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PF INVESTIGA PAULO GUEDES POR CRIMES DE CRIPTOATIVOS E PRISÃO PODE CHEGAR AS 12 ANOS

Política

Inquérito aberto em fevereiro de 2026 apura suspeitas envolvendo a OnilX, empresa ligada ao mercado de criptoativos. Companhia acumula mais de 100 ações judiciais, enquanto investidores relatam dificuldades para recuperar o dinheiro aplicado.

A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que comandou a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro, por suspeita de envolvimento em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

A apuração envolve também o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, empresa que oferece serviços relacionados a criptoativos e enfrenta uma série de processos movidos por investidores.

O inquérito foi instaurado em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, com acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF). As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles nesta quinta-feira (29), com base em documentos relacionados à investigação.

A ligação de Guedes com a OnilX

Guedes prestou consultoria à empresa, participou de reuniões estratégicas, conversou com potenciais investidores e teve sua imagem utilizada em materiais de divulgação do negócio.

A própria OnilX publicou uma fotografia do ex-ministro ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, apresentando o encontro como uma reunião de relevância estratégica.

Em eventos da companhia, Guedes também fez apresentações para investidores e assessores, elogiando a atuação da empresa no mercado digital.

A participação do ex-ministro ganhou relevância nos processos judiciais porque investidores relatam ter levado em consideração sua associação com o negócio ao decidir aplicar ou manter recursos na plataforma.

Em uma ação, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa e afirma que decidiu manter e ampliar os investimentos após participar de uma reunião com Guedes, em abril. Meses depois, segundo os autores do processo, houve tentativa de resgate dos valores sem sucesso.

Mensagens anexadas a outro processo também indicam que uma assessora da empresa utilizava a ligação com o ex-ministro para atrair investidores e oferecia a possibilidade de reuniões com ele a interessados em aplicações de milhões de reais.

Mais de 100 ações judiciais e dificuldades para sacar recursos

A OnilX oferecia produtos relacionados a criptomoedas com promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. A companhia passou a enfrentar processos de clientes que afirmam não conseguir recuperar os valores investidos.

Levantamento divulgado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro de 2026. Parte dos investidores levanta suspeitas de que o modelo de operação poderia configurar um esquema de pirâmide financeira.

A empresa nega irregularidades e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também determinou, em janeiro, a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo. Em abril, a autarquia manteve a medida e esclareceu que ela não abrangia a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento coletivo.

Quais penalidades Paulo Guedes pode enfrentar?

O inquérito apura possíveis crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, que define os delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. As penas dependem do enquadramento jurídico dos fatos e da conduta atribuída a cada investigado.

Entre as possibilidades previstas na legislação estão:

  • Gestão fraudulenta de instituição financeira: pena de reclusão de 3 a 12 anos, além de multa, conforme o artigo 4º da Lei nº 7.492/1986.
  • Gestão temerária de instituição financeira: pena de reclusão de 2 a 8 anos, além de multa, conforme o mesmo artigo.
  • Operação de instituição financeira sem autorização: pena de reclusão de 1 a 4 anos, além de multa, conforme o artigo 16, caso os requisitos legais desse crime sejam comprovados.

Esses são enquadramentos possíveis previstos na lei, e não acusações específicas já formalizadas contra Guedes. A definição dos delitos aplicáveis dependerá das provas reunidas e da eventual denúncia do Ministério Público.

Se a investigação identificar participação em outros crimes, poderão ser examinados enquadramentos adicionais, conforme as condutas efetivamente demonstradas.

O que pode acontecer a partir de agora?

A investigação pode avançar para novas diligências, análise de documentos, depoimentos e rastreamento de operações financeiras. Se o material reunido apontar elementos suficientes, a Polícia Federal poderá encaminhar suas conclusões ao Ministério Público Federal, que poderá apresentar denúncia à Justiça.

Caso haja denúncia e condenação por crime financeiro, as consequências podem incluir:

  • Prisão: conforme o crime reconhecido e a pena aplicada.
  • Multa criminal: quando prevista no tipo penal.
  • Indenização aos investidores: se forem reconhecidos os requisitos legais para responsabilização civil.
  • Bloqueio de bens e valores: caso haja decisão judicial fundamentada e estejam presentes os requisitos legais.
  • Outras consequências patrimoniais: conforme as infrações comprovadas e as decisões judiciais.

As penas dos artigos 4º e 16 da Lei nº 7.492/1986 ilustram a gravidade dos crimes financeiros previstos na legislação brasileira.

O inquérito tramita em segredo de Justiça, o que impede a divulgação integral das diligências e dos elementos reunidos pela Polícia Federal.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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