando Haddad
O episódio envolvendo a retirada de propaganda petista não foi a primeira vez que Gabriel Piauhy se envolveu em uma confusão durante uma agenda de Fernando Haddad. Em 25 de junho, o candidato do Missão participou de uma cerimônia no Cine Theatro Carlos Gomes, em Santo André (SP), para a entrega do título de Cidadão Honorário ao ex-ministro da Fazenda.
Durante a solenidade, Piauhy tentou questionar Haddad sobre as investigações envolvendo descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. A intervenção provocou uma discussão, interrompeu o andamento da homenagem e terminou com a retirada do candidato e de integrantes de seu grupo do local, sob vaias e protestos.
Na ocasião, o deputado estadual Teonilio Barba (PT) afirmou que integrantes do MBL foram ao evento para provocar e tentar atrapalhar a cerimônia. Haddad também reagiu à confusão e criticou a maneira como o grupo tentou fazer política.
“De onde sai essa gente para fazer política dessa maneira? Esse tipo de postura violenta, fascista, não nos intimida”, declarou o ex-ministro.
Piauhy, por sua vez, publicou vídeos nas redes sociais alegando que ele e integrantes de sua equipe foram agredidos. As acusações não tiveram confirmação oficial nas informações divulgadas sobre o episódio.
A publicação mais recente de Piauhy, em que mostra a estratégia para recolher materiais de campanha de Lula, foi apagada horas depois. No entanto, o portal Metrópoles conseguiu preservar uma cópia da gravação.