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BOMBA-RELÓGIO: Karina da Gama responde Flávio Dino e diz que vai entregar tudo sobre Dark Horse

Brasil

Produtora de Dark Horse promete entregar documentos e prestações de contas; colaboração pode expor conexões políticas e financeiras e transformar o filme em uma bomba-relógio para as campanhas da direita em São Paulo. O Clima é de tensão no Palácio dos Bandeirantes e no gabinete do prefeito Ricardo Nunes.

A declaração de Karina Gama, produtora do filme Dark Horse, de que pretende colaborar integralmente com as investigações da Polícia Federal criou um novo clima de tensão no Palácio dos Bandeirantes e na cúpula da campanha de Tarcísio de Freitas.

A empresária também mantém relações com figuras do campo político paulista, entre elas o prefeito Ricardo Nunes. O avanço das apurações da Polícia Federal pode ampliar a pressão sobre aliados e personagens que orbitam o projeto eleitoral da direita em São Paulo.

O ponto mais sensível é que Karina afirmou a interlocutores que entregará às autoridades todo o material solicitado pela Polícia Federal.

Depois da declaração, o clima do Palácio dos Bandeirantes é de apreensão total. O mesmo clima se estendeu também ao gabinete do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

A decisão de colaborar pode colocar documentos, registros financeiros, contratos, prestações de contas e outras informações da produtora no centro de uma investigação que ganhou novo impulso depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a PF a acessar os dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo.

A Polícia Federal investiga se recursos públicos, especialmente emendas parlamentares, foram utilizados de maneira irregular na produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF pretende cruzar os dados obtidos em São Paulo com informações já existentes nas investigações conduzidas em Brasília.

“Vou colaborar com tudo”

Na quarta-feira (18), Karina recebeu um e-mail da Polícia Federal solicitando colaboração voluntária e o fornecimento de documentos relacionados ao filme, incluindo prestações de contas.

Segundo relatos feitos pela própria produtora a pessoas próximas, a intenção é entregar o material até esta sexta-feira (28).

Vou colaborar com tudo — disse Karina a interlocutores.

A produtora é dona da Go Up Entertainment, empresa responsável por Dark Horse. Segundo as informações divulgadas, a companhia ainda não lançou nenhum filme nos cinemas brasileiros.

Karina nega irregularidades e rejeita as suspeitas de que tenha utilizado recursos para lavagem de dinheiro ou evasão de dívidas. A empresária também afirma que “não faz parte de nenhuma organização criminosa”.

Ela sustenta ainda que “não fez nada de errado” e defende a produção cinematográfica. Segundo Karina, Dark Horse é uma “produção magnífica”.

As declarações ganham peso justamente porque a PF agora terá acesso a informações que estavam sob poder da Polícia Civil de São Paulo. A operação paulista realizada em junho apreendeu documentos, celulares, computadores e outros materiais em endereços ligados a Karina e às empresas investigadas.

PF vai seguir o caminho do dinheiro

A autorização concedida por Flávio Dino abre uma nova frente de investigação. A estratégia da Polícia Federal é analisar o material apreendido e reconstruir a movimentação financeira relacionada à produtora — o chamado “follow the money”.

A investigação federal tem foco específico na possibilidade de utilização irregular de emendas parlamentares para financiar Dark Horse.

Entre os parlamentares citados nas apurações está Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, organização ligada a Karina. Outros parlamentares também aparecem no radar das autoridades.

A apuração da Polícia Civil paulista tem outro foco: investigar suspeitas relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de pontos de Wi-Fi.

Uma das hipóteses analisadas é se parte desses recursos teria sido desviada para outras estruturas ligadas à empresária ou para a produção do filme. E se partiu alguma remessa que liga o governo do candidato Tarcísio de Freitas e o governo municipal do prefeito Ricardo Nunes.

Relação com o financiamento de Dark Horse também está sob pressão

Paralelamente, existe outra frente de investigação envolvendo o financiamento do filme e a relação com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Esse núcleo é conduzido em outro inquérito, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, e envolve o senador Flávio Bolsonaro.

Um áudio revelado anteriormente mostrou Flávio pedindo recursos a Vorcaro para o financiamento do longa. Segundo informações divulgadas pela imprensa, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido destinados à produção.

Mesmo núcleo que doou dinheiro para as campanhas do governador Tarcísio de Freitas e do ex-presidente da república, Jair Bolsonaro, hoje, preso por golpe de estado.

A situação se tornou ainda mais delicada porque a origem e a destinação dos recursos continuam sendo alvo de questionamentos.

A Go Up afirma que o filme custou cerca de R$ 75 milhões e sustenta que a produção foi financiada com recursos privados, mas a PF busca justamente verificar a origem e a trajetória dos valores.

Tensão no entorno de Tarcísio e Nunes

A disposição de Karina de entregar documentos voluntariamente aumenta a temperatura política em São Paulo. A empresária aparece em diferentes investigações e mantém relações com personagens políticos que transitam pelo mesmo campo político de Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Flávio Bolsonaro.

O receio nos bastidores é que a investigação deixe de ser apenas uma discussão sobre o financiamento de um filme e passe a alcançar relações políticas, empresariais e financeiras mais amplas.

Nesse cenário, a decisão de Karina de colaborar com a PF ganha importância. Quanto mais documentos forem entregues e quanto maior for o cruzamento das informações apreendidas pela Polícia Civil com os dados já disponíveis em Brasília, maior será a possibilidade de surgirem novas conexões.

A investigação, contudo, aumenta a pressão política sobre Tarcísio e Nunes porque qualquer documento ou informação que revele conexões relevantes poderá produzir novos desdobramentos às vésperas da eleição.

Tarcísio, por sua vez, já defendeu publicamente depois de muita pressão da imprensa a investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e afirmou que a corporação está cumprindo ordens judiciais e atuando dentro da legislação. Mas ao mesmo tempo que “defendeu” chamou a investida da PF como “desrespeito”.

Um barril de pólvora para as campanhas

O caso também ameaça atingir diretamente a campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato à Presidência pelo PL está sob pressão para esclarecer a origem e a utilização dos recursos relacionados ao filme. A investigação conduzida por Dino e o compartilhamento dos dados com a PF ampliam o número de informações que poderão ser analisadas pelos investigadores.

A colaboração de Karina, portanto, adiciona um elemento novo ao caso: a própria produtora afirma que pretende entregar voluntariamente o que for solicitado.

O que está em jogo agora não é apenas o destino de Dark Horse, mas a possibilidade de que os investigadores consigam reconstruir toda a cadeia financeira que envolveu a produção, identificar a origem dos recursos e verificar se houve alguma utilização irregular de dinheiro público.

Se os documentos entregues por Karina confirmarem as versões apresentadas pela produtora, ela poderá reforçar sua defesa. Se, por outro lado, aparecerem divergências entre documentos, movimentações bancárias, contratos e prestações de contas, a colaboração poderá abrir novas frentes de investigação.

É justamente essa possibilidade que transforma a declaração de Karina em um dos pontos mais sensíveis do caso. O material que ela promete entregar à PF poderá ajudar a esclarecer o financiamento de Dark Horse — ou provocar uma nova onda de perguntas sobre as relações políticas e empresariais construídas ao redor do filme.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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