O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou a mostrar a distância entre o discurso político e as decisões de seu governo. Dois dias depois do segundo turno das eleições, São Paulo participou da aprovação de um aumento do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, contrariando o discurso de defesa de impostos menores que marcou a campanha da direita.
A decisão foi tomada em 27 de outubro, no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. As novas alíquotas começarão a valer em 1º de fevereiro de 2027.
O resultado será sentido diretamente no bolso dos consumidores. O governo paulista, sob comando de Tarcísio, integrou a decisão que aumentará a tributação de produtos essenciais para milhões de famílias.
A contradição política é evidente: durante a campanha, o discurso era de que a população precisava pagar menos impostos. Depois das urnas, o governo participou de uma decisão que eleva justamente a tributação de combustíveis e do gás utilizado para preparar a comida dentro de casa.
Gasolina, diesel e gás ficam mais caros
Os aumentos foram definidos da seguinte forma:
| Produto | ICMS atual | Novo ICMS | Aumento |
|---|---|---|---|
| Gasolina (litro) | R$ 1,57 | R$ 1,64 | R$ 0,07 |
| Diesel (litro) | R$ 1,17 | R$ 1,30 | R$ 0,13 |
| Gás de cozinha (kg) | R$ 1,47 | R$ 1,54 | R$ 0,07 |
No caso do botijão de gás de 13 quilos, a parcela do ICMS subirá de R$ 19,11 para R$ 20,02. São R$ 0,91 a mais em tributação por botijão.
O diesel terá o maior reajuste proporcional: 11,11%. A gasolina terá aumento de 4,46%, enquanto o gás de cozinha terá elevação de 4,76%.
Tarcísio dizia que só defendia diminuir impostos
A contradição fica ainda mais evidente quando se recupera uma declaração do próprio governador.
Em entrevista à CNN Brasil, em agosto de 2026, Tarcísio afirmou:
“Você nunca vai me ver falando com ninguém para aumentar imposto, só para diminuir.”
A declaração foi dada quando ele tentava rebater críticas sobre sua posição em relação à tributação de compras internacionais.
Agora, entretanto, seu governo participou da aprovação de um reajuste que atinge diretamente o orçamento das famílias paulistas.
O governador precisa explicar como concilia sua declaração com a decisão tomada por seu governo. Como concilia a mentira. Não basta subir em palanque para atacar impostos, criticar adversários e vender uma imagem de defensor do contribuinte. É preciso sustentar esse discurso quando chega a hora de tomar decisões.
Aumento aprovado depois das eleições
A proximidade entre as datas também chama atenção. O segundo turno aconteceu em 25 de outubro. Em 27 de outubro, apenas dois dias depois, os representantes estaduais aprovaram o reajuste no Confaz.
O argumento técnico utilizado pelos estados é a atualização anual do imposto, prevista na Lei Complementar 192/2022. A legislação não obriga os governos a aumentar as alíquotas: os estados participam da definição dos valores e podem optar por mantê-los ou reduzi-los.