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6 em cada 10 paulistanos ainda têm medo de ser assaltados; Tarcísio acha SP seguro

Brasil

Pesquisa Datafolha mostra queda de 57% para 47% no medo de assalto nas ruas desde 2022, mas índice continua alto — e chega a 60% na capital e na região metropolitana. Em outra pesquisa, segurança aparece como o principal problema de São Paulo para sete em cada dez moradores

Moradores de Moema criaram grupos em redes sociais para discutir a falta de segurança no bairro.

A imagem de um Estado de São Paulo completamente seguro que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vem tentando vender em discursos e na campanha eleitoral não corresponde inteiramente ao que os próprios paulistas dizem sentir.

Os indicadores criminais apresentam quedas importantes em alguns delitos, mas a sensação de insegurança continua elevada — principalmente na capital e na Grande São Paulo.

A pesquisa mais recente do Datafolha sobre o tema mostra que 47% dos moradores do Estado afirmam ter muito medo de serem assaltados nas ruas. Verdadeiro

A redução é real e precisa ser registrada. Mas também é impossível ignorar o outro lado do número: quase metade da população paulista ainda convive com um forte temor de ser vítima de assalto.

E a situação é ainda mais preocupante justamente onde está concentrada a maior população do Estado.

Entre moradores da capital paulista e da região metropolitana, o percentual sobe para 60%. Ou seja: seis em cada dez entrevistados desse grupo afirmam ter muito medo de serem assaltados nas ruas. O medo de assalto em semáforos também permanece elevado: chega a 58% na capital e na Grande São Paulo. Verdadeiro

A diferença entre o discurso político e a experiência cotidiana fica ainda mais evidente quando se olha para outros levantamentos.

Segurança é o principal problema do paulistano

A pesquisa Viver em São Paulo 2026, realizada pelo Ipsos-Ipec em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis e a Rede Nossa São Paulo, também coloca a segurança no centro das preocupações dos moradores da capital.

O medo de ser morto. Ladrões são agressivos e cercam pessoas para roubar celulares em bairro da Zona Sul de SP

O levantamento aponta que segurança continua sendo o principal problema da cidade para a maioria dos paulistanos. Em 2025, a pesquisa Viver em São Paulo já mostrava que 74% dos moradores consideravam segurança o maior ou o segundo maior problema da capital, muito à frente de áreas como saúde, transporte, habitação e educação. Verdadeiro

Na rodada de 2026, a segurança permaneceu na liderança entre os problemas apontados pelos moradores. O levantamento também revelou um dado simbólico da percepção sobre a cidade: 67% dos entrevistados disseram que deixariam São Paulo se tivessem oportunidade de morar em outro lugar.Verdadeiro

Não significa que todos os que desejam sair da cidade o façam exclusivamente por causa da violência. Mas o resultado expõe uma insatisfação ampla com a qualidade de vida e mostra que a segurança continua sendo um dos principais fatores que pesam na percepção dos paulistanos.

Falta de policiamento lidera reclamações

O próprio Datafolha ajuda a explicar por que a sensação de insegurança permanece tão forte.

Verdadeiro A falta de policiamento ou de efetivo nas ruas é apontada por 20% dos paulistas como o principal problema da segurança pública do Estado. O índice coloca a falta de policiais à frente dos assaltos, citados por 11%, e do tráfico de drogas, mencionado por 8%.

Verdadeiro Na capital e na região metropolitana, a preocupação com a falta de efetivo é ainda maior: 24% dos moradores apontam esse como o principal problema da segurança, contra 17% no interior.

E existe um dado objetivo por trás dessa percepção. Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública, a Polícia Militar tinha 79.603 policiais na ativa em maio de 2026, número inferior aos 84.404 policiais registrados em 2001.

Portanto, não se trata apenas de uma impressão subjetiva da população. Existe também uma discussão concreta sobre a quantidade de policiais disponíveis nas ruas.

O próprio Tarcísio reconheceu a falha do Estado

Em junho, o próprio governador acabou reconhecendo publicamente que a realidade dos roubos de celulares continua sendo um problema grave.

Tendencioso Exagerado Durante um evento de entrega de viaturas e armamentos, Tarcísio pediu desculpas aos cidadãos que tiveram seus celulares roubados e afirmou que, quando o Estado não consegue garantir a segurança, está falhando.

Verdadeiro A declaração é particularmente relevante porque parte do próprio chefe do Executivo estadual, depois de muita pressão por parte da imprensa. Tarcísio sempre foi questionado pelos jornalistas e jamais admitiu que o Estado precisava realmente de ajuda extra na segurança púbica.

Exagerado Enganoso Antes, o governador achava uma “normalidade”. Tarcísio depois afirmou que o roubo de um celular pode provocar dor e trauma e reconheceu que cabe ao Estado garantir a segurança da população. Ao mesmo tempo, apresentou medidas de combate à receptação e destacou a recuperação de dezenas de milhares de aparelhos.

A fala, na prática, desmonta qualquer tentativa de tratar a insegurança como um problema distante ou irrelevante.

Crime caiu, mas a sensação de insegurança permanece

Verdadeiro Os números oficiais também mostram que seria incorreto afirmar que a criminalidade simplesmente aumentou durante o governo Tarcísio. Há indicadores que efetivamente melhoraram.

Nos cinco primeiros meses de 2026, por exemplo, São Paulo registrou 970 homicídios, a primeira vez desde o início da série histórica, em 2001, que o Estado ficou abaixo de mil assassinatos nesse período do ano. A SSP também registrou queda na maioria dos indicadores criminais na comparação com o mesmo período de 2025.

Mas segurança pública não é medida apenas pelo número de homicídios.

A população também reage a roubos, furtos, golpes, crimes contra o patrimônio e à presença — ou ausência — de policiamento nas ruas. E é justamente nesses espaços da vida cotidiana que a sensação de insegurança continua elevada.

A capital vive uma realidade diferente do interior

Esse é talvez o ponto mais importante da pesquisa.

A queda estadual do medo é puxada principalmente pelo interior. Na capital e na Grande São Paulo, a percepção de insegurança permanece muito mais elevada.

Verdadeiro Enquanto 47% dos paulistas dizem ter muito medo de assalto nas ruas, o índice chega a 60% na capital e na região metropolitana.

Verdadeiro A pesquisa também mostra que as mulheres são significativamente mais afetadas: 58% delas têm muito medo de serem assaltadas nas ruas, contra 35% dos homens. No caso do medo de assalto em semáforos, são 55% entre mulheres contra 34% entre homens.

É uma fotografia bem diferente daquela apresentada em discursos que utilizam exclusivamente os indicadores criminais em queda.

A eleição coloca a segurança no centro do debate

A segurança pública voltou a ocupar lugar central na disputa eleitoral de 2026. No debate entre Tarcísio e Fernando Haddad, o governador enfatizou as quedas nos índices de criminalidade, enquanto o adversário questionou a situação da segurança e apontou problemas na gestão policial.

Uma pesquisa Ideia/ACSP divulgada em agosto mostrou, inclusive, que a violência é considerada o principal problema do Estado pelos eleitores entrevistados, apesar da aprovação relativamente alta do governo Tarcísio.

Isso revela uma contradição importante para a campanha.

Tarcísio pode apresentar números positivos de criminalidade — e alguns deles são, de fato, positivos. Mas isso não significa que o paulista esteja se sentindo seguro.

Os dados não autorizam dizer que São Paulo vive uma situação de segurança resolvida. Eles mostram uma combinação mais complexa: determinados crimes caíram, mas o medo continua atingindo quase metade dos moradores do Estado e seis em cada dez pessoas na capital e na Grande São Paulo.

É essa realidade que aparece quando se deixa o palanque de lado e se pergunta diretamente ao cidadão se ele se sente seguro.

E, nesse quesito, a sensação de insegurança ainda é gigante.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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