Estação Brás está fechada
A estação Brás, da CPTM, está com portas fechadas no início da manhã desta terça.
Há manifestantes na frente da estação desde as 4h. A Polícia Militar acompanha a movimentação.
A estação Brás atende linhas que não estão paralisadas.
A greve dos ferroviários da CPTM, iniciada nesta terça-feira (4), voltou a provocar transtornos para milhares de passageiros na Região Metropolitana de São Paulo. A paralisação atinge principalmente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, utilizadas diariamente por trabalhadores e estudantes da capital e da Grande São Paulo.
A mobilização ocorre após impasses envolvendo a retomada temporária da operação dessas linhas pela CPTM, que haviam sido concedidas à iniciativa privada e retornaram à gestão estatal por determinação da Artesp depois de uma sequência de falhas operacionais.
Diante do impacto no transporte público, a Prefeitura de São Paulo decidiu suspender o rodízio municipal de veículos para reduzir os transtornos à população e permitir que mais motoristas utilizassem seus automóveis durante o horário de restrição. A medida busca minimizar os efeitos da paralisação sobre a mobilidade urbana.
Segundo o Sindicato dos Ferroviários, a greve foi motivada pela falta de garantias sobre a manutenção dos empregos dos trabalhadores e pela incerteza quanto ao futuro das linhas após a intervenção da CPTM. Entre as reivindicações também está a reestatização das linhas concedidas à iniciativa privada.
Perguntas e respostas sobre a greve da CPTM
Quais linhas estão paradas?
A greve afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, administradas pela CPTM. A paralisação foi aprovada pelos ferroviários em protesto contra a concessão dessas linhas à concessionária Trivia Trens.
Que horas a greve começa?A paralisação teve início à 0h desta terça-feira (4) e foi aprovada por tempo indeterminado. Até o momento, não há previsão para o encerramento do movimento.
Quais linhas continuam funcionando?As demais linhas sobre trilhos seguem operando normalmente, incluindo:
- Linha 1-Azul (Metrô);
- Linha 2-Verde (Metrô);
- Linha 3-Vermelha (Metrô);
- Linha 4-Amarela;
- Linha 5-Lilás;
- Linha 7-Rubi;
- Linha 8-Diamante;
- Linha 9-Esmeralda;
- Linha 10-Turquesa;
- Linha 15-Prata;
- Linha 17-Ouro.
O Metrô funciona normalmente?
Sim. O Metrô de São Paulo e as demais concessionárias de transporte sobre trilhos operam normalmente, embora seja esperada superlotação nas estações de integração, especialmente Luz, Brás, Tatuapé e Palmeiras-Barra Funda, devido ao aumento no fluxo de passageiros.
O rodízio municipal foi suspenso?
Sim. A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos para reduzir os impactos da greve e permitir que mais motoristas utilizem seus carros durante a paralisação.
Há operação mínima?
Até a última atualização, não havia confirmação de operação mínima nas linhas 11, 12 e 13. A expectativa é de paralisação total nesses ramais, enquanto governo e sindicato seguem negociando.
Como chegar ao trabalho ou ao Aeroporto de Guarulhos?
Os passageiros que utilizam as linhas paralisadas devem buscar alternativas:
- Utilizar o Metrô e as demais linhas ferroviárias que seguem em operação;
- Recorrer aos ônibus municipais e intermunicipais, que devem registrar aumento na demanda;
- Usar aplicativos de transporte, táxis ou veículos particulares, aproveitando a suspensão do rodízio;
- Quem tem voo no Aeroporto Internacional de Guarulhos deve sair com bastante antecedência, já que a Linha 13-Jade, principal ligação ferroviária com o terminal, está paralisada. A recomendação é utilizar ônibus executivos, aplicativos ou táxis para chegar ao aeroporto.
CPTM GANHOU CONTORNOS DE “COLAPSO” TOTAL
A crise ganhou contornos ainda mais graves logo após a entrada da concessionária Trivia Trens na operação das linhas. Em apenas três dias de funcionamento, sucessivas falhas operacionais provocaram atrasos, interrupções e estações lotadas, gerando um cenário de caos para milhares de passageiros na Grande São Paulo.
Diante do colapso no sistema ferroviário e da crescente pressão da população, o governo Tarcísio de Freitas determinou o retorno temporário da operação à CPTM, recuando da estratégia inicialmente adotada para a concessão.
O episódio passou a ser apontado como um dos maiores desgastes da política de concessões ferroviárias da atual gestão, ao evidenciar que a transição para a iniciativa privada enfrentou dificuldades significativas já nos primeiros dias de operação.
CRISE AMPLIA PRESSÃO EM CIMA DO GOVERNADOR
A atual crise no sistema ferroviário paulista ampliou a pressão política sobre o governador Tarcísio de Freitas. O governo estadual apostou na concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à iniciativa privada, mas, poucos dias após o início da operação da concessionária Trivia Trens, sucessivas falhas levaram a Artesp a determinar o retorno temporário da operação para a CPTM por 90 dias.
Para críticos da gestão estadual, o episódio evidencia problemas na condução do modelo de concessões. Eles argumentam que o governo promoveu a transferência da operação para a iniciativa privada sem assegurar uma transição capaz de evitar falhas que afetassem diretamente os passageiros.
Após os problemas registrados, o próprio Estado precisou recorrer novamente à CPTM para garantir a continuidade do serviço. A sequência de interrupções, atrasos e dificuldades enfrentadas pelos usuários nas últimas semanas também alimentou críticas nas redes sociais e entre passageiros que dependem diariamente do transporte sobre trilhos.
O debate se intensificou após o governo ter de retomar temporariamente a operação das linhas concedidas, medida vista por opositores como um reconhecimento de que a transição não ocorreu conforme o planejado.
O governo do Estado, por sua vez, afirma que a retomada temporária está prevista contratualmente, tem caráter excepcional e visa assegurar a continuidade do serviço enquanto são apuradas as falhas e adotadas medidas para normalizar a operação.
A CPTM e o Governo do Estado de São Paulo lamentam a decisão do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil — representante dos trabalhadores das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade — de manter a paralisação anunciada para esta terça-feira (04/08), mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações.
Na reunião realizada nesta segunda-feira (3), entre representantes do Governo e do sindicato, o Estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM, e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), sistema de assistência à saúde destinado aos servidores públicos do Estado.
A paralisação não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de trabalhadores, estudantes e passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário. É inaceitável que a categoria use a população como instrumento de pressão política.
Diante disso, a CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho que determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, o TRT fixou uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.
As Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa estarão em operação regular, bem como todo o sistema metroviário, incluindo as linhas administradas pelo Metrô e pelas concessionárias. Para as demais linhas da CPTM, o plano de contingência já foi acionado com o objetivo de reduzir os impactos aos passageiros.