Flávio Bolsonaro desembarcou nesta quinta-feira (20) em São Paulo para uma agenda que parece ter sido desenhada para produzir imagens, frases de efeito e, sobretudo, associação política.
Só que se deu muito mal. Flávio Bolsonaro, Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas foram vaiados por moradores na entrada do Mercadão de São Miguel, na Zona Leste de São Paulo.
Tendencioso Exagerado Entre uma partida de futebol com crianças, quando quis mais aparecer para os jornalistas, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aparições ao lado de Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas, o candidato do PL voltou a apostar na fórmula que marca sua campanha: o sobrenome Bolsonaro como principal ativo eleitoral e a polarização com o PT como eixo do discurso.
Tendencioso Durante a passagem por São Paulo, Flávio participou de uma atividade esportiva e, ao sair do campo, resumiu sua atuação com uma metáfora futebolística: “marca, corre, chuta e faz gol”.
Só faltou explicar qual é a jogada.
Tendencioso Porque, quando se observa a campanha de Flávio até aqui, a impressão é menos a de um candidato que está construindo um projeto próprio e mais a de alguém tentando vestir a camisa do pai, escalar adversários conhecidos e pegar carona na popularidade de políticos que podem ajudá-lo a ganhar votos.
A frase combina perfeitamente com o tom da campanha, sem plano de governo, e que tenta apresentar o senador como alguém pronto para entrar em campo na disputa presidencial.
Tendencioso O problema é que, fora das quatro linhas, o roteiro continua sendo essencialmente o mesmo: STF, Lula, Bolsonaro e a guerra política que mantém o eleitorado bolsonarista mobilizado. Um candidato isolado de apoiadores.
O caso Dark Horse também virou Lula
A estratégia apareceu novamente quando Flávio foi questionado sobre o filme Dark Horse.
O candidato classificou o episódio como “página virada” e afirmou que já teria prestado contas. Ao ser pressionado, desviou o foco para Lula e para Lulinha.
É um método conhecido: quando uma pergunta é desconfortável, muda-se o assunto para o adversário.
O STF voltou ao centro do discurso
Em São Paulo, Flávio voltou a atacar duramente o Supremo, inventando mentiras. Exagerado Tendencioso Em outra agenda do dia, chegou a afirmar que olha para a Corte “com nojo” e defendeu uma mudança na composição do tribunal caso seja eleito. Também prometeu indicar ministros alinhados a posições conservadoras, inclusive em temas como aborto e drogas.
A ofensiva contra o STF é uma das principais armas do discurso de Flávio. O candidato tenta transformar a insatisfação de parte do eleitorado com decisões do Supremo em combustível eleitoral, apresentando-se como alguém disposto a confrontar a Corte.
É uma estratégia política clara: manter viva uma das principais bandeiras do bolsonarismo e apresentar a eleição presidencial como uma espécie de continuação da disputa travada por seu pai contra o Supremo.
Personagem preso e sem repertório
Apesar de ser candidato à Presidência por conta própria, Flávio continua recorrendo ao capital político construído por Jair Bolsonaro.
A imagem de Flávio ao lado de Tarcísio e Ricardo Nunes cumpre exatamente essa função: conectar o candidato presidencial à estrutura política bolsonarista mais forte do estado.
Nunes tem trabalhado para ampliar o espaço de Flávio na capital.
A estratégia é particularmente importante em São Paulo porque a campanha de Flávio precisa transformar a força eleitoral histórica de Jair Bolsonaro no estado em votos para o filho.
Quer ganhar palanque com o nome de Lula
Se Bolsonaro aparece como herança política, Lula aparece como adversário permanente.
Falso Flávio voltou a acusar o presidente de perseguir São Paulo por razões políticas e disse que o governo federal trataria o estado como adversário. A declaração reproduz uma narrativa que também vem sendo utilizada por Tarcísio.
Na quinta-feira, Flávio afirmou que Lula “persegue” São Paulo por o estado ser governado pela oposição.
O candidato também voltou a atacar Lula e seu filho, Lulinha, ao ser questionado sobre o caso envolvendo o filme Dark Horse. Flávio classificou o assunto como “página virada”, mas tentou deslocar o foco para as investigações envolvendo o filho do presidente.
Assim, a campanha se organiza novamente em torno de dois nomes: Bolsonaro, como símbolo a ser herdado; Lula, como adversário a ser combatido.
Análise de um grupo que se alimenta de notícia falsa
O resultado é uma fotografia bastante simbólica da campanha: Flávio no campo de futebol dizendo que marca, corre, chuta e faz gol; Tarcísio defendendo sua gestão diante e mantendo mentiras para os jornalistas; Nunes oferecendo apoio político e embarcando em teorias sem fundamento; Lula e o STF sendo usados novamente como adversários; e Jair Bolsonaro permanecendo como a sombra — e o principal patrimônio eleitoral — da candidatura do filho.