A convenção que oficializou a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) marcou o início da campanha eleitoral em São Paulo, mas também escancarou uma estratégia rasa, baseada mais na desqualificação dos adversários do que na apresentação de propostas concretas para o futuro do estado.
Ao invés de prestar contas dos desafios ainda enfrentados pela população paulista, Tarcísio preferiu dedicar parte significativa de seu discurso a atacar o adversário Fernando Haddad. Como sempre, sem fundamentos e sem dados oficiais.
Ao repetir afirmações sobre a gestão petista e fazer generalizações sem contextualização, o governador recorreu a narrativas que precisarão ser confrontadas com dados oficiais e checagens independentes. E toda vez que isso acontece, você, sabe, Tarcísio perde feio.
A crítica política é legítima; a utilização de informações distorcidas ou sem respaldo documental não contribui para um debate democrático qualificado. Tarcísio apela no microfone.
Sempre foi assim. Se diz um político técnico, porém, é desprovido de inteligência emocional. Soa que ele não frequentou escola ou nunca teve berço. É o que parece aos olhos de quem vê ele com um microfone na mão.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também optou por abandonar o debate de ideias ao se referir a Fernando Haddad de forma depreciativa como “professorzinho”.
A expressão reduz o nível da discussão política e substitui o confronto de projetos por ataques pessoais. Em uma campanha para governar o maior estado do país, o eleitor espera propostas, metas e resultados — não apelidos ou provocações.
Guilherme Derrite, por sua vez, elevou ainda mais o tom dos ataques. Em vez de concentrar seu discurso na apresentação dos resultados da área de segurança pública, escolheu dirigir críticas ao adversário político.
Sempre que agentes públicos apresentam números ou indicadores, cabe à sociedade e à imprensa confrontá-los com estatísticas oficiais para verificar se refletem integralmente a realidade. Esse escrutínio é indispensável em uma democracia. E, o Derrite, como sempre, perde.
Pior! Quando encontra os jornalistas que o confrontam, Derrite, lança aquele olhar “fritante” de intimidação e repúdio.
A convenção evidenciou uma campanha que aposta fortemente na polarização. Em diversos momentos, os discursos priorizaram críticas ao campo adversário em detrimento da apresentação detalhada de soluções para problemas que continuam afetando milhões de paulistas, como segurança pública, saúde, mobilidade, habitação e educação.
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), também adotou um discurso de forte alinhamento político ao governador Tarcísio de Freitas e à chapa governista.
Como chefe do Poder Legislativo paulista, André do Prado ocupa uma posição que exige compromisso com o debate institucional e com a fiscalização das ações do Executivo.
O problema é que ele foge disso. O candidato ao Senado por São Paulo usou um discurso predominantemente partidário. André do Prado deixou de aproveitar a oportunidade para abordar temas que preocupam a população, como segurança pública, saúde, educação, mobilidade e habitação.
O candidato tenta uma vaga no Senado e esquece o principal. Não teve nem inteligência suficiente para falar de propostas. Pelo contrário, aplaudiu um discurso machista, preconceituoso e de baixo nível. Normal dos homens que se dizem “cristãos”, “de família” e do “bem”.
Em uma eleição estadual, o debate público ganha quando candidatos discutem propostas sustentadas por evidências, metas verificáveis e prestação de contas.
O eleitor merece uma campanha baseada em fatos, transparência e responsabilidade, na qual declarações possam ser conferidas à luz de documentos oficiais e não apenas reproduzidas como peças de retórica eleitoral.