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GESTÃO TARCÍSIO: Após 14 anos, SP perde liderança entre estados e acumula dívidas bilionárias

Política

São Paulo afunda com a gestão Tarcísio: é dívida que não acaba mais. Estado perde competitividade, acumula bilhões em passivos, vê as contas públicas no vermelho e enfrenta retrocessos em áreas essenciais — um retrato cada vez mais distante da promessa de gestão eficiente vendida pelo governador.

O Radar Brasileiro mostra que São Paulo, que liderava o levantamento havia 14 edições consecutivas, cai para o segundo lugar durante o governo Tarcísio de Freitas; Santa Catarina assume a liderança pela primeira vez.

São Paulo perdeu a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados depois de 14 anos no topo. Sob Tarcísio de Freitas, o estado passou para a segunda colocação e registrou recuos importantes em eficiência da máquina pública, capital humano, solidez fiscal, segurança e inovação.

O resultado representa uma mudança histórica no levantamento, que avalia as 27 unidades da Federação a partir de 100 indicadores distribuídos em dez pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.

A virada ocorre justamente durante o governo de Tarcísio de Freitas, que assumiu o Palácio dos Bandeirantes em 2023. São Paulo havia permanecido no topo durante todas as 14 edições anteriores.

Santa Catarina obteve 87,06 pontos, contra 80,68 de São Paulo e 76,30 do Paraná. O Estado catarinense ficou entre os cinco primeiros em todos os dez pilares avaliados, demonstrando desempenho mais equilibrado entre diferentes áreas da administração pública.

Santa Catarina avança em áreas estratégicas

A ascensão catarinense foi impulsionada por uma melhora consistente em diferentes indicadores.

Um dos saltos mais expressivos ocorreu na eficiência da máquina pública. Santa Catarina passou da 10ª para a 3ª colocação nacional. Na educação, o Estado avançou da 9ª para a 2ª posição.

Também houve evolução em sustentabilidade ambiental, na qual passou para o 4º lugar, e em solidez fiscal, também alcançando a 4ª colocação.

Santa Catarina lidera ainda quatro dos dez pilares avaliados: capital humano, potencial de mercado, segurança pública e sustentabilidade social. É o primeiro lugar em capital humano pelo quarto ano consecutivo e avançou da terceira para a primeira posição em potencial de mercado.

A distribuição catarinense ficou assim:

  • em Capital Humano
  • em Potencial de Mercado
  • em Segurança Pública
  • em Sustentabilidade Social
  • em Educação
  • em Inovação
  • em Eficiência da Máquina Pública
  • em Solidez Fiscal
  • em Sustentabilidade Ambiental
  • em Infraestrutura

O desempenho também é favorecido pelo mercado de trabalho. Segundo os dados utilizados pelo levantamento, Santa Catarina registrou a menor taxa de desocupação do país no primeiro trimestre de 2026.

São Paulo perde posições importantes

Embora continue entre os Estados mais bem avaliados do país e mantenha a liderança em infraestrutura, educação e sustentabilidade ambiental, São Paulo perdeu espaço em outros pilares.

Na edição de 2026, o Estado ficou em:

  • em Infraestrutura
  • em Educação
  • em Sustentabilidade Ambiental
  • em Sustentabilidade Social
  • em Inovação
  • em Potencial de Mercado
  • em Segurança Pública
  • em Capital Humano
  • 11º em Eficiência da Máquina Pública
  • 14º em Solidez Fiscal

A queda é especialmente relevante em áreas ligadas à capacidade administrativa e às contas públicas. São Paulo aparece apenas em 11º lugar em eficiência da máquina pública e em 14º em solidez fiscal, enquanto Santa Catarina está em terceiro e quarto, respectivamente.

Paraná fica em terceiro

O Paraná manteve a terceira colocação nacional, com 76,30 pontos. O Estado também está entre os três primeiros colocados em infraestrutura e sustentabilidade ambiental e permanece entre os cinco melhores em segurança pública e inovação.

A força do Sul chama atenção: Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul ocupam três das quatro primeiras posições do ranking nacional.

O Rio Grande do Sul aparece em quarto, com 68 pontos, depois de avançar uma posição. O resultado ganha relevância diante dos impactos provocados pelas enchentes que atingiram o Estado.

O Espírito Santo também se destacou e voltou ao grupo dos cinco primeiros, passando da 7ª para a 5ª colocação.

Piauí tem melhor resultado da história

Fora do eixo Sul-Sudeste, o levantamento aponta avanços importantes.

O Ceará chegou à 11ª posição, enquanto o Piauí alcançou a 19ª colocação, seu melhor resultado histórico na série. O Estado também aparece em terceiro lugar no indicador de potencial de mercado.

O resultado mostra que alguns Estados nordestinos conseguiram avançar, embora a concentração das primeiras posições ainda permaneça fortemente localizada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Rio de Janeiro segue fora do top 10

O Rio de Janeiro avançou duas posições, mas continua como o único Estado do Sudeste fora dos dez primeiros colocados.

O Estado terminou em 13º lugar, com 50,01 pontos. Seu principal gargalo continua sendo a situação fiscal. O Rio aparece na 23ª colocação em solidez fiscal, muito abaixo dos demais Estados do Sudeste.

O Estado também apresenta dificuldades para transformar qualificação profissional em inserção econômica. Apesar de apresentar bons resultados em qualificação dos trabalhadores e produtividade, enfrenta problemas relacionados à desocupação de longo prazo e à inserção econômica.

Gestão Tarcísio acumula dívidas bilionárias dos ativos de SP

O problema não termina no ranking. As empresas controladas pelo governo paulista também carregam uma montanha de obrigações. Somente três companhias — Metrô, CDHU e EMTU — somavam aproximadamente R$ 11,2 bilhões em passivos nos balanços disponíveis. O número dá a dimensão do tamanho do problema financeiro acumulado na estrutura estatal paulista.

O Metrô fechou 2025 com R$ 4,04 bilhões em passivo total, enquanto a CDHU apresentava cerca de R$ 4,66 bilhões. A EMTU, posteriormente extinta pelo governo Tarcísio, tinha R$ 2,47 bilhões em passivos em seu último balanço disponível.

E isso é apenas uma parcela do conjunto de empresas vinculadas ao Estado. A própria administração paulista relaciona entre suas estatais companhias como CPTM, Prodesp, CETESB, Desenvolve SP, Companhia Paulista de Parcerias e outras.

O cenário fiscal do governo também acende o alerta. São Paulo terminou 2025 com déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões, o pior resultado desde 1995, segundo levantamento da Folha. A projeção para 2026 aponta novo déficit superior a R$ 9 bilhões. O caixa líquido também caiu de R$ 19,5 bilhões em 2022 para cerca de R$ 5 bilhões em 2025.

Na prática, a propaganda de eficiência fiscal começa a bater de frente com os números. Enquanto Tarcísio tenta vender a imagem de gestor responsável e defensor do equilíbrio das contas públicas, o estado perdeu a liderança em competitividade, acumulou déficit bilionário e mantém empresas públicas com passivos de bilhões de reais.

 Ainda assim, os números mostram o tamanho da estrutura financeira que o governo precisa administrar.

O retrato é menos confortável do que o discurso oficial: São Paulo continua sendo um estado economicamente poderoso, mas a gestão Tarcísio não conseguiu preservar a liderança em competitividade e enfrenta uma conta bilionária nas empresas públicas e nas próprias finanças estaduais.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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