A morte de uma menina de 3 anos durante um incêndio em uma residência no bairro Paecará, distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, na noite de domingo (2), também trouxe à tona uma denúncia feita por moradores da região: a dificuldade para combater as chamas por causa da suposta falta de água da SABESP no bairro.
Segundo familiares da criança e vizinhos que participaram do combate ao fogo antes da chegada do Corpo de Bombeiros, a água armazenada em baldes foi a única alternativa para tentar conter o incêndio. Eles afirmam que o abastecimento estaria irregular há vários dias, o que teria dificultado ainda mais a tentativa de salvar a vítima.
“Talvez se tivesse água lá em cima ajudaria bastante. Lá não tinha uma gota de água”, lamentou uma moradora.
A concessionária responsável pelo abastecimento, a Sabesp, nega que tenha havido interrupção no fornecimento de água na área onde ocorreu a tragédia e afirma não possuir registros de reclamações ou ocorrências de desabastecimento relacionadas ao endereço do incêndio.
Moradores relatam falta de água durante combate ao fogo
O incêndio começou no pavimento superior de um sobrado localizado na Avenida São Jorge. O imóvel residencial fica sobre estabelecimentos comerciais, entre eles um supermercado.
De acordo com Flávia Santana, prima da criança, a população foi a primeira a agir para tentar controlar as chamas.
“Todo mundo ajudou com o pouquinho que tinha porque está muito tempo sem água”, relatou à TV Tribuna.
Segundo ela, moradores utilizaram baldes com água que haviam armazenado previamente para uso doméstico, justamente porque estariam enfrentando problemas de abastecimento.

Ela conta que os voluntários precisavam subir e descer constantemente as escadas do imóvel carregando baldes, o que tornou o combate ao incêndio mais lento.
Os relatos levantam um questionamento sobre se a eventual indisponibilidade de água dentro da residência pode ter dificultado a contenção inicial das chamas. Até o momento, não há conclusão oficial estabelecendo relação entre o abastecimento de água e a morte da criança.
Bombeiros encontraram incêndio já controlado
O Corpo de Bombeiros informou que mobilizou cinco viaturas e 11 bombeiros para a ocorrência. Quando as equipes chegaram ao local, porém, o fogo já havia sido controlado por moradores.
Os bombeiros realizaram apenas os trabalhos de resfriamento e rescaldo do imóvel para evitar novos focos de incêndio.
As causas do incêndio ainda serão apuradas pela perícia.
Familiares acreditam que o fogo possa ter sido provocado por um curto-circuito. Segundo Flávia Santana, dias antes uma árvore caiu nas proximidades da residência e, desde então, a instalação elétrica da casa teria começado a apresentar instabilidades.
“A casa estava com as luzes piscando”, afirmou.
Até a conclusão da perícia, essa hipótese permanece apenas como relato de familiares, sem confirmação oficial.
Sabesp negou falta de água
Em nota, a Sabesp informou que não identificou qualquer ocorrência de falta de água na região onde aconteceu o incêndio, nem registros de reclamações referentes ao abastecimento naquele endereço.
A empresa afirma que seus sistemas operacionais não apontam interrupção do fornecimento na área e, até o momento, não reconhece relação entre o abastecimento de água e a ocorrência.
Investigação contra a Sabesp continua
A Polícia Civil e a perícia técnica deverão esclarecer a origem do incêndio e se houve algum fator externo que possa ter contribuído para a propagação das chamas.
Paralelamente, os relatos de moradores sobre problemas no abastecimento de água podem ser objeto de apuração para verificar se havia, de fato, desabastecimento na região ou se a falta de água ocorreu apenas na residência atingida, por razões internas.
Enquanto isso, a morte da menina de 3 anos permanece como o aspecto mais trágico da ocorrência, e a investigação buscará determinar todas as circunstâncias que levaram ao incêndio.