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Brasil reduz queimadas e consolida queda do desmatamento sob governo Lula

Brasil

Com fiscalização reforçada e retomada de programas de preservação, o Brasil registra queda no desmatamento e avança no combate aos crimes ambientais, apesar dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Comparação entre os governos Bolsonaro e Lula mostra mudança na política ambiental, com redução da devastação da Amazônia. Fortalecimento da fiscalização e ampliação das ações contra queimadas criminosas - Imagem: Agência Brasil

A redução do desmatamento na Amazônia se consolidou como um dos principais indicadores da política ambiental do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a devastação da floresta caiu pelo terceiro ano consecutivo desde o início da atual gestão, em contraste com o avanço observado entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro.

O resultado é atribuído por especialistas e pelos órgãos ambientais à retomada de políticas públicas de fiscalização, ao fortalecimento institucional do Ibama e do ICMBio, à reativação do Fundo Amazônia e ao retorno do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), considerado internacionalmente uma das principais estratégias de combate à destruição da floresta.

Segundo o Prodes/Inpe, a taxa consolidada de desmatamento da Amazônia Legal em 2025 ficou em 5.731 km², uma redução de 12,07% em relação a 2024 e cerca de 50% inferior aos índices registrados em 2022, último ano da gestão Bolsonaro. Trata-se do menor patamar em mais de uma década.

Mudança de estratégia após 2023

Ao assumir a Presidência, Lula recolocou o combate ao desmatamento como prioridade da política ambiental.

Entre as principais medidas adotadas estão:

  • retomada do PPCDAm;
  • reativação do Fundo Amazônia, que voltou a receber recursos da Noruega, Alemanha, Reino Unido e outros países;
  • reforço das equipes de fiscalização do Ibama e ICMBio;
  • operações permanentes contra garimpo ilegal, grilagem de terras e exploração clandestina de madeira;
  • integração entre órgãos ambientais, Polícia Federal, Força Nacional e governos estaduais.

Os resultados também aparecem nos dados de alertas de desmatamento do sistema Deter, utilizado para orientar ações de fiscalização praticamente em tempo real. Em junho de 2026, os alertas na Amazônia caíram cerca de 35% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Contraste com a gestão Bolsonaro

Entre 2019 e 2022, o Brasil registrou sucessivos aumentos do desmatamento na Amazônia.

O período foi marcado por:

  • crescimento das áreas desmatadas;
  • redução das operações de fiscalização ambiental;
  • conflitos públicos entre integrantes do governo e pesquisadores do Inpe;
  • paralisação do Fundo Amazônia;
  • aumento das críticas internacionais à política ambiental brasileira.

Diversos estudos acadêmicos, organizações ambientais e organismos multilaterais apontaram que o enfraquecimento da fiscalização favoreceu o avanço da grilagem de terras públicas, do garimpo ilegal e da exploração clandestina de madeira.

Desmatamento e queimadas não são o mesmo fenômeno

Especialistas alertam que a redução do desmatamento não significa automaticamente diminuição das queimadas. Embora boa parte dos incêndios esteja ligada à abertura ilegal de áreas, a propagação do fogo depende também de fatores climáticos.

Em 2024, o Brasil enfrentou uma das secas mais intensas das últimas décadas, agravada pelo fenômeno El Niño e pelo aquecimento global. Como consequência, a área queimada cresceu significativamente, mesmo com a redução do desmatamento registrada em diversos biomas.

Essa distinção tem sido enfatizada por pesquisadores do clima e do próprio governo federal: combater o desmatamento reduz uma das causas estruturais das queimadas, mas eventos climáticos extremos ampliam a propagação do fogo.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem resumido essa estratégia ao afirmar:

“Não existe proteção da Amazônia sem Estado presente, fiscalização permanente e cooperação entre União, estados e municípios.”

Pantanal: investigações apontam origem criminosa de parte dos incêndios

As grandes queimadas registradas no Pantanal também passaram a ser tratadas como caso de polícia. Em junho de 2026, a Justiça Federal condenou o pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda a quatro anos de prisão em regime fechado por provocar um incêndio criminoso que destruiu aproximadamente 12.850 hectares do Pantanal em 2020.

Além da pena de prisão, ele foi condenado ao pagamento de cerca de R$ 453 mil em multa e à apresentação de um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD). A condenação decorre da Operação Matáá, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Em outra frente, a Polícia Federal deflagrou, em 2024, a Operação Arraial São João, que investigou incêndios criminosos responsáveis por destruir aproximadamente 30 mil hectares do Pantanal.

Segundo as investigações, parte dos incêndios teria sido provocada para favorecer a expansão da pecuária e a ocupação irregular de áreas públicas.

Levantamento técnico do Ministério Público de Mato Grosso do Sul identificou 149 focos de ignição iniciados dentro de propriedades rurais, responsáveis por aproximadamente 1,3 milhão de hectares queimados, o equivalente a 74,8% da área atingida no Pantanal sul-mato-grossense em 2024.

O MPMS ressalta, entretanto, que a localização da origem do fogo não implica automaticamente responsabilidade criminal dos proprietários, cuja eventual participação depende de investigação individual.

Comparativo entre os governos

  • Governo Bolsonaro (2019–2022) Governo Lula (2023–atual)
  • Crescimento do desmatamento na Amazônia Queda consecutiva do desmatamento
  • Questionamentos públicos aos dados do Inpe Dados do Inpe utilizados para orientar fiscalização
  • Fundo Amazônia permaneceu paralisado Fundo Amazônia reativado e novamente financiado por países doadores
  • Redução das ações de fiscalização, segundo pesquisadores e órgãos ambientais Reforço das operações do Ibama, ICMBio, Polícia
  • Federal e Força Nacional
  • Avanço da grilagem e do garimpo ilegal Meta oficial de eliminar o desmatamento ilegal até 2030
  • Investimentos retomados

Desde 2023, o governo federal também ampliou investimentos voltados à preservação da Amazônia:

  • reativação do Fundo Amazônia;
  • ampliação das operações de fiscalização;
  • combate permanente ao garimpo ilegal em terras indígenas;
  • atuação integrada de 19 ministérios;
  • novos planos nacionais de prevenção e combate aos incêndios florestais;
  • fortalecimento do monitoramento por satélite do Inpe.

Apesar dos avanços, pesquisadores ressaltam que o Brasil ainda enfrenta desafios relevantes para atingir a meta de eliminar o desmatamento ilegal até 2030. A continuidade das ações de fiscalização, a responsabilização por crimes ambientais e a adaptação às mudanças climáticas são apontadas como fatores decisivos para manter a tendência de queda observada desde 2023.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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