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Checagem Radar Verdadeiro

CONLUIO HORSE: PF mira Flávio Bolsonaro, Karina da Gama, Mario Frias; Tarcísio e Nunes também

Brasil

Tarcísio de Freitas recebeu R$1 milhão de emenda PIX pra um filme de Karina da Gama que nunca saiu do papel. Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, teria favorecido e destinado inúmeros recursos a Karina da Gama. Investigação da Polícia Federal coloca sob suspeita recursos públicos, emendas parlamentares e uma rede de empresas ligada à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro; dias antes da operação, Radar Brasileiro havia revelado informação sobre uma possível saída de Karina Gama do país, se estendendo também ao deputado Mario Frias. Karina da Gama chegou a comprar um carro da marca BYD com dinheiro 'vivo', em São Paulo. Informação revelada com exclusividade pelo jornalista Maicon Mendes.

O cerco apertou. É dinheiro público Flávio Bolsonaro.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up para investigar uma complexa movimentação de recursos públicos e privados que envolve a produtora do filme “Dark Horse”, a empresária Karina Ferreira da Gama, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e organizações que receberam recursos provenientes de emendas parlamentares.

Na noite de quarta-feira (9), o Radar Brasileiro, em reportagem assinada pelo jornalista Maicon Mendes, publicou uma informação exclusiva segundo a qual Karina Gama teria manifestado intenção de deixar o Brasil diante do avanço das investigações e da homologação da de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

A reportagem informou que a possibilidade de saída havia chegado ao conhecimento da Polícia Federal e que teria sido emitido alerta aeroportuário. O Radar deixou expressamente registrado que se tratava de informação obtida por fonte e que não equivalia a um comunicado público da corporação.

Menos de 24 horas depois, Karina Gama estava entre os alvos da maior operação já deflagrada no caso envolvendo o financiamento de “Dark Horse”.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e mobilizou 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

A investigação apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

Mas há um elemento que antecede a ofensiva policial.

COMPROU CARRO COM DINHEIRO ‘VIVO’: Karina Ferreira da Gama comprou um veículo da marca BYD utilizando dinheiro vivo proveniente de propina, segundo confirmação da Polícia Federal. A transação passou a integrar o conjunto de evidências reunidas pelos investigadores na apuração. O Radar Brasileiro já havia noticiado com exclusividade essa informação.

O pagamento em espécie chamou a atenção por envolver recursos cuja origem é apontada como ilícita. Segundo a PF, o dinheiro utilizado na aquisição estaria relacionado ao esquema investigado. A compra do veículo é tratada como mais um elemento para rastrear a movimentação dos valores.

O BYD, nesse contexto, aparece como um dos bens que podem ajudar a reconstruir o caminho do dinheiro.
As informações fazem parte das apurações conduzidas pela Polícia Federal sobre o esquema.

Ex-marqueteiro de Flávio

Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparece entre os principais responsáveis por transferências à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, longa inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro.

Segundo relatório de inteligência financeira do Coaf incorporado à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lopes repassou R$ 1 milhão à empresa de Karina Gama no fim de 2025.

A operação ocorreu no intervalo analisado pelo Coaf, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que a Go Up apresentou movimentações financeiras consideradas atípicas.

Ao todo, a produtora movimentou R$ 19,03 milhões, entre créditos e débitos, justamente durante a fase em que Dark Horse estava sendo filmado no Brasil. Entre os principais remetentes identificados no período, além de Lopes, aparecem a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,614 milhões, e a NTT Brasil, com R$ 750 mil.

A apuração do Radar antecipou o movimento que viria a público

A investigação já estava em curso.

O Radar Brasileiro antecipou a informação sobre uma possível saída de Karina Gama do país justamente na véspera de uma operação que colocou a empresária no centro das buscas da Polícia Federal.

A sequência cronológica é objetiva.

Na quarta-feira, o Radar publicou a informação sobre a possível fuga. O jornalista Maicon Mendes recebeu uma informação exlcusiva de uma fonte de dentro da cúpula do gabinete de campanha de Flávio Bolsonaro e Duda Lima, o marqueteiro, que em breve também estará na mira da polícia federal.

Na quinta-feira, a PF deflagrou a Operação Make Up.

Karina Gama tornou-se alvo de mandado de busca e apreensão.

Mário Frias também foi alvo da operação.

E Flávio Dino determinou medidas cautelares relacionadas aos investigados.

A própria decisão de Dino passou a tratar da existência de uma estrutura financeira e operacional sofisticada envolvendo pessoas físicas, empresas e entidades relacionadas ao núcleo investigado.

Segundo informações divulgadas sobre a decisão, há inclusive referência à utilização de empresas sediadas no exterior.

O dinheiro é público Flávio Bolsonaro

A operação desmonta, ao menos no campo da investigação, a versão política de que o filme seria exclusivamente uma produção privada sem qualquer relação com dinheiro público.

A investigação é mais específica — e potencialmente mais grave.

Os investigadores identificaram um possível caminho entre recursos provenientes de emendas parlamentares e a produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”.

Segundo a apuração policial, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina Gama, recebeu recursos de emendas. Empresas relacionadas ao núcleo investigado receberam aproximadamente R$ 700 mil do instituto. Depois, outra empresa ligada ao mesmo grupo transferiu R$ 750 mil para a Go Up.

A PF ressalva que ainda não é possível afirmar que os R$ 750 mil sejam exatamente os mesmos recursos anteriormente pagos pelo ICB.

Mas a proximidade dos valores, a sequência das operações e os vínculos societários e empresariais foram considerados relevantes pelos investigadores para levantar a hipótese de circulação de dinheiro entre entidades e empresas do mesmo núcleo.

É justamente essa possibilidade que transforma o caso em algo muito maior do que uma simples discussão sobre financiamento cinematográfico.

A movimentação milionária ocorreu durante as filmagens

Outro ponto explosivo está no calendário financeiro.

Segundo informações obtidas pela investigação, a Go Up movimentou aproximadamente R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.

No mesmo período, a produtora recebeu R$ 750 mil da NTT Brasil e outros R$ 645,4 mil diretamente de Mário Frias, segundo os dados analisados pela PF e pelo Coaf.

As filmagens de “Dark Horse” ocorreram entre outubro e dezembro daquele ano.

Ou seja: a movimentação financeira sob investigação coincide justamente com o período em que o filme estava sendo produzido.

A PF encontrou ainda despesas milionárias da Go Up, incluindo aproximadamente R$ 906 mil com o Hotel Unique e R$ 653 mil com alimentação, além de pagamentos a empresas ligadas ao setor audiovisual.

Isso, isoladamente, não prova que dinheiro público tenha bancado despesas específicas do filme.

Mas explica por que os investigadores passaram a rastrear de maneira muito mais agressiva a origem e o destino dos recursos.

A versão de Flávio Bolsonaro virou investigação Federal

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia afirmado publicamente que não havia dinheiro público no filme.

Em maio, ao falar sobre o financiamento da produção, resumiu a situação como “zero de dinheiro público”.

Em agosto, voltou a dizer que uma perícia teria demonstrado que não havia dinheiro público nem ilegalidades.

O contraste é inevitável.

Mário Frias, produtor executivo de “Dark Horse”, é um dos principais alvos da operação.

O deputado destinou recursos por meio de emendas ao Instituto Conhecer Brasil, organização presidida por Karina Gama.

Uma das emendas, de R$ 1 milhão, estava vinculada a um projeto de empreendedorismo que, segundo reportagens anteriores, não chegou a ser executado.

Além disso, os investigadores encontraram transferências feitas por Frias diretamente à Go Up.

Foram R$ 645,4 mil enviados pelo deputado à produtora em menos de dois meses, valor que chamou a atenção dos investigadores por sua dimensão em relação aos rendimentos parlamentares.

A resposta de Flávio Dino não ficou restrita à autorização das buscas.

O ministro também determinou a proibição de saída do país de Mário Frias, em decisão que menciona a preocupação com deslocamentos internacionais de investigados e com a preservação das provas.

A medida ganhou relevância porque Frias havia realizado viagem internacional e, segundo a decisão, demorou a fornecer informações solicitadas pela investigação.

É nesse contexto que a reportagem publicada pelo Radar Brasileiro na noite anterior ganha relevância jornalística.

O Radar havia informado que Karina Gama poderia tentar deixar o país.

Na manhã seguinte, a PF cumpriu mandado contra ela e o ministro responsável pelo caso adotou medidas para restringir a saída de investigados.

E Tarcísio de Freitas?

A investigação também lança luz sobre um episódio anteriormente revelado pelo Radar Brasileiro envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em reportagem publicada em agosto, o Radar mostrou que uma emenda de R$ 1 milhão indicada pelo deputado federal Marcos Pollon foi destinada ao governo paulista para um projeto audiovisual associado à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Gama.

O projeto tinha como finalidade a produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”.

Segundo a reportagem do Radar, o projeto não saiu do papel e permanecia sem esclarecimento público suficiente sobre o destino final dos recursos.

O dinheiro público, uma entidade ligada a Karina Gama e um projeto audiovisual que não foi executado: em agosto, Tarcísio defendeu publicamente Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse, afirmando que, na ausência de novos fatos, considerava as explicações do senador suficientes.

Agora, os “novos fatos” chegaram pelas mãos da própria Polícia Federal.

Mas o que entrou em cena agora é uma história muito diferente.

É a história de emendas parlamentares.

Institutos.

Um prefeito.

Um governador.

Marqueteiro.

Homem da Mala.

Laranja de Vorcaro.

Empresas.

Transferências milionárias.

Um filme de dezenas de milhões de reais.

Um banqueiro investigado.

Um deputado federal.

Uma produtora.

Entidades que receberam dinheiro público.

Contratos sob suspeita.

E uma investigação que chegou ao Supremo Tribunal Federal.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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