CADÊ A CREDIBILIDADE? A Rede Globo precisa explicar o que aconteceu longe das câmeras antes de colocar Flávio Bolsonaro diante das câmeras do Jornal Nacional. Horas antes da sabatina do candidato do PL, os principais executivos da emissora se reuniram com ele em um almoço reservado na sede do grupo, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro.
O Radar Brasileiro apurou e confirmou as informações sobre o encontro. Além de Flávio, participaram do almoço Duda Lima, estrategista de comunicação do candidato, e uma assessora de imprensa de sua equipe. Também participou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial do primogênito de Jair Bolsonaro.
O fato é grave do ponto de vista da transparência jornalística. A emissora que pretende questionar um candidato diante de milhões de brasileiros precisa esclarecer por que sua cúpula se reuniu reservadamente com ele antes da entrevista e quais foram os assuntos tratados.
Não basta a Globo reivindicar credibilidade. É preciso demonstrá-la na prática.
PORTAS FECHADAS PARA A REUNIÃO
A sabatina do Jornal Nacional é apresentada como uma oportunidade para que os candidatos sejam confrontados com perguntas sobre suas propostas, decisões e responsabilidades políticas. Mas o almoço reservado com a cúpula da emissora abre uma questão legítima: qual foi a natureza desse encontro e por que ele aconteceu justamente antes da entrevista?
A presença do estrategista de comunicação e de uma assessora de imprensa de Flávio torna indispensável esclarecer quem participou, o que foi discutido e se houve qualquer conversa sobre a preparação da sabatina.
Durante décadas, a televisão brasileira exerceu influência decisiva sobre a maneira como milhões de pessoas compreendem a política. A Globo sabe o peso de suas entrevistas, a força de suas manchetes e o impacto de suas escolhas editoriais.
O eleitor não tem acesso às conversas realizadas dentro dos gabinetes dos executivos. Tem acesso às informações que a imprensa decide divulgar — e merece saber quando um encontro reservado pode suscitar dúvidas sobre a igualdade de tratamento entre candidatos.
A pergunta que a Globo precisa responder é simples: por que sua cúpula almoçou reservadamente com Flávio Bolsonaro antes da sabatina?
O Radar Brasileiro cobra transparência. A emissora deve esclarecer a reunião, apresentar os critérios adotados e dissipar as dúvidas que o episódio inevitavelmente provoca.
A credibilidade da Globo enfrenta questionamentos ainda mais sérios após a revelação de que Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do grupo, foi demitido em 15 de outubro, depois da divulgação de conversas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O episódio ganha relevância política porque, na sabatina de Lula realizada na quinta-feira (15), o presidente abordou as relações com Vorcaro e defendeu mudanças no Judiciário diante das suspeitas envolvendo autoridades. A entrevista foi conduzida por Renata Lo Prete.
a Globo está disposta a aplicar a si mesma o mesmo rigor que cobra de políticos e autoridades?
quando Lula começou a abordar as relações de poder em torno do caso, durante a Sabatina, houve uma mudança de assunto por parte de Renata Lo Prete.
Esse é o segundo almoço de Flávio com a cúpula da TV Globo. O primeiro ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral e faz parte de um tour do senador pelos principais veículos de imprensa.
Em nota, a Globo informou que Flávio Bolsonaro foi recebido por João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais. A emissora ressaltou que nenhum representante da área de jornalismo participou do encontro.
ISSO SE CHAMA COMO GLOBO?
Agora, fazer almoço antes da Sabatina onde o candidato será submetido a uma série de questionamentos?